29 de fevereiro de 2012

Crónica de D. Fernando, Fernão Lopes

Dedico este belo texto ( e de facílima compreensão) a todos os que são contra o acordo ortográfico, mas principalmente ao senhor Secretário de Estado da Cultura e também a Vasco Graça Moura e a Miguel Sousa Tavares. Se todos fôssemos patriotas como eles, e não uns vendidos aos brasileiros e a outros que tais, seria assim que escreveríamos...  

Como elRei Dom Fernamdo reçebeo de praça Dona Lionor por molher, e foi chamada Rainha de Portugal. 

Andou elRei per seu reino folgamdo, tragemdo comsigo Dona Lionor ataa que chegou antre Doiro e Minho a huum moesteiro que chamam Leça, que he da hordem do espital, e alli determinou elRei de a receber de praça; e em huum dia pera isto assiinado, foi a todos preposto por sua parte dizemdo em esta guisa. «Amigos, bem sabees como a hordem do casamento he huum dos nobres sacramentos, que Deos em este mundo hordenou, pera nom soomente os Reis, mas aimda os outros homeens, viverem em estado de salvaçom, e os Reis averem per lidema linhagem quem depos elles soçeda o reiino, e regimento real que lhe Deos deu; porende elRei nosso senhor querendo viver em este estado, segumdo a el perteeçe, e comsiiramdo como a mui nobre Dona Lionor, filha de Dom Martim Affonsso Tello, e de Dona Aldomça de Vascomçellos, deçemde da linhagem dos Reis, des i como todollos gramdes e moores fidallgos destes reinos tem com ella gramde divedo de paremtesco, os quaaes reçebendo delRei homrra, como he aguisado sejam por ello mais theu dos de o ajudar a defemder a terra; e oolhamdo outro si como a dita Dona Lionor he molher mui comvinhavel pera elle, por as razoões sobre ditas: tem trautado com ella seu casamento, e poremde a quer reçeber de praça per pallavras de presemte, como manda a samta egreja; e lhe emtemde de dar taaes villas e logares de seu senhorio, por que ella possa manteer homrroso estado de Rainha, como lhe perteemçe». Emtom a reçebeo elRei peramte todos, e foi notificado pello reino como era sua molher, de que os gramdes e pequenos ouverom mui gram pesar. E deu-lhe elRei logo Villa viçosa, e Avramtes, e Almadaã, e Simtra, e Torres vedras, e Alamquer, e Aatouguia, e Oobidos, e Aaveiro, e os regueemgos de Sacavem, e Freellas, e Unhos, e terra de Merlles em riba de Douro; e dalli em deamte foi chamada Rainha de Portugal, e beijaromlhe a maão per mandado delRei quamtos grandes no reino avia, assi homeens como molheres; reçebemdoa por senhora todallas villas e çidades de seu senhorio, afora. o Iffante Dom Denis, posto que meor fosse que o Iffamte Dom Joham, que numca lha quis beijar; por a qual razom elRei Dom Femando lhe quisera dar com huuma daga, se nom fora Gil Vaasquez de Resende seu ayo, e Airas Gomez da Silva ayo delRei Dom Femamdo, que desviarom elRei de o fazer; dizemdo elRei sanhudamente contra elle: «Que nom avia ver gomça nenhuuma, beijarem a maão aa Rainha sua molher o Iffamte Dom Joham, que era moor que elle, e isso meesmo seu irmaão, e todollos outros fidallgos do reino, e el soomente dizer que lha nom beijaria, mas que lha beijasse ella a elle». E desta guisa andava o Iffamte Dom Denis assi como omeziado da corte, e o Iffamte Dom Joham ficou com elRei e com a Rainha muito amado e bem quisto; por que seemdo o mayor no reino, se ofereçera de boom grado de beijar a maão aa Rainha, e fora aazo e caminho a outros muitos de gramde estado: porem todol los do reino de qual quer comdiçom que fossem, eram disto mui mal contentes. 

Não era giro?
(até parece que estou a ouvir o pessoal de Aveiro, daquele tempo, a vociferar contra a queda de um "a" do seu nome...
E ao Afonso? A esse caíram um "f" e um "s". Que descalabro!)

27 de fevereiro de 2012

Rapidinha de segunda (xlvi)

Uma velhinha no autocarro, fazendo-se acompanhar pelo tradicional saco de plástico, senta-se, ocupando o lugar ao seu lado com o saco.
Aproxima-se um cavalheiro, para ocupar esse lugar e, tempestivamente, a velhinha grita:

- Cuidado com os tomates!

Muito corado e ainda de rabo esticado, questiona amavelmente o homem:

- São tomates, o que aqui leva minha senhora?

- Não! São pregos !!!

26 de fevereiro de 2012

8.º aniversário e uma fotografia por domingo (187)

Por estes dias (24 ou 25, não fui ver) este blog completou a provecta idade de 8 anos.
Para um blog, isto já deve ser p'raí a 4.ª idade.
O peso dos anos fê-lo mais lento, menos escrito e menos comentado.
Mas, contra todos os facebook, continua a resistir...
Espero que assim continue, pelo menos outros 8 anos.
E sempre na vossa indispensável companhia, é claro.

OBRIGADA.

Uma (das muitas) ponte de Castro Laboreiro.

22 de fevereiro de 2012

Lua-de-mel, parte XXXV

Este ano o meu dia dos namorados calhou ao domingo e, ainda por cima, na altura do carnaval.
Ouro sobre azul, e lá fomos nós passear até um dos destinos da nossa lua-de-mel, a número 1 - Castro Laboreiro.
A estalagem pequenina e simpática onde pernoitámos há tantos anos atrás, com um enorme cão sentado aos nossos pés enquanto jantávamos, foi transformada num simpático Hotel, o Hotel Castrum Villae.
Para além de nos ter faltado a companhia do cão ao jantar, também faltou a neve...

Mas não faltou mais nada! :)

14 de fevereiro de 2012

Não sou a favor

da pena de morte (embora às vezes me apeteça), mas uma pessoa um monstro que mata friamente a mulher, a filha e a neta, merecia a pena máxima: 25 anos.

Mas 25 anos por cada uma...

13 de fevereiro de 2012

Rapidinha de segunda (xlv)

A PILITA ALENTEJANA

Rija, enquanto durou.
Agora q'amolengou
e antes q'a morda a cobra,
vou atá-la c'uma corda
pra ela nã me fugiri.

Preciso da sacudiri,
leva tempo pá'cordari
já nem se sabe esticari.
Más lenta q'um caracoli,
Enrola-se-me no lençoli.

Ninguém a tira dali,
Já só dá em preguiçari.
Nada a faz alevantari
e já nã dá com o monti,
nem água bebe na fonti.

Que bich'é que lhe mordeu?
Parece defunta, morreu.
Deu-lhe p'ra enjoari,
Nem lh'apetece cheirari.

Jovem, metia inveja.
Com más gás q'uma cerveja,
Sempre pronta p'ra brincari.
Cu diga a minha Maria,
Era de nôte e de dia.

Até as mulheres da vila,
Marcavam lugar na fila,
p'ra eu lha poder mostrari!

Uma moura a trabalhari,
motivo do mê orgulho.
Fazia cá um barulho!
Entrava pelos quintais,
Inté espantava os animais.

Eram duas, três e quatro,
da cozinha até ao quarto
e até debaixo da cama.
Esta bicha tinha fama.

Punha tudo em alvoroço,
desde o mê tempo de moço.
A idade nã perdoa,
acabô-se a vida boa!

Depois de tanto caçari,
já merece descansari.
Contava já mê avô:

"Niuma rata lhe escapou!"
É o sangui das gerações.
Mas nada de confusões,
pois esta estória aqui escrita,
É da minha gata, a Pilita!

Rapidinha de segunda

- Amor, quanto gostas de mim, de 1 a 10? - De 1 a 10 gosto de ti muito, muito, muito... mas de 11 a 31 vou passear com uns amigos para Ibiz...