29 de janeiro de 2005

Votem nos empreiteiros!

Aquele teste que fiz há tempos para ver se havia por aqui "serial killers" não foi completamente inocente: Agora que já sei que não há (há apenas umas meninas perspicazes...), posso dizer que moro em Aradas, à beirinha de Aveiro.
Era importante a localização exacta para se entender o resto...

Aqui há uns anos (bastantes, acho eu, mas nunca tive bem a noção de tempo...) fecharam-se as três passagens de nível que havia.
Para as substituir construíram duas passagens desniveladas: uma ponte e um túnel.
O túnel (que substitui duas que eram relativamente perto) já funciona há muito, se é que se pode chamar "funcionar" àquilo: é uma autêntica ratoeira para os automobilistas (tem uma rotunda numa posição que não lembra ao diabo!) e os autocarros nem sequer lá passam. O cruzamento que a serve é minúsculo, não tem placas de sinalização nem luz.
O mais incrível é que, dessas duas passagens de nível, uma era muito utilizada e muito espaçosa, enquanto a outra era minúscula e pouco utilizada... Foram escolher a segunda para fazer o túnel, vá-se lá saber porquê!! [Se se quiser saber mesmo muito o porquê, pode-se começar por ver quem era o dono dos terrenos e essas coisas, mas isso é má língua e eu não entro por aí! ;-)]

A história que quero contar é da segunda, a da ponte.
Pois, aquela bela ponte está feita há montes de anos (desde 2000, diz o jornal)... mas só fizeram a ponte, alguém se esqueceu de que era preciso fazer uma estrada para subir e outra para descer!!
E lá ficou o mamarracho no ar, ano após ano... até ontem!
Mas isto ainda não acaba aqui: oficialmente os acessos ainda não existem, apesar de eu já lá ter passado hoje!
A obra ainda não foi inaugurada.
O Vereador do Trânsito e da Mobilidade (!!!) diz que "falta terminar a fiscalização horizontal para a obra estar completamente concluída".
Depois de confrontado com o facto de a estrada já estar aberta ao público ele remata:
"se o empreiteiro a deixou aberta é porque reúne condições para estar aberta".

Fonte: "O Aveiro" n.º 677
E alguém ainda duvida que vivemos no país dos empreiteiros??

28 de janeiro de 2005

Hora do recreio

O Pedro costuma enviar-me anedotas "más" acerca de professores.
Desta vez, talvez para se redimir e por se ter lembrado das reguadas que levou, mandou-me um texto engraçadíssimo!
Chamei-lhe recreio porque, acreditem, vou voltar ao assunto da educação e, principalmente, da falta dela.
Mas agora é mesmo hora de recreio:

O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO!

... se é jovem, não tem experiência
... se é velho, está superado
... se não tem carro, é um coitado
... se tem carro, chora de "barriga cheia"
... se fala em voz alta, grita
... se fala em tom normal, ninguém o ouve
... se não falta às aulas, é um tontinho
... se falta, é um “turista"
... se conversa com outros professores, está a falar mal dos alunos
... se não conversa, é um desligado
... se dá a matéria toda, não tem dó dos alunos
... se não dá a matéria, não prepara os alunos
... se brinca com a turma, arma-se em engraçado
... se não brinca, é um chato
... se chama a atenção, é um autoritário
... se não chama, não sabe se impor
... se o teste de avaliação é longo, não dá tempo
... se o teste de avaliação é curto, tira as chances dos alunos
... se escreve muito, não explica
... se explica muito, o caderno não tem nada
... se fala correctamente, ninguém entende
... se fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário
... se o aluno é reprovado, foi perseguição
... se o aluno é aprovado, o professor facilitou.

É verdade, o professor está sempre errado!
Mas se você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!

27 de janeiro de 2005

Apanhada na rede...

Só me vou sujeitar a responder a isto porque li algures que se quebrarmos a corrente o Santana Lopes (até me custa escrever este nome...) ganha as eleições.
Como não quero ser responsabilizada por tal tragédia, cá vai:

1. Have you ever used toys or other things during sex?
Uso os brinquedos com que eu e o meu marido viemos equipados de série...!

2. Would you consider using dildos or other sexual toys in the future?
Sou uma ignorante a inglês... Procurei "dildos" no meu dicionário e não achei, por isso considerem novamente a resposta anterior no que se refere a "toys".

3. What is your kinkiest fantasy you have yet to realize?
Não responder a coisas destas, não ter medo de quebrar algumas correntes que a vida nos impõe...

4. Who gave you this dildo?
A safada da MWoman.
(Não perdes pela demora!)

5. Who are the ones to receive this dildo from you?

1.Claro que à Fada Magrinha. É sempre bom contar com a ajuda das fadas...
2. Não podia ficar de fora a minha Neurótica preferida, embora ela ultimamente não tenha trabalhado nada...
3. E uma opinião de homem fica sempre bem, não é amigo Flores ?
4. E, last but not least, a opinião de um profe!

26 de janeiro de 2005

Da educação dos limites e dos limites da educação

Acerca do meu post anterior houve comentários muito interessantes e muito ficou ainda por dizer.
O Santos Passos resolveu, em vez de comentar, escrever também um post sobre o assunto lá no blog dele. Uma escrita tão interessante que a roubei para aqui, incluindo o título...Espero que ele não se zangue!

«Nesta recente viagem de mês e meio a Portugal (dezembro/janeiro), chamou nossa atenção - de minha mulher e minha - o comportamento de pais ao lidar com filhos em público. Nos restaurantes, nos hotéis, víamos crianças de várias idades "deitando e rolando" em cima de pais aparvalhados, cuja única reação diante das estrepolias dos miúdos era um sorriso amarelo.
Ora, penso que uma das características principais de um processo de educação é o gradativo estabelecimento de limites para que as crianças possam aprender a determinar o espaço que lhes cabe no mundo.
Se esse aprendizado inclui, vez em quando, umas palmadas, isso depende das circunstâncias, do momento. Confesso que, nas poucas vezes em que dei algumas palmadas em meus filhos ao longo da formação deles, ficou-me uma sensação de incompetência por ter necessitado chegar a esse ponto. Nem por isso me arrependo de tê-las dado (foram tão poucas que eles alegam não lembrar-se de quase nenhuma). Se eu era incompetente para - em dado instante - determinar limites à ação deles por meios verbais, paciência. O que não se pode é deixar de estabelecer os limites, deixá-los claros para a criança.
Talvez se possa resumir tudo: "menos mal uma palmada que nada".
A propósito, deixa contar a história que ouvi do Armindo Alves, em Vinhais. Para quem leu outros posts deste blog sobre nossa viagem a Portugal, não é preciso dizer que o Armindo é o dono da casa em que ficámos hospedados na aldeia de Pinheiro Novo.
Ao lado da casa em que estávamos havia um galpão onde ficavam à noite muitos cabritos pertencentes a um casal vizinho. Pela manhã saíam a pastar, voltavam ao cair da tarde.

Pois bem. Antes de nós, esteve hospedado na casa do Armindo um casal do Porto. O casal tinha um filho de uns cinco anos. Desde o primeiro dia o miúdo afeiçoou-se aos cabritos. Brincava com eles sempre que possível. No dia de voltarem ao Porto, o menino sumiu.
Perplexidade, procura que procura, até que - depois de mobilizada toda a aldeia para encontrar o puto (aqui serve o português de Portugal e o do Brasil) - eis que ele foi descoberto lá no fundo do galpão dos cabritos, escondidinho.
Até aí, nada demais, fora o susto dos pais. A questão crucial vem agora. O casal, para conseguir convencer o garoto a voltar ao Porto, teve de comprar um cabrito e levá-lo até o Porto junto com o garoto, no automóvel, obviamente com as patas amarradas. Se os donos dos cabritos não quisessem vender um para acompanhar o guri até o Porto, será que o casal mudava para Pinheiro Novo?

Assim como é importante enfatizar a questão do aprendizado dos limites no processo educacional, não se pode esquecer que esse mesmo processo tem seus limites. Há fatores genéticos, ambientais, culturais, que determinam o maior ou menor alcance da educação de alguém. Mas aí, já entramos em conversa mais comprida.»


E agora eu:
Essa conversa comprida interessa-me bastante e vou continuá-la um dia destes.
Quanto ao que descreveste há duas coisas que me fazem bastante impressão:
1. O que terá acontecido ao pobre cabritinho que, com certeza, não se adaptou à vida no Porto.
2. O que vai acontecer no futuro a esse "guri" que, com cinco anos já manda nos pais.
Era fácil aos pais explicar-lhe calmamente que o cabritinho não podia sobreviver se o tirassem do local onde vivia com os outros, pois necessitava de todo aquele espaço, blá, blá, blá, e todos os argumentos que lhes ocorressem.
O miúdo era capaz de vir a choramingar todo o caminho (coisa chata, não?), mas aprendia que há limites e que não se pode ter tudo.
Se com essa idade não for ensinado a lidar com uma pequena frustração quando é que vai aprender?

23 de janeiro de 2005

IN (disciplinas)

Na minha escola aparecem muitas vezes os meus ex-alunos, para fazerem uma visita, para contar novidades ou simplesmente para não estarem sozinhos em casa.
Na sexta-feira o Daniel (agora no 5.º ano) aparece com um olho negro.
Pôs-se então a contar a história: que o R. deixou cair uma caneta e o P. a apanhou e não a quis devolver, uma vez que a tinha "achado" no chão. Palavra puxa palavra e desataram à bulha...
O Daniel meteu-se no meio para defender o amigo e levou por tabela...
Quando o P. viu a coisa mal parada para o lado dele, não esteve com meias: espetou a caneta no braço do outro!
Eu na minha inocência perguntei: "E porque não foram chamar alguém, não havia por ali uma auxiliar que vos pudesse acudir?"
O Daniel olha para mim com aqueles olhos enormes e expressivos e remata: "Ó professora, chamar a contínua? Então isto passou-se durante a aula!"
.................
O castigo da professora para a o menino que feriu o outro?
Um recado na caderneta...

Agora já sei que me vou meter em polémica, mas o blog é meu e, como diz a Caxopa, aqui quem manda sou eu!!
Não teria sido mais pedagógico este menino ter sido castigado logo ali com uma boa e eficaz palmada?
Será que isso o ia traumatizar e condenar a consultas psiquiátricas para o resto da vida?
Estas crianças há meia dúzia de meses andavam na "primária" e, posso garantir-vos, jamais se comportaram assim! Se a professora entra na sala e há uma bulha, esta cessa imediatamente, sem haver necessidade sequer de lhes chamar a atenção! Chama-se a isto respeito!
E por que motivo estas crianças perdem esse respeito pelos professores tão rapidamente? Boa pergunta, não é? Aguardo respostas...

PS: Os alunos deste caso são crianças que nunca revelaram problemas de comportamento, a não ser aquelas quezílias normais em todas as crianças, que terminam tão depressa como começaram...

21 de janeiro de 2005

Ora vamos ver quem ganhou...

Antes de dar a lista dos "vencedores", vou copiar o resto da questão.
Preparados?
Então cá vai:

Se respondeu correctamente a esta pergunta, você pensa exactamente como um psicopata. Este é um teste criado por um famoso psicologista Norte-Americano e usado para verificar se uma pessoa pensa como um assassino. Vários serial killers que foram presos realizaram o teste e responderam correctamente.
Se você não respondeu correctamente - que alívio!

Resultados do teste:
Não se comprometeram, não respondendo:
O Pedro, o mfc , a MWoman , a Azoriana e o AFlores.

Uns autênticos santinhos são:
A MRF , o "anónimo 2", o Art of Love o Yarbird, o Turista e a Fada Magrinha.

E finalmente, os verdadeiros, terríveis e perigosos psicopatas são... tchan tchan...

A Carla , a Fernanda , a Partilhas (quem te manda ser copiona??) e o "anónimo 1"!

Nota 1: Já repararam que só acertaram mulheres?? Será que são psicopatas ou apenas mais inteligentes?? :-)

Nota 2: Quando eu fiz este teste não acertei... (boazinha ou burrinha?)[Uma ressalva: eu fiz o teste oralmente, o que se torna mais difícil...]

Nota 3: O meu marido acertou (faz parte do grupo dos maus...) e ainda não me aconteceu mal nenhum...

20 de janeiro de 2005

A propósito da tomada de posse...

"Pai, porque é que tivemos que atacar o Iraque?"
"Porque eles tinham armas de destruição em massa, filho."
"Mas os inspectores não encontraram nenhuma arma de destruição em massa."
"Isso é porque os iraquianos as esconderam."
"E porque é que nós invadimos o Iraque?"
"Bom, as invasões funcionam sempre melhor que as inspecções."
"Mas depois de os termos invadido, ainda não encontramos nenhuma arma..."
"Isso porque as armas estão muito bem escondidas. Mas haveremos de encontrar alguma coisa"
"Para que é que o Iraque queria todas aquelas armas de destruição em massa?"
"Para as usar numa guerra, claro."
"Estou confuso. Se eles tinham todas essas armas e planeavam usá-las numa guerra, então porque é que não usaram nenhuma quando os atacamos?"
"Bem, obviamente não queriam que ninguém soubesse que eles tinham aquelas armas, por isso eles escolheram morrer aos milhares em vez de se defenderem."
"Isso não faz sentido. Porque é que eles haveriam de escolher morrer se tinham todas aquelas armas poderosas para lutar contra nós?"
"É uma cultura diferente. Não é necessário fazer sentido."
"Pai, não sei o que é que você acha, mas não me parece que eles tivessem quaisquer daquelas armas que o nosso governo dizia que eles tinham."
"Bem, não interessa se eles tinham ou não aquelas armas. De qualquer modo nós tínhamos outra boa razão para os invadir."
"E qual era?"
"Mesmo que o Iraque não tivesse armas de destruição em massa, Saddam Hussein era um cruel ditador, o que era outra boa razão para invadir um país."
"Porquê? O que é que um ditador cruel faz para que seja correcto invadir o seu país?"
"Bom, pelo menos uma coisa, ele torturava o seu próprio povo."
"Assim como fazem na China?"
"Não compare a China com o Iraque. A China é um bom parceiro econômico, onde milhões de pessoas trabalham por salários de miséria, em condições miseráveis, para tornar as empresas norte-americanas mais ricas."
"Então, se um país deixa que o seu povo seja explorado para o lucro das empresas americanas, é um bom país, mesmo se esse país tortura o povo?"
"Certo."
"Porque é que o povo no Iraque era torturado?"
"Por crimes políticos, principalmente, como criticar o governo. As pessoas que criticavam o governo no Iraque eram presas e torturadas."
F: Não é isso o que também acontece na China?"
"Já disse, a China é diferente.
"Qual é a diferença entre a China e o Iraque?"
"Bom, ao menos por uma coisa: o Iraque era governado pelo partido Baas, enquanto que a China é comunista."
"Você não tinha dito uma vez que os comunistas eram maus?"
"Não, só os comunistas cubanos são maus."
"Porque é que os comunistas cubanos são maus?"
"Porque as pessoas que criticam o governo em Cuba são presas e torturadas."
"Como no Iraque?"
"Exatamente."
"E como na China, também?"
"Já disse, a China é um bom parceiro econômico. Cuba, por outro lado, não é."
"Porque é que Cuba não é um bom parceiro econômico?"
"No início dos anos 60, o nosso governo fez umas leis tornando ilegal o comércio com Cuba, para que eles deixassem de ser comunistas e começassem a ser capitalistas como nós."
"Mas se nós acabássemos com essas leis, abríssemos o comércio com Cuba, e começássemos a fazer negócios com eles, isso não ajudaria os cubanos a tornarem-se capitalistas?"
"Não se faça de esperto!"
"Eu acho que não sou."
"Bom, de qualquer modo, também não há liberdade de religião em Cuba."
"Assim como na China?"
"Já disse, deixa de falar mal da China. De qualquer maneira, Saddam Hussein chegou ao poder através de um golpe militar, por isso ele não era realmente um líder legítimo."
"O que é um golpe militar?"
"É quando um general toma o poder pela força, em vez de eleições livres como nós temos nos Estados Unidos."
"O líder do Paquistão não chegou ao poder através de um golpe militar?"
"Ah, sim, foi; mas o Paquistão é nosso amigo."
"Como é que o Paquistão é nosso amigo se o seu líder é ilegítimo?"
"Eu nunca disse que o general Pervez Musharraf era ilegítimo."
"Mas você acabou de dizer que um general que chega ao poder pela força, derrubando o governo legítimo de uma nação, é um líder ilegítimo."
"Só Saddam Hussein. Pervez Musharraf é nosso amigo, porque ele nos ajudou a invadir o Afeganistão."
"E porque é que nós invadimos o Afeganistão?"
"Por causa do que eles nos fizeram no 11 de Setembro."
"O que é que o Afeganistão nos fez no 11 de Setembro?"
"Bem, em 11 de Setembro de 2001, dezenove homens, quinze dos quais da Arábia Saudita, desviaram quatro aviões e lançaram três contra edifícios, matando mais de 3000 norte-americanos."
"E onde é que o Afeganistão entra nisso tudo?"
"O Afeganistão foi onde esses homens maus foram treinados, sob o regime opressivo dos Talibãs."
"Os Talibãs não são aqueles maus radicais islâmicos que cortam as cabeças e as mãos das pessoas?"
"Sim, são esses. Não só cortavam as cabeças e as mãos das pessoas, como também oprimiam as mulheres."
"Mas o governo Bush não deu aos Talibãs mais de 40.000.000 de dólares em Maio de 2001?"
"Sim, mas esse dinheiro foi uma recompensa porque eles fizeram um bom trabalho na luta contra as drogas."
"Na luta contra as drogas?"
"Sim, os Talibãs ajudaram a impedir as pessoas de cultivarem papoulas de ópio."
"Como é que eles fizeram tão bom trabalho?"
"É simples. Se as pessoas fossem apanhadas cultivando papoulas de ópio, os Talibãs cortavam-lhes as mãos e as cabeças."
"Então, quando os Talibãs cortavam as cabeças e as mãos das pessoas que cultivavam flores, isso estava certo mas não se eles cortavam as cabeças e as mãos por outras razões?"
"Bom, nós achamos que é certo os radicais fundamentalistas islâmicos cortarem as mãos das pessoas por cultivarem flores, mas achamos cruel que eles cortem as mãos das pessoas por roubarem pão."
"Mas na Arábia Saudita eles também não cortam as mãos e as cabeças das pessoas?"
"Isso é diferente. O Afeganistão era governado por um patriarcado tirânico que oprimia as mulheres e as obrigava a usar burqas sempre que elas estivessem em público, e as que não cumprissem tal ordem eram condenadas à morte por apedrejamento."
"Mas as mulheres na Arábia Saudita não têm também que usar burqas em público?"
"Não, as mulheres sauditas simplesmente usam uma vestimenta islâmica tradicional."
"Qual é a diferença?"
"A vestimenta islâmica tradicional usada pelas mulheres sauditas é uma roupa modesta, mas em moda, que cobre todo o corpo da mulher, excepto os olhos e os dedos. A burqa das afegãs, por outro lado, é um instrumento maligno da opressão patriarcal que cobre todo o corpo da mulher, excepto os olhos e os dedos."
"Parece-me a mesma coisa com um nome diferente."
"Você não vai querer comparar o Afeganistão com a Arábia Saudita. Os sauditas são nossos amigos."
"Mas você não disse que 15 dos 19 piratas do ar do 11 de Setembro eram da Arábia Saudita?"
"Sim, mas foram treinados no Afeganistão."
"Quem é que os treinou?"
"Um homem chamado Osama Bin Laden."
"Ele era do Afeganistão?"
"Ah, não, ele era também da Arábia Saudita. Mas era um homem mau, um homem muito mau."
"Se bem me lembro, ele já tinha sido nosso amigo."
"Só quando nós o ajudamos e aos mujahadin a repelir a invasão soviética do Afeganistão, nos anos 80."
"Quem são os soviéticos? Não eram do Império do mal, comunista, que Ronald Reagan falava?"
"Já não há soviéticos. A União Soviética acabou por volta de 1990, e agora eles têm eleições e capitalismo como nós. Agora os chamamos de russos."
"Então os soviéticos, quero dizer, os russos, agora são nossos amigos?"
"Mais ou menos. Eles foram nossos amigos durante uns anos, quando deixaram de ser soviéticos, mas depois decidiram não nos apoiar na invasão do Iraque, por isso agora estamos aborrecidos com eles. Também estamos aborrecidos com os franceses e com os alemães porque eles também não nos ajudaram a invadir o Iraque."
"Então os franceses e os alemães também são maus?"
"Não completamente, mas suficientemente maus para termos mudado o nome das French Fries e das French Toasts para Freedom Fries e Freedom Toasts."
"O Iraque não foi um dos nossos amigos nos anos 80?"
"Sim, durante algum tempo".
"Saddam Hussein não era então o líder do Iraque?"
"Sim, mas nessa altura ele estava em guerra contra o Irão, o que fazia dele nosso amigo."
"Porque é que isso fez dele nosso amigo?"
"Porque naquela altura o Irão era nosso inimigo."
"Isso não foi quando ele lançou gás contra os curdos?"
"Sim, mas como ele estava em guerra contra o Irão, nós fazíamos de conta que não víamos, para lhe mostrar que éramos seus amigos."
"Então, quem lutar contra um dos nossos inimigos torna-se automaticamente nosso amigo?"
"A maior parte das vezes sim."
"E quando alguém luta contra um dos nossos amigos torna-se automaticamente nosso inimigo?"
"Às vezes isso é verdade. Porém, se as empresas americanas puderem lucrar vendendo armas para ambos os lados, ao mesmo tempo, tanto melhor."
"Porquê?"
"Porque a guerra é boa para a economia, o que significa que a guerra é boa para a América. Além disso, já que Deus está do lado da América, quem se opõe à guerra é um ateu, anti-americano, comunista. Percebes agora porque é que atacamos o Iraque?"
"Acho que sim. Nós atacamos porque era a vontade de Deus, certo?"
"Sim."
"Mas como é que nós sabíamos que Deus queria que atacássemos o Iraque?"
"Bem, Deus fala pessoalmente com George W. Bush e lhe diz o que fazer."
"Então, basicamente, você está dizendo que atacamos o Iraque porque George W. Bush ouve vozes na cabeça?"

"Isso mesmo!
Finalmente você percebeu como o mundo funciona.
Agora fecha os olhos e dorme."

(recebido via email, do Francisco)

19 de janeiro de 2005

Agora vou saber quem é de confiança!

Este é um genuíno teste psicológico.

Esta é a história de uma rapariga que estava no funeral de sua mãe, onde conhece um rapaz que nunca tinha visto antes.
Ela achou-o maravilhoso, tanto que pensou ser ele o rapaz dos seus sonhos, apaixonando-se perdidamente...
Poucos dias depois esta rapariga matou a sua própria irmã.

PERGUNTA: Qual o motivo que a levou a matar a irmã?


Agora o que têm a fazer é dar uma resposta!
Amanhã aviso quem acertou... e também qual é o prémio!

18 de janeiro de 2005

A vingança serve-se fria...

... e come-se pelas bordas!!

Hoje fui visitada na minha escola por uma comitiva de peso...
As várias personalidades vinham na comitiva da nova Vereadora da Educação [o vereador anterior teve de se demitir por causa dumas desafinações com uma Filarmonia cá do burgo] que, depois de ter assumido o cargo, resolveu fazer uma ronda por todas as escolas do concelho para se inteirar dos seus problemas.
Uma atitude que só lhe fica bem, e esperemos que do rol de reivindicações que ela levou, pelo menos algumas tenham resposta (eu para além de ingénua também sou optimista, graças a Deus).
Só da minha escola levou muito que contar!
Incluindo, claro, a história da fossa incontinente!
.......
Agora só queria ser uma mosquinha para poder ver a cara do "prejidente da junta" (que, ao contrário dos presidentes de junta de outras freguesias, não fazia parte da comitiva) quando receber um telefonema, ou mail, ou fax, ou seja lá o que for, a dizer que afinal é mesmo a JUNTA que tem de resolver o problema das fossas!
Como dizem os meus alunos... "yessssss"

Anti-stress

Se ficaram nervosos com esta história de incompetência de quem devia zelar pelos interesses públicos, façam como eu...
Uma voltinha aqui: http://fun.from.hell.pl/2003-11-24/bubblewrap.swf

Divirtam-se!

17 de janeiro de 2005

Mais telefonemas

Atendo o telefone e uma voz simpática diz "É da editora x, queria falar com a doutora Margarida".
E eu, sem me desmanchar:
"Deve ser engano! Isto é uma escola, não é um hospital"!
.................................
Mas que raio de país, só doutores e engenheiros!
Safa!

16 de janeiro de 2005

Apelo para a humanidade

Tivemos a tristeza de ver recentemente o Tsunami, causando uma grande destruição e vitimando um número inconcebível de pessoas em sete países da Ásia. Sabemos que esse tipo de facto é um acontecimento natural, porém havemos de analisar e acrescentar que a intensidade desse tsunami mostra-nos claramente que o desequilíbrio ambiental é, incontestavelmente, potencializador de forças naturais deste porte. Cabe a nós, definitivamente, uma reflexão séria sobre o assunto e buscarmos maneiras mais correctas de lidarmos com o espaço que vivemos, para que não sejamos nós os responsáveis por catástrofes desta natureza.

Nós blogueiros, propomos desde já, unirmo-nos em um alerta para a humanidade, e implantarmos cada um de nós, a nosso modo e em nosso ambiente, medidas práticas de mudanças!

É tempo de se falar abertamente. É tempo de se abordarem as questões em profundidade e não de forma restritiva. É tempo enfim, de se falar a sério sobre a questão ambiental e ecológica. Sobre a humanidade!

E com razão. É que cada vez mais se toma consciência de que o combate pela preservação, não tem fronteiras, não é regionalizável e de que a resposta ou é global ou não será resposta.

As chuvas ácidas, o efeito de estufa, a poluição dos rios e dos mares, a destruição das florestas, não têm azimute nem pátria, nem região. Ou se combatem a nível global ou ninguém se exime dos seus efeitos.

As pessoas ainda respiram. Mas por quanto tempo?

Os desertos ainda deixam que reverdejem alguns espaços estuantes de vida. Mas vão avançando sempre.

Ainda há manchas florestais não decepadas nem ardidas. Mas é cada vez mais grave o deficit florestal.

Ainda há saldos de crude por extrair, de urânio e cobre por desenterrar, de carvão e ferro para alimentar as grandes metalurgias do mundo. Mas à custa de sucessivas reduções de reservas naturais não renováveis.

Na sua singeleza, o caso é este:

Até agora temos assistido a um modelo de desenvolvimento que resolve as suas crises crescendo cada vez mais. Só que quanto mais se consome, mais apelo se faz à delapidação de recursos naturais finitos e não renováveis, o que vale por dizer que não é essa uma solução durável, mas ela mesma finita em si e no tempo que dura. Por outras palavras: é ela mesmo uma solução a prazo.

Significa isto que, ou arrepiamos caminho, ou a vida sobre a terra está condenada a durar apenas o que durar o consumo dos recursos naturais de que depende.

Não nos iludamos. A ciência não contém todas as respostas. Antes é portadora das mais dramáticas apreensões.

O que há de novo e preocupante nos dias de hoje, é um modelo de desenvolvimento meramente crescimentista – pior do que isso, cegamente crescimentista – que gasta o capital finito de preciosos recursos naturais não renováveis, que de relativamente escassos tendem a sê-lo absolutamente. E se podemos continuar a viver sem urânio, sem ferro, sem carvão e sem petróleo, não subsistiremos sem ar e sem água, para não ir além dos exemplos mais frisantes.

Daí a necessidade absoluta de uma resposta global. Tão só esta necessidade de globalização das respostas, dá-nos a real dimensão do problema e a medida das dificuldades das soluções. Lêem-se o Tratado de Roma, O Acto Único Europeu e mais recentemente as conclusões da Conferência de Quioto, do Rio de Janeiro e Joanesburgo, onde ficou bem patente a relutância dos países mais industrializados, particularmente dos Estados Unidos, em aceitar a redução do nível de emissões. Regista-se a falta de empenhamento ecológico e ambiental das comunidades internacionais e dos respectivos governos, que persistem nas teses neoliberais onde uma economia cega desumanizada e sem rosto acabará por nos conduzir para um beco sem saída.

Por outro lado todos temos sido incapazes de uma visão mais ampla e intemporal. Se houver ar puro até ao fim dos nossos dias, quem vier depois que se cuide!... e continuamos alegremente a esbanjar a água do cantil.

Será que o empresário que projectou a fábrica está psicológica ou culturalmente preparado para aceitar sem sofismas nem reservas as conclusões de uma avaliação séria do respectivo impacto ambiental?
Mesmo sem sacrificar os padrões de crescimento perverso a que temos ligados os nossos hábitos, há medidas a tomar que não se tomam, como por exemplo:

  • Levar até ao limite do seu relativo potencial o uso da energia solar e da energia eólica.
  • Levar até ao limite a preferência da energia hidráulica sobre a energia térmica.
  • Regressar à preferência dos adubos orgânicos sobre os adubos químicos.
  • Corrigir o excessivo uso dos pesticidas.
  • Travar enquanto é tempo a fúria do descartável, da embalagem de plástico, dos artigos de intencional duração.
  • Regressar ao domínio do transporte ferroviário sobre o rodoviário.
  • Repensar a dimensão irracional do transporte urbano em geral e do automóvel em particular.
  • Repensar, aliás, a loucura em que se está tornando o próprio fenómeno do urbanismo.
  • Reformular a concepção das cidades e das orlas costeiras


  • Dito de outro modo: a moda política tende a ser, um constante apelo às terapêuticas de crescimento pelo crescimento. È tarde demais para desconhecermos que, quando a produção cresce, as reservas naturais diminuem.

    Há porém um fenómeno que nem sempre se associa ás preocupações da humanidade. Refiro-me à explosão demográfica.

    Com mais ou menos rigor matemático, é sabido que a população cresce em progressão geométrica e os alimentos em progressão aritmética. Assim, em menos de meio século, a população do globo cresceu duas vezes e meia !...
    Nos últimos dez anos, crescemos mil milhões!... Sem grande esforço mental, compreendemos aonde nos levará esta situação.

    Se é de um homem mais sensato e responsável que se precisa, um homem que olhe amorosamente para este belo planeta que recebeu em excelentes condições de conservação e está metodicamente destruindo; de um homem que jure a si mesmo em cadeia com os seus semelhantes, fazer o que for preciso para que o ar permaneça respirável, que a água seja instrumento de vida e dela portadora, e os equilíbrios naturais retomem o ciclo da auto sustentação, empenhemo-nos desde já nessa tarefa, com persistência e determinação.

    Se é a continuação da vida sobre a terra que está em causa, e em segunda linha a qualidade de vida, para quê perder mais tempo?...

    Por isso apelamos a todos quantos se queiram associar a este movimento pela preservação Natureza, pela Paz e pelo desenvolvimento harmonioso da Humanidade, para subscreverem este Apelo.

    Ao fazê-lo estamos a afirmar a nossa cidadania, enquanto pessoas livres, que olham com preocupação o futuro da Humanidade, o futuro dos nossos filhos!





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    12 de janeiro de 2005

    "Eu é que xou o Prajidente da Junta"

    Se a teoria das minhas amigas comentadoras (priminha incluída) de que o meu estado de "boa condutora" se devia ao stress, então hoje eu tinha morrido esturricadinha!!

    É que hoje o meu stress atingiu o nível 9 (na minha escala de 1 a 10) e, afinal, só apanhei um pequeno choque há bocado na televisão...

    Eu conto do início: estava na escola, o telefone tocou e fui muito normalmente atender.
    Era um senhor que desatou a chamar-me burra!!
    Ele não disse "burra" pois é um homem muito culto.
    Disse: "ai não sabia? não diga que não sabia, pois vou ter de lhe chamar o nome adequado"... e por aí fora sempre neste tom...
    E o que mais me chateia é que ele tem razão: eu sou mesmo BURRA, pois se o não fosse tinha-lhe desligado o telefone nas trombas...

    E que deveria afinal eu saber??
    Eu conto mais: em meados de Dezembro uma fossa da escola entupiu e começou a deitar fora. Avisei os serviços municipalizados que me disseram não ser nada com eles uma vez que o problema era dentro do recinto da escola.
    Vai daí, avisei a Junta. Que sim senhor, iam tratar do caso, responde a funcionária.
    E pronto, assunto resolvido! (pensava eu!)
    Mas não: a fossa começou novamente a verter, a minha colega da parte da manhã telefonou hoje para a Junta (onde lhe disseram que iam resolver o problema!) e à tarde telefona-me este senhor a dizer que eu tinha obrigação de saber que era à Câmara que devia ter pedido ajuda e não à Junta!
    O senhor até teve a amabilidade de me dizer que estava em Lisboa e a telefonar de propósito... (percebem a ligação?? Eu não!)
    Cá para mim ele foi a Lisboa apresentar reclamação no livro "laranja" do PSD por não o terem, desta vez, incluído nas listas e, desta maneira ter perdido o seu "tacho" de deputado...

    Este é daqueles que já teria sido expulso se a tal teoria a que o Cavaco se refere funcionasse para os políticos.
    Afinal ele é que é o "Prajidente da Junta".

    11 de janeiro de 2005

    Duas novidades e uma dúvida

    Primeira novidade:
    Sou uma boa condutora!
    Aliás, posso dizer sem exagero que sou uma excelente condutora: só hoje apanhei três "esticões" a mexer nas coisas mais triviais como: o meu carro, depois a máquina de lavar e, finalmente, no microondas!

    Segunda novidade:
    A propósito daquele abaixo assinado que enviei para toda a gente acerca dos "gatinhos Bonsai" recebi esta resposta do Pedro, que é um rapaz muito informado:

    Olá !
    Esteja sossegada, que esta notícia é, como se diz neste meio, um "wax", ou seja, é um boato electrónico. Os gatinhos estão a salvo. :)
    Se não estou em erro, aquilo é um projecto de um estudante, mas no qual não foram usados gatinhos a sério ! :)
    Tadinhos dos bichos ! :)

    E finalmente... A dúvida!
    É possível um ministro demitir-se dum governo demitido??

    10 de janeiro de 2005

    Tsunami de incompetências

    "O que faríamos nós se uma tragédia como a da Ásia acontecesse em Portugal" ?
    Mais coisa menos coisa, era esta a pergunta inteligente do "Prós e Contras" de hoje.
    Mas que raio de pergunta!!
    O que faríamos?
    Quem, numa altura dessas, estiver no mar ou lá perto, morre como os outros todos morreram. Quem estiver bem afastado é capaz de escapar...

    Não seria melhor perguntar "O que poderemos fazer daqui para a frente para, no caso de um terramoto ou de um tsunami, haver o menor número possível de vítimas"?
    E a esta até eu sei responder, apesar de não ter sido convidada a participar no programa:
    É simples: não deixar construir em cima do mar seria a primeira medida acertada!
    A Costa Nova e a Barra têm casas até em cima da praia!
    Além de horrívelmente inestético é também altamente perigoso.
    Houve pessoas que construíram ou compraram os seus apartamentos há uns anos na Costa Nova convencidas que iam ter vista para o mar.
    Era o que se falava na altura e seria o mais correcto: as casas estavam afastadas da praia dando possibilidade de fazer ainda uma boa marginal, com uma estrada larga, pistas para peões e para ciclistas e estacionamentos.
    Mas sabem o que aconteceu??
    À frente dessas casas acabaram por construir ainda mais duas (e nalguns locais três) filas de casas! Isto tudo com a benção da Câmara de Ílhavo pois eu não acredito que tantos prédios sejam clandestinos.
    E lugar para passear, de bicicleta, de carro ou a pé? Não há!
    Há uma estrada fraca que serve para tudo em simultâneo e que transforma a marginal num verdadeiro caos, principalmente no Verão...
    ...
    Um verdadeiro tsunami de incompetência, de laxismo e de enchimento-de-bolsos-a-alguém varreu a costa do nosso país. Nenhuma praia se salvou!

    9 de janeiro de 2005

    Recadinhos...

    • No Contra Informação a notícia: as listas do PSD andam da maneira que andam porque estão a ser feitas pela mesma empresa que fez as colocações dos professores! (e para mim o Contra é mais credível que qualquer noticiário...)

    • Na novela "Senhora do Destino" Nuno Melo faz o papel do "portuga" Constantino, o taxista. Tanto o personagem como o actor dão uma má imagem dos portugueses. Deprimente!

    • Porque será que, mesmo depois de ter terminado a aberração da "quinta" o Herman José insiste no (pior ainda, se possível) "Quintal dos Ranhosos"? Porque será que o nosso melhor humorista precisa destas rasquices? Falta de inspiração? Ou mudança de gosto?

    • E agora um pedido: quando comentarem no meu blog, por favor deixem contacto (mail ou nome do blog). Não há nada mais triste do que fazerem-nos uma pergunta e não sabermos como responder...

    7 de janeiro de 2005

    Solidariedade(s)

    Hoje a RTP dedicou todo o dia à solidariedade para com os povos atingidos pelo maremoto e pelo tsunami.
    Ao serão lá telefonei mais umas vezes para o número que eles indicavam. Só há uns minutos atrás reparei que, por cada chamada de 60 cêntimos que reverterão a favor das instituições escolhidas, vou também "dar" ao governo o IVA correspondente! Fiz a conta e deu-me 0,114 € por cada telefonema!
    Não sei ao certo que quantia representaram as chamadas telefónicas, mas creio que ficaram na casa das centenas de milhar de euros...
    Eu, como ingénua que sou (pelo menos já me chamaram isso...), estou à espera que apareça alguém do governo a dizer que o dinheiro que receberem de IVA também reverterá a favor das vítimas!

    4 de janeiro de 2005

    Vidas diferentes

    A Francelina foi minha aluna há cerca de 5 anos, teria uns 11 ou 12 anos. Depois de aprender a ler "desapareceu" da escola.
    Hoje, quando eu ia a sair, estava ela ao portão toda sorridente. Tinha vindo à loja e resolveu visitar-me.
    Perguntei-lhe como lhe corria a vida. "Bem" , disse ela.
    "E então, já casaste?"
    Respondeu que sim, já casou há dois anos e até já tem um bebé com mais de um ano...
    "E sempre te casaste com aquele namorado de quem não gostavas?"
    (No tempo em que ela foi minha aluna estava "prometida" a um rapaz de quem ela dizia não gostar. Eu dizia-lhe "se não gostas dele não cases, faz uma birra!" Uma vez até falei com a mãe acerca da tristeza dela, mas a mãe disse nada poder fazer uma vez que ela já lhe estava prometida e, pelas leis dos ciganos, não podiam quebrar esses acordos).
    "Não! Casei com outro!"
    "Então como fizeste isso?"
    "Ora, fugi com ele e depois obrigaram-nos a casar"

    "E que faz ele?"
    E ela, muito naturalmente: "está preso por causa da droga"
    "E então mulher, como se sustentam tu e o teu filho?"
    "A minha mãe e a minha tia ajudam."

    Assim, tudo simples, sem dramas e sem perder aquele sorriso lindíssimo que ainda mantém.

    Estava um frio de rachar e eu despedi-me pedindo-lhe para voltar outro dia com o bebé e dizendo "Vou andando, ainda tenho de ir fazer o jantar"
    "Fazer o jantar? Estiveste uma tarde inteira a trabalhar, não estás cansada?"
    "Lá isso estou, mas tenho de jantar na mesma!"

    "E o teu marido onde está?", indaga ela.
    E eu "também está a trabalhar..."
    "Ahh!"
    ....
    E não é que a Francelina fica a olhar para mim com ar de pena????

    3 de janeiro de 2005

    Escolha impossível

    Hoje, primeiro dia de escola depois das férias, era inevitável falar com as crianças acerca da tragédia na Ásia, mostrar-lhes no mapa onde ficam esses países, ouvir as opiniões deles...

    A Rita tem 7 anos.
    A certa altura da conversa ela diz: "Tu viste aquela mulher que largou um filho para salvar o outro?
    Eu acho que ela devia ter agarrado os dois filhos e assim ou morriam os três ou salvavam-se os três."

    Assim, sem tirar nem pôr!

    E eu fiquei palerma a olhar para ela, pois a imagem que mais me marcou de toda esta tragédia foi precisamente a do tal filho "não escolhido" a soluçar convulsivamente agarrado a um peluche.
    E eu nunca tinha tido a coragem, em todos estes dias, de comentar com alguém, nem sequer cá em casa, que eu sempre pensei como a Rita: uma mãe não pode escolher um filho!

    2 de janeiro de 2005

    Primeiro de Janeiro!

    Inesperadamente (como eu gosto, aliás) cá em casa resolvemos ir passar o ano à Figueira da Foz. Não foi por nada de especial, apenas por ser a terra mais perto de Aveiro com festa ao ar livre!
    Por volta das 20 horas já os restaurantes estavam cheios e tivemos de estar numa bicha para entrar na Pizza Hut!! (Ó Acontecencias, não te chateies mas na minha terra diz-se "bicha" e não fila!).
    Quando finalmente conseguimos mesa, jantámos muito bem instalados com vista para os "tios" e "tias" que entravam no Casino, cheios de casacos de peles (blhaaaac!!). E também fiquei satisfeita por verificar que ainda não tenho idade para entrar em sítios daqueles!

    casino.jpg

    Vista do Casino

    À meia-noite o fogo de artifício foi lindo!
    Já o mesmo não se pode dizer da banda brasileira, nem do comportamento de muita gente! Havia crianças a dançar num chão cheio de vidros das garrafas que iam partindo... Será tradição deitar as garrafas vazias para o chão? Que grunhos!!

    algodao.jpg
    A primeira gulodice de 2005, mmmm

    E agora vou deixar aqui um recadinho ao "meu" Presidente de Câmara:
    Na Figueira da Foz estavam milhares de pessoas que encheram restaurantes, cafés e hotéis.
    Em Aveiro há condições excelentes para fazer uma festa do género... Então porque não se faz?
    O que se vai ganhar com o turismo não dará para pagar a festa e até para tirar lucro? Ou são os presidentes de tantas câmaras por este país fora que são masoquistas? Ou será porque nos outros municípios não se gastaram milhões em estádios gigantescos para ficarem às moscas?
    A miséria é tanta que, quando chegei a Aveiro, por volta das duas da manhã, nem as luzes de Natal estavam acesas...
    O povo de Aveiro merecia um bocadinho mais, acho eu, não sei...