10 de janeiro de 2005

Tsunami de incompetências

"O que faríamos nós se uma tragédia como a da Ásia acontecesse em Portugal" ?
Mais coisa menos coisa, era esta a pergunta inteligente do "Prós e Contras" de hoje.
Mas que raio de pergunta!!
O que faríamos?
Quem, numa altura dessas, estiver no mar ou lá perto, morre como os outros todos morreram. Quem estiver bem afastado é capaz de escapar...

Não seria melhor perguntar "O que poderemos fazer daqui para a frente para, no caso de um terramoto ou de um tsunami, haver o menor número possível de vítimas"?
E a esta até eu sei responder, apesar de não ter sido convidada a participar no programa:
É simples: não deixar construir em cima do mar seria a primeira medida acertada!
A Costa Nova e a Barra têm casas até em cima da praia!
Além de horrívelmente inestético é também altamente perigoso.
Houve pessoas que construíram ou compraram os seus apartamentos há uns anos na Costa Nova convencidas que iam ter vista para o mar.
Era o que se falava na altura e seria o mais correcto: as casas estavam afastadas da praia dando possibilidade de fazer ainda uma boa marginal, com uma estrada larga, pistas para peões e para ciclistas e estacionamentos.
Mas sabem o que aconteceu??
À frente dessas casas acabaram por construir ainda mais duas (e nalguns locais três) filas de casas! Isto tudo com a benção da Câmara de Ílhavo pois eu não acredito que tantos prédios sejam clandestinos.
E lugar para passear, de bicicleta, de carro ou a pé? Não há!
Há uma estrada fraca que serve para tudo em simultâneo e que transforma a marginal num verdadeiro caos, principalmente no Verão...
...
Um verdadeiro tsunami de incompetência, de laxismo e de enchimento-de-bolsos-a-alguém varreu a costa do nosso país. Nenhuma praia se salvou!

9 de janeiro de 2005

Recadinhos...

  • No Contra Informação a notícia: as listas do PSD andam da maneira que andam porque estão a ser feitas pela mesma empresa que fez as colocações dos professores! (e para mim o Contra é mais credível que qualquer noticiário...)

  • Na novela "Senhora do Destino" Nuno Melo faz o papel do "portuga" Constantino, o taxista. Tanto o personagem como o actor dão uma má imagem dos portugueses. Deprimente!

  • Porque será que, mesmo depois de ter terminado a aberração da "quinta" o Herman José insiste no (pior ainda, se possível) "Quintal dos Ranhosos"? Porque será que o nosso melhor humorista precisa destas rasquices? Falta de inspiração? Ou mudança de gosto?

  • E agora um pedido: quando comentarem no meu blog, por favor deixem contacto (mail ou nome do blog). Não há nada mais triste do que fazerem-nos uma pergunta e não sabermos como responder...

7 de janeiro de 2005

Solidariedade(s)

Hoje a RTP dedicou todo o dia à solidariedade para com os povos atingidos pelo maremoto e pelo tsunami.
Ao serão lá telefonei mais umas vezes para o número que eles indicavam. Só há uns minutos atrás reparei que, por cada chamada de 60 cêntimos que reverterão a favor das instituições escolhidas, vou também "dar" ao governo o IVA correspondente! Fiz a conta e deu-me 0,114 € por cada telefonema!
Não sei ao certo que quantia representaram as chamadas telefónicas, mas creio que ficaram na casa das centenas de milhar de euros...
Eu, como ingénua que sou (pelo menos já me chamaram isso...), estou à espera que apareça alguém do governo a dizer que o dinheiro que receberem de IVA também reverterá a favor das vítimas!

4 de janeiro de 2005

Vidas diferentes

A Francelina foi minha aluna há cerca de 5 anos, teria uns 11 ou 12 anos. Depois de aprender a ler "desapareceu" da escola.
Hoje, quando eu ia a sair, estava ela ao portão toda sorridente. Tinha vindo à loja e resolveu visitar-me.
Perguntei-lhe como lhe corria a vida. "Bem" , disse ela.
"E então, já casaste?"
Respondeu que sim, já casou há dois anos e até já tem um bebé com mais de um ano...
"E sempre te casaste com aquele namorado de quem não gostavas?"
(No tempo em que ela foi minha aluna estava "prometida" a um rapaz de quem ela dizia não gostar. Eu dizia-lhe "se não gostas dele não cases, faz uma birra!" Uma vez até falei com a mãe acerca da tristeza dela, mas a mãe disse nada poder fazer uma vez que ela já lhe estava prometida e, pelas leis dos ciganos, não podiam quebrar esses acordos).
"Não! Casei com outro!"
"Então como fizeste isso?"
"Ora, fugi com ele e depois obrigaram-nos a casar"

"E que faz ele?"
E ela, muito naturalmente: "está preso por causa da droga"
"E então mulher, como se sustentam tu e o teu filho?"
"A minha mãe e a minha tia ajudam."

Assim, tudo simples, sem dramas e sem perder aquele sorriso lindíssimo que ainda mantém.

Estava um frio de rachar e eu despedi-me pedindo-lhe para voltar outro dia com o bebé e dizendo "Vou andando, ainda tenho de ir fazer o jantar"
"Fazer o jantar? Estiveste uma tarde inteira a trabalhar, não estás cansada?"
"Lá isso estou, mas tenho de jantar na mesma!"

"E o teu marido onde está?", indaga ela.
E eu "também está a trabalhar..."
"Ahh!"
....
E não é que a Francelina fica a olhar para mim com ar de pena????

3 de janeiro de 2005

Escolha impossível

Hoje, primeiro dia de escola depois das férias, era inevitável falar com as crianças acerca da tragédia na Ásia, mostrar-lhes no mapa onde ficam esses países, ouvir as opiniões deles...

A Rita tem 7 anos.
A certa altura da conversa ela diz: "Tu viste aquela mulher que largou um filho para salvar o outro?
Eu acho que ela devia ter agarrado os dois filhos e assim ou morriam os três ou salvavam-se os três."

Assim, sem tirar nem pôr!

E eu fiquei palerma a olhar para ela, pois a imagem que mais me marcou de toda esta tragédia foi precisamente a do tal filho "não escolhido" a soluçar convulsivamente agarrado a um peluche.
E eu nunca tinha tido a coragem, em todos estes dias, de comentar com alguém, nem sequer cá em casa, que eu sempre pensei como a Rita: uma mãe não pode escolher um filho!

2 de janeiro de 2005

Primeiro de Janeiro!

Inesperadamente (como eu gosto, aliás) cá em casa resolvemos ir passar o ano à Figueira da Foz. Não foi por nada de especial, apenas por ser a terra mais perto de Aveiro com festa ao ar livre!
Por volta das 20 horas já os restaurantes estavam cheios e tivemos de estar numa bicha para entrar na Pizza Hut!! (Ó Acontecencias, não te chateies mas na minha terra diz-se "bicha" e não fila!).
Quando finalmente conseguimos mesa, jantámos muito bem instalados com vista para os "tios" e "tias" que entravam no Casino, cheios de casacos de peles (blhaaaac!!). E também fiquei satisfeita por verificar que ainda não tenho idade para entrar em sítios daqueles!

casino.jpg

Vista do Casino

À meia-noite o fogo de artifício foi lindo!
Já o mesmo não se pode dizer da banda brasileira, nem do comportamento de muita gente! Havia crianças a dançar num chão cheio de vidros das garrafas que iam partindo... Será tradição deitar as garrafas vazias para o chão? Que grunhos!!

algodao.jpg
A primeira gulodice de 2005, mmmm

E agora vou deixar aqui um recadinho ao "meu" Presidente de Câmara:
Na Figueira da Foz estavam milhares de pessoas que encheram restaurantes, cafés e hotéis.
Em Aveiro há condições excelentes para fazer uma festa do género... Então porque não se faz?
O que se vai ganhar com o turismo não dará para pagar a festa e até para tirar lucro? Ou são os presidentes de tantas câmaras por este país fora que são masoquistas? Ou será porque nos outros municípios não se gastaram milhões em estádios gigantescos para ficarem às moscas?
A miséria é tanta que, quando chegei a Aveiro, por volta das duas da manhã, nem as luzes de Natal estavam acesas...
O povo de Aveiro merecia um bocadinho mais, acho eu, não sei...

Os desorientados

Os Desorientados by Amin Maalouf My rating: 5 of 5 stars O melhor livro que li este ano. Um livro que nos permite perceber melhor a histó...