Houve muita gente que lutou, sofreu e até morreu para que os trabalhadores tenham os direitos que têm hoje.
No entanto, estamos a correr o risco de que todos estes direitos de que hoje usufruímos vão por água abaixo.
Começou com os supermercados: não lhes bastava estarem abertos até às 23 e tiveram de abrir também aos domingos.
O mesmo se passa com as lojas dos centros comerciais, abertas até altas horas, às moscas (nem às moscas porque as moscas deitam-se cedo).
(Basta passarmos a fronteira para termos os supermercados fechados às 20 e fechados aos domingos. E, que eu saiba não morreu ninguém por causa disso nem os espanhóis foram à falência!)
Ontem fiquei a saber que as pessoas que trabalham em "call centers" numa área tão "urgente" como o apoio ao cliente, trabalham também até às 23 horas!
Agora digam-me que tempo tem uma mãe ou um pai para os filhos se sai do trabalho a essa hora?
Esta reflexão vem a propósito dum artigo que anda aí sobre a "escravatura" deste século e também por causa da greve da autoeuropa. Não querem trabalhar aos sábados e fazem muito bem. O direito de não trabalhar ao sábado foi uma conquista que não se pode perder.
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30 de agosto de 2017
19 de julho de 2017
Ainda os ciganos
Durante cerca de 15 anos tive alunos ciganos. Às vezes menos, outras vezes muitos.
Nunca tive problemas com os alunos desta etnia, mas houve algumas situações desagradáveis.
A primeira situação e a que mais problemas levantava era porque enquanto os alunos não ciganos entram para a escola com 6 anos, eles às vezes entravam com 10 ou quando lhes apetecia. A diferença de idades era geradora de conflitos, além de que assustavam os mais pequenitos. Depois, no caso de uma zanga no recreio, enquanto que os "nossos" resolvem a coisa entre os beligerantes, no caso dos alunos de etnia cigana, se houvesse uma briga com um deles, vinham todos para atacar o beligerante não cigano.
Em toda a minha vida profissional só me desapareceu dinheiro da carteira por 2 vezes e das duas foram alunos de etnia cigana. Doutra vez roubaram a máquina fotográfica da escola e também foi uma aluna de etnia cigana (descobrimos porque a máquina apareceu, muito tempo depois e, quando mandámos revelar o rolo, lá estavam fotos de todo o pessoal do acampamento).
Dos ciganos que conheci (familiares dos meus alunos) todos viviam da segurança social, todos mesmo, sem nenhuma exceção.
Posto isto, quero dizer que, pela realidade que conheço, o que André Ventura afirmou é a mais pura das verdades. Eu sei que não se pode generalizar, mas quando a maioria das pessoas de um determinado grupo tem um determinado comportamento, não há como não o fazer.
Nunca tive problemas com os alunos desta etnia, mas houve algumas situações desagradáveis.
A primeira situação e a que mais problemas levantava era porque enquanto os alunos não ciganos entram para a escola com 6 anos, eles às vezes entravam com 10 ou quando lhes apetecia. A diferença de idades era geradora de conflitos, além de que assustavam os mais pequenitos. Depois, no caso de uma zanga no recreio, enquanto que os "nossos" resolvem a coisa entre os beligerantes, no caso dos alunos de etnia cigana, se houvesse uma briga com um deles, vinham todos para atacar o beligerante não cigano.
Em toda a minha vida profissional só me desapareceu dinheiro da carteira por 2 vezes e das duas foram alunos de etnia cigana. Doutra vez roubaram a máquina fotográfica da escola e também foi uma aluna de etnia cigana (descobrimos porque a máquina apareceu, muito tempo depois e, quando mandámos revelar o rolo, lá estavam fotos de todo o pessoal do acampamento).
Dos ciganos que conheci (familiares dos meus alunos) todos viviam da segurança social, todos mesmo, sem nenhuma exceção.
Posto isto, quero dizer que, pela realidade que conheço, o que André Ventura afirmou é a mais pura das verdades. Eu sei que não se pode generalizar, mas quando a maioria das pessoas de um determinado grupo tem um determinado comportamento, não há como não o fazer.
19 de junho de 2017
O velho, o rapaz e o burro
é a minha fábula favorita.
Nela percebemos sem sombra para dúvida que, faça-se o que se fizer, há sempre quem critique.
Se o problema for pessoal, é fácil: a partir de uma certa idade ganhei juízo e agora estou-me nas tintas para o que pensam "os outros" daquilo que faço ou deixo de fazer.
Quando a questão tem a ver com o país, aí é mais complicado.
Desde sábado, o dia da tragédia de Pedrógão, as opiniões publicadas por toda a gente são mais que muitas e todas contraditórias. Temos um país de especialistas em florestas, em ordenar o território, em apagar incêndios, em cortar ou não cortar estradas, enfim, temos um país especializado...
(Só não entendo porque continua a haver incêndios)
Todos fariam melhor se fossem políticos, se fossem bombeiros, se fossem pilotos, se fossem da GNR, se fossem o primeiro ministro, se fossem o presidente da república, se fossem...
Mas não são.
Nela percebemos sem sombra para dúvida que, faça-se o que se fizer, há sempre quem critique.
Se o problema for pessoal, é fácil: a partir de uma certa idade ganhei juízo e agora estou-me nas tintas para o que pensam "os outros" daquilo que faço ou deixo de fazer.
Quando a questão tem a ver com o país, aí é mais complicado.
Desde sábado, o dia da tragédia de Pedrógão, as opiniões publicadas por toda a gente são mais que muitas e todas contraditórias. Temos um país de especialistas em florestas, em ordenar o território, em apagar incêndios, em cortar ou não cortar estradas, enfim, temos um país especializado...
(Só não entendo porque continua a haver incêndios)
Todos fariam melhor se fossem políticos, se fossem bombeiros, se fossem pilotos, se fossem da GNR, se fossem o primeiro ministro, se fossem o presidente da república, se fossem...
Mas não são.
:(
11 de agosto de 2016
Fogo!
Tenho roupa para lavar, mas não dá para o fazer porque em vez de secar ia ficar defumada.
Os parapeitos das janelas que deviam ser brancos, estão pretos.
Está imenso calor mas tenho tudo fechado por causa do intenso cheiro a fumo.
O chão de pedra branca está cravejado de cinzas...
Quando é que isto acaba?
Os parapeitos das janelas que deviam ser brancos, estão pretos.
Está imenso calor mas tenho tudo fechado por causa do intenso cheiro a fumo.
O chão de pedra branca está cravejado de cinzas...
Quando é que isto acaba?
Incêndio em Arouca, imagem do Jornal de Notícias.
28 de março de 2016
Não querendo, de maneira nenhuma,
apoucar o sofrimento (inimaginável) dos familiares dos que morreram no trágico acidente que aconteceu em França e que vitimou 12 portugueses, pergunto-me:
Qual é a responsabilidade do governo português nesse acidente?
Nenhuma, é claro.
Então, por que motivo os familiares dos mortos acham que é o governo português o responsável pela trasladação dos corpos?
(E o governo até se prontificou a transportar os corpos num avião da força aérea, embora em condições que não interessaram aos familiares das vítimas, tendo por isso rejeitado esta ajuda).
7 de julho de 2015
Maria Barroso
Não gosto daquela procissão de "RIP" que se usa no facebook (não gosto de facebook e ponto final!), por isso venho a este cantinho (cada vez mais) escondido prestar a minha singela homenagem à MULHER que hoje nos deixou: Maria Barroso.
Não me ocorre acrescentar nada ao que já li por aí, só me resta dizer:
quando for grande quero ser como ela.
5 de junho de 2015
Futebóis
Acho piada a estas guerras futebolistas: de repente não há crise, nem violência doméstica, até as guerras (as verdadeiras) ficam esquecidas.
Fala-se apenas em futebol, no Jesus (não o da Galileia), no Bruno-não-sei-das-quantas, no Luís Vieira...
Toda a gente se indigna só porque um tipo deixou um patrão e se mudou para outro, onde vai ganhar mais, muito mais.
O que nos devia indignar mesmo, é o facto desse tipo ir ganhar 16.500 € por dia!!
(fiz a conta à diária porque quando há muitos zeros fico tonta e baralhada...)
Só para terem uma ideia, quem ganha o ordenado mínimo ganha cerca de 6000 € por ano!
Já estão indignados que chegue?
Fala-se apenas em futebol, no Jesus (não o da Galileia), no Bruno-não-sei-das-quantas, no Luís Vieira...
Toda a gente se indigna só porque um tipo deixou um patrão e se mudou para outro, onde vai ganhar mais, muito mais.
O que nos devia indignar mesmo, é o facto desse tipo ir ganhar 16.500 € por dia!!
(fiz a conta à diária porque quando há muitos zeros fico tonta e baralhada...)
Só para terem uma ideia, quem ganha o ordenado mínimo ganha cerca de 6000 € por ano!
Já estão indignados que chegue?
30 de abril de 2015
Façamos greve!
Amanhã, mais uma vez, essa cambada que manda no país (os hiper-ricos donos dos hipermercados) prepara-se para voltar a fazer "promoções".
Vai haver uma greve de funcionários, mas duvido muito da sua eficácia.
Greve a doer devíamos ser nós, os consumidores, a fazer.
Que tal amanhã NINGUÉM fazer compras nessas lojas?
Eu vou fazer greve!
15 de janeiro de 2015
Não moro em Lisboa,
nem lá perto e até tenho um carro "quase" novo, portanto a nova medida da Câmara de Lisboa não me afeta mesmo nada.
Apesar disso, acho um abuso e uma hipocrisia a proibição de os carros velhos não poderem circular em certas zonas da cidade.
Não acredito que alguém tenha um carro velho voluntariamente. Se têm um carro velho é porque não há dinheiro para um novo, ficando essas pessoas duplamente injustiçadas.
É também uma hipocrisia, porque os problemas de poluição não se resolvem assim, resolvem-se com transportes públicos em condições.
Mas para isso era preciso governar a sério e isso dá muito mais trabalho, ...
16 de outubro de 2014
Meco
Não há dor maior no mundo do que perder um filho. Só imaginar, já custa.
Entendo que, quando isto acontece a um pai ou a uma mãe, estes vão insistir em procurar a resposta ao "porquê?".
Deve ser uma coisa que ajuda a mitigar a dor, julgo eu.
Posto isto, quero dizer que compreendo perfeitamente o desespero dos pais dos jovens que morreram na praia do Meco e a sua procura por um bode expiatório.
O que eu não compreendo é a atitude pouco sensata de alguns jornalistas.
Procurar vender jornais ou programas de televisão explorando indecentemente a dor das pessoas não me parece correto.
A resposta à pergunta "foi praxe ou não foi praxe?", não tem importância nenhuma.
Pode ter sido um mero acidente (hipótese mais que provável, dada a violência das ondas naquela noite). Mas, se houve praxe, foi uma brincadeira consentida. Porque não estamos a falar de caloiros com medo de não serem "aceites no grupo", mas sim de jovens finalistas, que estavam ali voluntariamente.
Há neste momento um jovem cuja única culpa é ter sobrevivido.
Estranho, não é?
Entendo que, quando isto acontece a um pai ou a uma mãe, estes vão insistir em procurar a resposta ao "porquê?".
Deve ser uma coisa que ajuda a mitigar a dor, julgo eu.
Posto isto, quero dizer que compreendo perfeitamente o desespero dos pais dos jovens que morreram na praia do Meco e a sua procura por um bode expiatório.
O que eu não compreendo é a atitude pouco sensata de alguns jornalistas.
Procurar vender jornais ou programas de televisão explorando indecentemente a dor das pessoas não me parece correto.
A resposta à pergunta "foi praxe ou não foi praxe?", não tem importância nenhuma.
Pode ter sido um mero acidente (hipótese mais que provável, dada a violência das ondas naquela noite). Mas, se houve praxe, foi uma brincadeira consentida. Porque não estamos a falar de caloiros com medo de não serem "aceites no grupo", mas sim de jovens finalistas, que estavam ali voluntariamente.
Há neste momento um jovem cuja única culpa é ter sobrevivido.
Estranho, não é?
4 de setembro de 2014
Patinhos em perigo
Na Costa Nova havia um lago com patinhos...
Entretanto o lago transformou-se num charco pestilento e mal cheiroso. Os pobres dos patinhos nem saem da "ilha", onde estão empilhados, com certeza com nojo de entrar naquela "água"!
Quem acode a estes patinhos?
Não basta fazer estas coisas, é preciso tratar e preservar.
Com muita urgência! Isto é uma vergonha!
Entretanto o lago transformou-se num charco pestilento e mal cheiroso. Os pobres dos patinhos nem saem da "ilha", onde estão empilhados, com certeza com nojo de entrar naquela "água"!
Quem acode a estes patinhos?
Não basta fazer estas coisas, é preciso tratar e preservar.
Com muita urgência! Isto é uma vergonha!
1 de novembro de 2013
Ansiosamente à espera do Telejornal...
De certeza que é hoje que vai acabar a crise, vai haver mercados (?) para todos, vão repor o ordenado que nos
Devia ser feriado e fomos todos trabalhar.
Nunca, em toda a minha vida de trabalho, tinha escrito no quadro a data "1 de novembro"!
O colossal lucro que o governo teve hoje, deve ter sido suficiente para que tudo volte a entrar nos eixos, não?
A sério que não entendo estas medidas idiotas.
Este feriado proporcionaria a alguns um fim de semana prolongado. Uns, mais dados à religião, iriam visitar a família viva e morta.
Outros iriam aproveitar para uma pausa fora de casa.
Tantos uns como outros viajariam, ficariam hospedados fora de casa, comeriam em restaurantes, visitariam museus...
Se isto não é lucro para o país, não sei o que será.
27 de setembro de 2013
Não sabem o que andam a fazer,
mas o pior é que, entretanto, vão destruindo a vida às pessoas.
Cortam salários e aumentam horários de trabalho, cortam pensões, enfim... É um fartar vilanagem com este governo.
As escolas debatem-se com falta de funcionários e, que fazem estas iluminadas mentes?
A "lei da mobilidade", mudando os funcionários de escola!
Atirando com pessoas que ganham 450€ por mês, pessoas que muitas vezes se deslocam para as escolas de bicicleta ou de motorizada (porque os ordenados não dão para sustentar 2 carros no agregado familiar), para escolas que distam 50 Km da sua residência.
Isto é desumano!
Cristo disse "perdoa-lhes pai porque não sabem o que fazem", mas quem faz isto às pessoas não tem perdão.
Cortam salários e aumentam horários de trabalho, cortam pensões, enfim... É um fartar vilanagem com este governo.
As escolas debatem-se com falta de funcionários e, que fazem estas iluminadas mentes?
A "lei da mobilidade", mudando os funcionários de escola!
Atirando com pessoas que ganham 450€ por mês, pessoas que muitas vezes se deslocam para as escolas de bicicleta ou de motorizada (porque os ordenados não dão para sustentar 2 carros no agregado familiar), para escolas que distam 50 Km da sua residência.
Isto é desumano!
Cristo disse "perdoa-lhes pai porque não sabem o que fazem", mas quem faz isto às pessoas não tem perdão.
19 de agosto de 2013
Touradas
Acho que são muito corajosas as pessoas que participam e dão a cara em manifestações deste tipo.
Mas, não é com os que realizaram a tourada que nos temos de "chatear" (embora também não faça mal nenhum).
Os que me preocupam são os quase 3000 grunhos que foram assistir: esses sim, são os verdadeiros culpados.
Ou acham que existiriam touradas se não estivesse lá ninguém para as ver?
Mas, não é com os que realizaram a tourada que nos temos de "chatear" (embora também não faça mal nenhum).
Os que me preocupam são os quase 3000 grunhos que foram assistir: esses sim, são os verdadeiros culpados.
Ou acham que existiriam touradas se não estivesse lá ninguém para as ver?
21 de maio de 2013
"Patrás"... e em força
Na semana passada fecharam os correios cá da minha terra. Na semana anterior tinham fechado os da terra vizinha...
Para tratar de um assunto nos correios, as pessoas de Aradas e de S. Bernardo terão de se deslocar a Aveiro, com todos os inconvenientes (financeiros e não só) que essa situação acarreta.
Se isto não é regredir, então não sei o que será!
(pelo sim, pelo não, vou guardar muito bem os meus dois volumes dos "Pilares da Terra": assim não estranharei muito quando chegarmos à Idade Média)
1 de maio de 2013
No Dia do Trabalhador, O direito ao trabalho
Ultimamente há uma frase que eu já não posso ouvir, que é "tens sorte por teres trabalho"!
Normalmente ouço-a quando me queixo.
Não podemos dizer "mal" do nosso trabalho, das condições em que trabalhamos, dos sapos que temos de engolir, que invariavelmente ouvimos (mesmo de colegas de profissão!) "tens sorte por teres trabalho".
Como se isso justificasse tudo!
Quer dizer, tenho de aceitar todas as tropelias aos meus direitos (pois, deixou de haver direitos, agora só há regalias), só porque "tenho a sorte" de ter trabalho.
Qual euromilhões, qual quê! Agora sorte é... ter trabalho!
Irra!
Já agora: nascer rico, muito rico, e não ter de trabalhar, é o quê?
Azar?
Normalmente ouço-a quando me queixo.
Não podemos dizer "mal" do nosso trabalho, das condições em que trabalhamos, dos sapos que temos de engolir, que invariavelmente ouvimos (mesmo de colegas de profissão!) "tens sorte por teres trabalho".
Como se isso justificasse tudo!
Quer dizer, tenho de aceitar todas as tropelias aos meus direitos (pois, deixou de haver direitos, agora só há regalias), só porque "tenho a sorte" de ter trabalho.
Qual euromilhões, qual quê! Agora sorte é... ter trabalho!
Irra!
Já agora: nascer rico, muito rico, e não ter de trabalhar, é o quê?
Azar?
14 de agosto de 2012
Por culpa de alguém
que aposto nem será (devidamente) castigado por isso, morreram hoje dois inocentes: um bebé de 20 meses e um cão, não sei com que idade.
Não vou falar do bebé, porque para isso não há palavras, mas vou falar do cão:
Como é possível que alguém, num apartamento, tenha dois cães daquele tamanho?
Se não é proibido, devia ser, e as pessoas que o fizessem deviam ser severamente punidas.
De preferência, antes de morrerem crianças.
E cães.
Não vou falar do bebé, porque para isso não há palavras, mas vou falar do cão:
Como é possível que alguém, num apartamento, tenha dois cães daquele tamanho?
Se não é proibido, devia ser, e as pessoas que o fizessem deviam ser severamente punidas.
De preferência, antes de morrerem crianças.
E cães.
1 de maio de 2012
Dia do trabalhador?
EU NÃO VOU FAZER
(apesar de ter a tarde livre e ter ali uma lista jeitosa de compras que tenho de fazer ainda esta semana)
Numa campanha verdadeiramente vergonhosa, a cadeia de supermercados Pingo Doce oferece hoje 50% de desconto. Mas atenção: só a quem fizer mais de 100€ de compras!
Pelo Facebook fica-se a saber que as lojas Pingo Doce estão concorridíssimas, com gente a atropelar-se para chegar às prateleiras, com bichas de horas nas caixas, com produtos esgotados, com intervenção da Polícia, enfim... a loucura total.
Compreendo a ansiedade das pessoas por esses descontos, mas pergunto:
- as pessoas realmente necessitadas vão às compras ao Pingo Doce, gastar pelo menos 50€?
- no meio da confusão que por lá há, quantas pessoas vão trazer "lixo" para casa?
- não era excelente conseguirmos mesmo boicotar esses hiper's que não respeitam os seus trabalhadores? Ou haverá quem acredite que eles nos dão alguma coisa?
24 de abril de 2012
29 de fevereiro de 2012
Crónica de D. Fernando, Fernão Lopes
Dedico este belo texto ( e de facílima compreensão) a todos os que são contra o acordo ortográfico, mas principalmente ao senhor Secretário de Estado da Cultura e também a Vasco Graça Moura e a Miguel Sousa Tavares.
Se todos fôssemos patriotas como eles, e não uns vendidos aos brasileiros e a outros que tais, seria assim que escreveríamos...
Como elRei Dom Fernamdo reçebeo de praça Dona Lionor por molher, e foi chamada Rainha de Portugal.
Andou elRei per seu reino folgamdo, tragemdo comsigo Dona Lionor ataa que chegou antre Doiro e Minho a huum moesteiro que chamam Leça, que he da hordem do espital, e alli determinou elRei de a receber de praça; e em huum dia pera isto assiinado, foi a todos preposto por sua parte dizemdo em esta guisa. «Amigos, bem sabees como a hordem do casamento he huum dos nobres sacramentos, que Deos em este mundo hordenou, pera nom soomente os Reis, mas aimda os outros homeens, viverem em estado de salvaçom, e os Reis averem per lidema linhagem quem depos elles soçeda o reiino, e regimento real que lhe Deos deu; porende elRei nosso senhor querendo viver em este estado, segumdo a el perteeçe, e comsiiramdo como a mui nobre Dona Lionor, filha de Dom Martim Affonsso Tello, e de Dona Aldomça de Vascomçellos, deçemde da linhagem dos Reis, des i como todollos gramdes e moores fidallgos destes reinos tem com ella gramde divedo de paremtesco, os quaaes reçebendo delRei homrra, como he aguisado sejam por ello mais theu dos de o ajudar a defemder a terra; e oolhamdo outro si como a dita Dona Lionor he molher mui comvinhavel pera elle, por as razoões sobre ditas: tem trautado com ella seu casamento, e poremde a quer reçeber de praça per pallavras de presemte, como manda a samta egreja; e lhe emtemde de dar taaes villas e logares de seu senhorio, por que ella possa manteer homrroso estado de Rainha, como lhe perteemçe». Emtom a reçebeo elRei peramte todos, e foi notificado pello reino como era sua molher, de que os gramdes e pequenos ouverom mui gram pesar. E deu-lhe elRei logo Villa viçosa, e Avramtes, e Almadaã, e Simtra, e Torres vedras, e Alamquer, e Aatouguia, e Oobidos, e Aaveiro, e os regueemgos de Sacavem, e Freellas, e Unhos, e terra de Merlles em riba de Douro; e dalli em deamte foi chamada Rainha de Portugal, e beijaromlhe a maão per mandado delRei quamtos grandes no reino avia, assi homeens como molheres; reçebemdoa por senhora todallas villas e çidades de seu senhorio, afora. o Iffante Dom Denis, posto que meor fosse que o Iffamte Dom Joham, que numca lha quis beijar; por a qual razom elRei Dom Femando lhe quisera dar com huuma daga, se nom fora Gil Vaasquez de Resende seu ayo, e Airas Gomez da Silva ayo delRei Dom Femamdo, que desviarom elRei de o fazer; dizemdo elRei sanhudamente contra elle: «Que nom avia ver gomça nenhuuma, beijarem a maão aa Rainha sua molher o Iffamte Dom Joham, que era moor que elle, e isso meesmo seu irmaão, e todollos outros fidallgos do reino, e el soomente dizer que lha nom beijaria, mas que lha beijasse ella a elle». E desta guisa andava o Iffamte Dom Denis assi como omeziado da corte, e o Iffamte Dom Joham ficou com elRei e com a Rainha muito amado e bem quisto; por que seemdo o mayor no reino, se ofereçera de boom grado de beijar a maão aa Rainha, e fora aazo e caminho a outros muitos de gramde estado: porem todol los do reino de qual quer comdiçom que fossem, eram disto mui mal contentes.
Não era giro?
(até parece que estou a ouvir o pessoal de Aveiro, daquele tempo, a vociferar contra a queda de um "a" do seu nome...
E ao Afonso? A esse caíram um "f" e um "s". Que descalabro!)
Como elRei Dom Fernamdo reçebeo de praça Dona Lionor por molher, e foi chamada Rainha de Portugal.
Andou elRei per seu reino folgamdo, tragemdo comsigo Dona Lionor ataa que chegou antre Doiro e Minho a huum moesteiro que chamam Leça, que he da hordem do espital, e alli determinou elRei de a receber de praça; e em huum dia pera isto assiinado, foi a todos preposto por sua parte dizemdo em esta guisa. «Amigos, bem sabees como a hordem do casamento he huum dos nobres sacramentos, que Deos em este mundo hordenou, pera nom soomente os Reis, mas aimda os outros homeens, viverem em estado de salvaçom, e os Reis averem per lidema linhagem quem depos elles soçeda o reiino, e regimento real que lhe Deos deu; porende elRei nosso senhor querendo viver em este estado, segumdo a el perteeçe, e comsiiramdo como a mui nobre Dona Lionor, filha de Dom Martim Affonsso Tello, e de Dona Aldomça de Vascomçellos, deçemde da linhagem dos Reis, des i como todollos gramdes e moores fidallgos destes reinos tem com ella gramde divedo de paremtesco, os quaaes reçebendo delRei homrra, como he aguisado sejam por ello mais theu dos de o ajudar a defemder a terra; e oolhamdo outro si como a dita Dona Lionor he molher mui comvinhavel pera elle, por as razoões sobre ditas: tem trautado com ella seu casamento, e poremde a quer reçeber de praça per pallavras de presemte, como manda a samta egreja; e lhe emtemde de dar taaes villas e logares de seu senhorio, por que ella possa manteer homrroso estado de Rainha, como lhe perteemçe». Emtom a reçebeo elRei peramte todos, e foi notificado pello reino como era sua molher, de que os gramdes e pequenos ouverom mui gram pesar. E deu-lhe elRei logo Villa viçosa, e Avramtes, e Almadaã, e Simtra, e Torres vedras, e Alamquer, e Aatouguia, e Oobidos, e Aaveiro, e os regueemgos de Sacavem, e Freellas, e Unhos, e terra de Merlles em riba de Douro; e dalli em deamte foi chamada Rainha de Portugal, e beijaromlhe a maão per mandado delRei quamtos grandes no reino avia, assi homeens como molheres; reçebemdoa por senhora todallas villas e çidades de seu senhorio, afora. o Iffante Dom Denis, posto que meor fosse que o Iffamte Dom Joham, que numca lha quis beijar; por a qual razom elRei Dom Femando lhe quisera dar com huuma daga, se nom fora Gil Vaasquez de Resende seu ayo, e Airas Gomez da Silva ayo delRei Dom Femamdo, que desviarom elRei de o fazer; dizemdo elRei sanhudamente contra elle: «Que nom avia ver gomça nenhuuma, beijarem a maão aa Rainha sua molher o Iffamte Dom Joham, que era moor que elle, e isso meesmo seu irmaão, e todollos outros fidallgos do reino, e el soomente dizer que lha nom beijaria, mas que lha beijasse ella a elle». E desta guisa andava o Iffamte Dom Denis assi como omeziado da corte, e o Iffamte Dom Joham ficou com elRei e com a Rainha muito amado e bem quisto; por que seemdo o mayor no reino, se ofereçera de boom grado de beijar a maão aa Rainha, e fora aazo e caminho a outros muitos de gramde estado: porem todol los do reino de qual quer comdiçom que fossem, eram disto mui mal contentes.
Não era giro?
(até parece que estou a ouvir o pessoal de Aveiro, daquele tempo, a vociferar contra a queda de um "a" do seu nome...
E ao Afonso? A esse caíram um "f" e um "s". Que descalabro!)
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