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3 de março de 2008

O mundo ao contrário



- Dona Fernanda, então por aqui? Agora me lembro, ainda não lhe dei os parabéns pelo seu homem. Vi-o no concurso da televisão. Que honra! Muitos parabéns! Fiquei orgulhosa como se fosse meu!

- É verdade, dona Cátia. Estamos muito contentes. Foi muito bom, até para compensar a desgraça da minha irmã. Não sabe? Imagine que o marido dela é administrador de um banco.

- Não me diga! Que vergonha! Mas qual? Daquele criminoso, o BCP?

- Olhe nem sei bem. Mas aquilo é tudo a mesma gente. Coitada da minha irmã, anda muito ralada! Felizmente que o amante está muito bem. Era segurança num bar, mas agora conseguiu ficar dado como deficiente por causa de uma sova que levou e o subsídio é excelente.

- Ainda bem! Que sorte! Olhe, essa sorte não tenho eu. Ando muito preocupada com o meu sobrinho. Não, não é com o homossexual. Não, esse está óptimo. Foi ao estrangeiro casar com o amigo e agora até estão a pensar adoptar uma criança por lá. O que me preocupa é o outro, o Zé.
Tem um restaurante, imagine. Um restaurante de luxo.

- Ai, coitado! Em que se havia de meter! E tem tido muitas queixas?

- Pois. Calcule que nem sequer usava sabão líquido nas casas de banho e os exaustores são de baixa extracção. Estou com medo que mais cedo ou mais tarde acabe na cadeia, pobrezinho!

- Compreendo, compreendo. As ralações que temos! E então o que é que a traz por cá? Eu vou agora ali à direcção da escola queixar-me. Veja lá que a minha filha me disse que lá na escola não há máquinas de distribuição de preservativos na casa de banho das raparigas. Só na dos rapazes. Não é uma vergonha?

- Um escândalo. Depois se há problemas a culpa é dos pequenos! Eu também tenho de lá ir mas, infelizmente, é derivado ao comportamento do meu Ronaldinho.

- Não me diga que ainda é por causa da gravidez?

- Não, que ideia. Isso está tudo resolvido. Eles os dois trataram a questão com muito bom senso. Nem pareciam ter 13 anos! O aborto correu muito bem e o meu rapaz até já arranjou outra namorada bastante mais velha. Não, o que me preocupa é aquele grupo com que ele anda.

- Qual? A banda de rock satânico? Oh, minha amiga não se apoquente com isso. Nós lá em casa até dissemos ao nosso rapaz para criar uma. Antes isso que andar pelos ATL da paróquia com aqueles beatos a meter patranhas na cabeças dos miúdos. Na banda é muito mais seguro e saudável. Não só é artístico, como abre horizontes e um dia, quem sabe... Olhe, não me preocuparia nada com isso.

- Não, não é isso. Nós também estamos muito satisfeitos por ele andar com a banda. É um excelente meio de educação. Ao princípio ainda me chocavam um bocado as letras das canções, a falar de suicídio e sangue, mas agora até acho graça. Rapazes são rapazes, não é? Não, é muito pior. Ele também anda metido em coisas mesmo graves com aquele outro grupo clandestino. Já ouviu falar, não? Aquele grupo de fumadores que no outro dia até apareceu no jornal por um deles fumar dentro do metro.

- Que horror! O seu filho fuma? Mas isso faz imenso mal à saúde e polui o ambiente. Então ele não pensa no aquecimento global? Esta juventude está perdida!

- Eu sei, eu sei! Tentámos tudo para o afastar do vício, mas nada. O meu marido até quis ver se o interessava em blogs pornográficos, chats neonazis e outras coisas que fossem também um bocadinho subversivas e clandestinas mas não fizessem tanto mal. Mas nada! Ele não larga o cigarro! A culpa é do meu homem e eu já lhe disse. Imagine que quando o miúdo era pequeno lhe dava pistolas e outros brinquedos de violência. Claro que tinha de ter esta consequência, não era?

- Que horror! Imagino como anda apoquentada. E nos estudos, que tal anda ele? Os meus antigamente era um castigo. Davam muitos erros de ortografia mas isso agora, com este novo programa para o insucesso escolar, deixou de criar problemas porque já não conta. E, mesmo na Matemática, o que interessa é a criatividade dos miúdos.
Se os professores explicam mal que culpa têm os pequenos?

- Eu digo o mesmo. Se eles depois acabam todos no desemprego, ao menos gozem a juventude.


João César das Neves

26 de fevereiro de 2008

"Mais uns pós do contra"

Hoje li em muitos blogs impressões sobre o programa de ontem.

Tudo muito, muito sério...

Mas, nestas coisas, nada como rir, rir bastante é o que nos resta e nos ajuda a manter a sanidade mental.
Vai daí, não resisti a copiar na íntegra o post do José António, o melhor que eu li sobre o assunto (e li bastantes...)

O Rapaz - Disse o que lhe vai na alma. Com o tempo perceberá que a sinceridade, mesmo debaixo dos lençóis, nem sempre se recomenda.

O Velho - Sabe muito disto. São muitos anos de experiência qualificada. Percebe-se que não toma o Mundo a preto e branco. Para ele, os professores e a Ministra são uma gota de água no agitado oceano da globalização.

O Burro - O burro fui eu, que perdi horas da minha vida a "ouver" mais do mesmo.

E o Povo - O povo, personificado no senhor da Confap, diverte-se e, quer o burro carregue o rapaz, quer carregue o velho, acha sempre que o animal está mal tratado.
E não precisa falar muito que os políticos encarregam-se de contar as cabeças; a cada uma corresponde um voto. Como diria o desaparecido: É uma questão de fazer as contas.
No povo também cabe a jornalista que, caso o burro se porte mal, resolve de modo fácil: "Por amor de Deus! Se voltam a bater palmas chamo os seguranças e ponho-vos daqui para fora!"

Lol!

Olha que bela ideia...

9 de fevereiro de 2008

Voltaire preferia a monarquia à democracia; na primeira basta educar um homem, na segunda há necessidade de educar milhões - e o coveiro leva-os a todos antes que dez por cento concluam o curso. Raro percebemos as partidas que a limitação da natalidade prega aos nossos argumentos.
A minoria que consegue educar-se reduz o tamanho da família; a maioria sem tempo para se educar procria com abundância; quase todos os componentes das novas gerações provêm de famílias cujas rendas não permitiram a educação da prole.
Daí a perpétua futilidade do liberalismo político; a propagação da inteligência não está em compasso com a propagação dos ignorantes. Daí ainda a decadência do protestantismo; uma religião, do mesmo modo que um povo, não vinga em consequência das guerras que vence, senão que dos filhos que gera.

Will Durant, in "Filosofia da Vida"

3 de novembro de 2007

O põe ma do corretor horto gráfico


Tenho um corretor horto gráfico,
Nu meu computa dor a trabalhar.
Com fio nele, ver e fica sem pré
O diz para te que não com sigo em contar.


Reli este põe ma de pio a navio
E de certo vão gostar de sabor
Esta coreto horto gráfica mente
A sim a testa o meu corretor.


A Bell descobriu - e confirmou - que afinal não podemos confiar no corrector ortográfico.
Mas haverá quem confie??

26 de outubro de 2007

Obesidade? O que é isso?

Aluno - Dona A., venda-me aí uma sopa se faz favor...
Dona A. - O menino não sabe que agora não se pode vender sopa. Ou compra a senha para o almoço ou não há ordem para vender só sopa.


Aluno - Então porquê?

Dona A. - São ordens! dizem que saiu uma Lei... ou uma Portaria...

Dona M. - Saiu, saiu... Uma Lei da Portaria... É a das sopas!

Aluno - EH...! Espere aí... olhe... e pode vender aí uma fatia de salame e um leite com chocolate.

Dona A. - É só uma fatia?

Aluno - Sim... diz que há um problema com a obesidade aqui na escola, vieram cá médicos e tudo...

Dona A. - Quer o leitinho aquecido?

Aluno - Deixe estar...está bem assim.

(roubado ao José António.
Na escola dele é assim...
Nas outras não sei, mas vou saber!)

25 de agosto de 2007

Quando falta a inspiração...

(... copiam-se as ideias dos outros! Roubadas sim, que eu não sou menos que aquele senhor de Gaia que quer ser presidente de um partido).
Sobre dois assuntos que foram notícia esta semana, roubei as opiniões muito interessantes de duas bloguistas.

Directamente da Didas acerca daquela história dos meninos que, tão ecologistas tadinhos, andaram a destruir propriedade alheia:

«Cinco aéreos em como aquele putos que lixaram a plantação de milho transgénico ao homem, quando estão em casa dos papás em regime de pensão completa, a ver televisão ou a dizer palermices aos outros meninos ecologistas no messenger, se vão empanturrando com embalagens de tirinhas de milho made in U.S.A. que exigem aos progenitores nas suas visitas aos hipermercados.»

No Consultório da Maria roubei esta interessante ideia acerca dos empréstimos para tirar cursos superiores:

«"Governo financia empréstimos para licenciaturas, mestrados e doutoramentos"...
Pronto, está bem. Acho querido. Fofinho, até.
Portanto, face ao número absurdo de recém-licenciados (e não tão recém...) no desemprego ou a exercer funções que nada têm a ver com a sua formação, o governo lembra-se de financiar licenciaturas? Concordo coma igualdade de oportunidades, mas se um curso hoje em dia não garante uma vida mais estável, qual é a ideia? Se calhar, valia mais criar postos de emprego, tão apregoados antes de todas as eleições, em vez de acenar com ilusões a mais uma caterva de putos cheios de sonhos.
Em vez de financiar licenciaturas e mestrados e mais não sei o quê, valia mais que pagassem bilhetes de avião para um país como deve ser.»


(Só que, ao contrário do tal senhor, eu não me esqueci de mencionar o nome das autoras...)

19 de julho de 2007

Oi!!


Roubei ao Santos Passos esta hilariante história que, segundo ele, aconteceu no Brasil quando da abertura dos jogos Pan-americanos.

Ora leiam esta delícia:


Mas a melhor, de longe, dessa Abertura, foi a ocorrida no início do discurso do mexicano presidente de alguma coisa pan-americana esportiva.
O cidadão, simpaticamente, começou sua fala cumprimentando o público em português:
- Boa noite a todos (ou algo do gênero).
Em seguida, propôs-se a iniciar um discurso em espanhol.
A arenga começava assim:
- Hoje, bla bla bla etc etc.
Em espanhol, isso fica assim:
- Hoy, bla bla bla etc etc.
Tendo o pobre mexicano iniciado com um sonoro

- Hoy,
ouviu o estádio do Maracanã – em peso – retribuir:
- Ooooiii!

Pra mim, essa vale medalha.

23 de maio de 2007

Tenham medo, tenham muito medo!

Depois daquela história que se passou na DREN, já há para aí muito boa gente borradinha de medo!!

Como este senhor:


(uf, ainda bem que eu também não sei desenhar!!)

12 de maio de 2007

As crianças, esses seres perigosos ...

(foto da net)
Estava Miguel Sousa Tavares na TVI a comentar a nova Lei do Tabaco quando da sua boca saltou esta pérola:

"o fumo nos restaurantes, que o Governo quer limitar, incomoda muitíssimo menos do que o barulho das crianças - e a estas não há quem lhes corte o pio."

Que bela comparação.
Afinal, o que é uma nuvenzinha de nicotina ao pé de um miúdo de goela aberta?
Vai daí, para justificar a fineza do seu raciocínio, Sousa Tavares avançou para uma confissão pessoal:

"Tive a sorte de os meus pais só me levarem a um restaurante quando tinha 13 anos."

Há umas décadas, era mais ou menos a idade em que o pai levava o menino ao prostíbulo para perder a virgindade.
O Miguel teve uma educação moderna - aos 13 anos, levaram-no pela primeira vez a comer fora.
Senti-me tocado e fiz uma revisão de vida.
É que eu sou daqueles que levam os filhos aos restaurantes.
Mais do que isso. Sou daquela classe que Miguel Sousa Tavares considerou a mais ameaçadora e aberrante: os que levam "até bebés de carrinho!"
A minha filha de três anos já infectou estabelecimentos um pouco por todo o país, e o meu filho de 14 meses babou-se por cima de duas ou três toalhas respeitáveis.
É certo que eles não pertencem à categoria CSI (Criancinhas Simplesmente Insuportáveis), já que assim de repente não me parece que tenham por hábito exibir a glote cada vez que comem fora - mas, também, quem é que acredita nas palavras de um pai?
E depois, há todo aquele vasto campo de imponderáveis: antes de os termos, estamos certos de que vão ser CEE (Crianças Exemplarmente Educadas), mas depois saltam cá para fora, começam a crescer e percebemos com tristeza que vêm munidos devontade própria, que nem sempre somos capazes de controlar.
O que fazer, então?
Mantê-los fechados em casa?
Acorrentá-los a uma perna do sofá?
É uma hipótese, mas mesmo essa é só para quem pode.
Na verdade, do alto da sua burguesia endinheirada, e sem certamente se aperceber disso, Miguel Sousa Tavares produziu o comentário mais snobe do ano.
Porque, das duas uma, ou os seus pais estiveram 13 anos sem comer fora, num admirável sacrifício pelo bem-estar do próximo, ou então tinham alguém em casa ou na família para lhes tomar conta dos filhinhos quando saíam para a patuscada.
E isso, caro Miguel, não é boa educação - é privilégio de classe.
Muita gente leva consigo a prole para um restaurante porque, para além do desejo de estar em família, pura e simplesmente não tem ninguém que cuide dos filhos enquanto palita os dentes.
Avós à mão e boas empregadas não calham a todos.
A não ser que, em nome do supremo amor às boas maneiras, se faça como os paizinhos da pequena Madeleine: deixá-la em casa a dormir com os irmãos, que é para não incomodar o jantar.

João Miguel Tavares
Jornalista

23 de março de 2007

Os verdadeiros culpados!

«Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou o ensino é (sem querer apontar dedos) dos professores.
Só pode ser deles, aliás.
Os alunos estão lá a contragosto, por isso não contam.
O ministério muda quase todos os anos, por isso conta ainda menos.
Os únicos que se mantêm tempo suficiente no sistema são os professores.
Pelo menos os que vão conseguindo escapar com vida.»

Ricardo Araújo Pereira
Visão

9 de março de 2007

:S


Roubado à Emiele, acerca do actual governo:

"Parece-me que estes senhores (...) reúnem as condições para a rescisão do contrato.
A mim parece-me que já passaram dois anos, e segundo as novas regras não bastam dois anos de classificação negativa para se ir para a rua?"

7 de março de 2007

Dão-se pontos!

Aos colegas candidatos a "titular-de-quê?":

A setôra tem pontos para dar a quem deles precisar para ascender ao grupo dos professores de primeira titulares.
Já começaram a esfregar os olhos e nem acreditam no que estão a ler?

Então comprovem aqui, neste excelente blog que eu hoje "achei"!
Não é o máximo?

5 de março de 2007

Criancinhas

A criancinha quer Playstation.
A gente dá.

A criancinha quer estrangular o gato.
A gente deixa.

A criancinha berra porque não quer comer a sopa.
A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.

A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas.
A gente olha para o lado e ela incha.

A criancinha quer camisola adidas e ténis nike.
A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.

A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde.
A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.

A criancinha desata num berreiro no restaurante.
A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce.
Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária.
E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda.
Às vezes passa de ano, outras nem por isso.
Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás.
Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto.
Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal.
A rebeldia é de trazer por casa.
Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo.
A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada.
Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.
Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora.
Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».
A criancinha cresce.
Cresce e cresce.
Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles.
Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?
Pois não, bem sei.
Estou apenas a antecipar-me.
Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo.
E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.
Miguel Carvalho, Visão Online

24 de fevereiro de 2007

Por que corremos?

O José Correia, enviou-me este texto como sendo da autoria do jornalista João Pereira Coutinho.
Seja quem for o autor, o texto está muito bem escrito e concordo plenamente com (quase) tudo o que lá é dito.
Quase... porque eu tenho filhos e penso que eles, os meus e os outros todos, um dia hão-de mudar isto!
E também porque, se todos pensássemos como o autor do texto, os problemas acabariam porque acabaria a humanidade...

«Não tenho filhos e tremo só de pensar.
Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades.
Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas.
Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos.
Percebo porquê.
Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar.
Hoje, não.
A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis.
E um exército de professores explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente mas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac.
É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos.
A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade.
O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!»

23 de setembro de 2004

Ministério da Educação

Querem saber como está o ambiente no Ministério da Educação?
É só clicar AQUI!
Estamos feitos! (um eufemismo para quem, como eu, não diz palavrões!!)

17 de setembro de 2004

Desejos em promoção

Após uns dias de ausência devido às habilidades do SAPO, a FadaMagrinha voltou em força...
Transcrevo o post dela. Depois é só irem à Varinha Mágica e escolherem um desejo!!
Boas escolhas!!

«Comprei uma varinha nova e além disso a lista de “desejos” abaixo indicada está em promoção: (peça um e leve com três!)

- Uma reforma de 18 mil euros a começar já amanhã (é rápido);
- Um bilhete para acompanhar o nosso 1º ao próximo concerto da Madonna;
- Uma surra em todos os incompetentes que habitam na DGRHE e respectivo ministério;
- Uma explicação sucinta do que é uma “RECLAMAÇÃO HIERÁRQUICA” ao mísero docente;
- Isenção da Taxa Moderadora, numa qualquer intervenção cirúrgica, num hospital público, que se deverá realizar lá para meados de 2200.
- Aumento do salário “minúsculo” nacional em dois cêntimos (apenas se aplica a agregados familiares com mais de 15 filhos);
- Oferta de emprego como Assessor de Ministro (requisitos mínimos: Loura, vinte e poucos anos, olhos azuis) salário de 3500 euros mensais.
- Todas as anteriores, com excepção da primeira...pensam que sou rica não???! (A segunda pode ser, desde que ele pague!?)
Por hoje é tudo...espero que os vosso desejos se realizem.

Atenciosamente, a Fada.....magrinha»

10 de setembro de 2004

Filhota defende mamãe

Pela primeira vez, resolvi publicar aqui um comentário... Claro que não tem nada a ver com o facto da autora ser a minha filhota que, FINALMENTE, resolveu fazer uma visita comentada ao blog de mamãe!!
_______________________

Eu, supostamente, estou aqui para defender a minha mãe!!!
Mas já não sei se o devo fazer...

Para lhe dar a minha palavra de alento, tive de ler todos os artigos da Sra Salta-pocinhas até meio de Agosto, à procura do artigo-polémica. E só depois de perguntar 1000 vezes "o que raio se passa com o meu computador que não me mostra o blog inteiro?" é que cheguei à conclusão de que havia uma possibilidade do tal artigo estar no outro blog!

OK! Lá cheguei a este blog!
Foram 10 minutos para descobrir onde é que clicava para escrever o comentário... e, quando descobri, apareceu-me um quadrado a dizer "SIGN IN"!!!
Como não podia "sign in" porque não estava inscrita, lá tive de me inscrever e... adivinhem!!! ... agora tenho um blog!!!! Chama-se Ácido Cítrico... mas o endereço teve de ficar como Citrato, por motivos que ultrapassam o meu entendimento!

Eu só queria defender a minha mãezinha, e agora tenho um blog! Não se faz!

Relativamente à Salta Pocinhas, na altura em que o POVO PORTUGUÊS teve a oportunidade de fazer alguma coisa relativamente à lei absurda do aborto, ela fez! Levantou-se cedo da cama e foi votar no dito referendo ... coisa que 50% das pessoas não fez (e, talvez, algumas delas estejam agora em manifestações!).

Relativamente ao Sr. Portas, ele lá deve ter os seus motivos... só é difícil entender quais...

Mas ele não é mau de todo para o país:
Até pôs os polícias a andarem de calções nas praias... claro que, para isto, ele também lá deve ter tido os seus motivos!

Citrika

20 de abril de 2004

AQUELA LUZ


Que é feito da luz que brilhava
dentro de ti
fervor íntimo e secreto
voo de ave iminente
onda a formar-se no mar

Que é feito dessa luz que desfiava
as sombras
e iluminava o sorriso
e lançava reflexos irisados
no teu olhar

Que ventos de tempestade a extinguiram
que neblinas
pesadelos
que sombras asfixiaram
essa luz

Olho o teu rosto apagado
já nem os sonhos brilham
no teu olhar opaco
Como se perdeu a luz que brilhava
dentro de ti?

Paula Margarida Pinho, 2003

25 de fevereiro de 2004

Fábula da fábula

Era uma vez
Fábula famosa
Alimentícia
E moralizadora,
Que, em verso e prosa,
Toda a gente
Inteligente
Prudente
E sabedora
Repetia
Aos filhos,
Aos netos
E aos bisnetos.
À base de uns insectos,
De que não vale a pena fixar o nome,
A fábula garantia
Que quem cantava
Morria
De fome.
E realmente...
Simplesmente,
Enquanto a fábula cantava,
Um demónio secreto segredava
Ao ouvido secreto
De cada criatura
Que quem não cantava
Morria de fartura.

Miguel Torga

Lobo Solitário

Lobo Solitário by Jodi Picoult My rating: 4 of 5 stars View all my reviews