Recebi hoje este mail, da minha prima Gracita.
Como ela escreve melhor que eu, faço minhas as palavras dela...
«Olá Guigui!
Acabei de desligar a televisão. A tragédia que se abateu sobre tantos milhares de pessoas, mesmo sendo do outro lado do mundo, deixa-me um nó na garganta. Há pouco recebi uma mensagem SMS que falava numa caixinha cheia de paz, de alegria, de carinho... Como eu gostava de ter uma caixinha assim mágica... e de poder enviá-la a todos os que sofrem das mais variadas maneiras, no final de um ano que se revelou tão complicado!
Sei que partilhas os meus sentimentos e apreensões, por isso resolvi escrever-te duas palavras (depois de enxotar o meu garoto mais pequeno que adora lugar cativo no computador!).
Apesar de tudo, sei que temos que manter viva a esperança... de que o próximo ano há-de ser melhor, de que haverá mais paz, de que os gestos de solidariedade que se multiplicam neste momento vão verdadeiramente valorizar aquilo que nos une, e não o que nos separa! Só assim poderemos acreditar no Futuro, nas promessas e na força trazidas por cada menino que em 2005 irá nascer! (...)
Que a esperança sempre renovada de um futuro melhor consiga brilhar, apesar de tudo, e nos ilumine neste mudar da folha do calendário... e que 2005 seja, para nós e para todo o mundo, um ano bem melhor, cheio de Paz e Amor desde o primeiro momento.
Um grande beijinho de saudação para o Ano Novo.
Muitos momentos felizes!
Gracita»
30 de dezembro de 2004
29 de dezembro de 2004
Dois dias perfeitos!
Ontem e hoje foram, para mim, dois dias perfeitos:
Ontem, porque o tempo estava cinzento e feio, caía aquela chuva miudinha mas persistente (aquela que nos convence de que o sol nunca mais voltará) e eu passei todo o dia na mais completa pasmaceira e sem sequer pôr o nariz da porta para fora: fiquei à janela a ver chover, sentei-me à lareira e dei uma overdose de festas ao meu gato, desfolhei revistas, comi gulodices, vi televisão... A meio da tarde ainda pensei em fazer alguma coisa de útil, mas esperei um bocadinho e aquele mau sintoma passou-me!
Hoje e porque o nosso stock de vinho estava quase no fim, fomos às compras!
Só que, tal como na história das pantufas, o vinho também tem de ser comprado onde se produz. E lá fomos à Adega Cooperativa de Vila Nova de Tázem comprar vinho do Dão verdadeiro.
Fizemos um pequeno desvio no caminho e fomos almoçar a Gouveia.
Eu adoro aquela terra onde em vez de ruas descemos e subimos escadas.
Se estiverem a pensar lá ir, vão almoçar ao Monteneve. A comida é boa e barata. Quem preferir pernoitar por lá e conhecer melhor aquela região pode alugar um quarto pois além do restaurante também tem residencial.

De caminho ainda fomos ver se a Serra da Estrela tinha neve.
Estava linda a serra, mas só tinha uns salpicos de neve aqui e ali.

E pronto, aqui está a prova de como dois dias completamente diferentes podem ser igualmente bons... Basta saber aproveitar o melhor de cada um! (esta teoria também se deve aplicar às pessoas!)
Ontem, porque o tempo estava cinzento e feio, caía aquela chuva miudinha mas persistente (aquela que nos convence de que o sol nunca mais voltará) e eu passei todo o dia na mais completa pasmaceira e sem sequer pôr o nariz da porta para fora: fiquei à janela a ver chover, sentei-me à lareira e dei uma overdose de festas ao meu gato, desfolhei revistas, comi gulodices, vi televisão... A meio da tarde ainda pensei em fazer alguma coisa de útil, mas esperei um bocadinho e aquele mau sintoma passou-me!
Hoje e porque o nosso stock de vinho estava quase no fim, fomos às compras!
Só que, tal como na história das pantufas, o vinho também tem de ser comprado onde se produz. E lá fomos à Adega Cooperativa de Vila Nova de Tázem comprar vinho do Dão verdadeiro.
Fizemos um pequeno desvio no caminho e fomos almoçar a Gouveia.
Eu adoro aquela terra onde em vez de ruas descemos e subimos escadas.
Se estiverem a pensar lá ir, vão almoçar ao Monteneve. A comida é boa e barata. Quem preferir pernoitar por lá e conhecer melhor aquela região pode alugar um quarto pois além do restaurante também tem residencial.

De caminho ainda fomos ver se a Serra da Estrela tinha neve.
Estava linda a serra, mas só tinha uns salpicos de neve aqui e ali.

E pronto, aqui está a prova de como dois dias completamente diferentes podem ser igualmente bons... Basta saber aproveitar o melhor de cada um! (esta teoria também se deve aplicar às pessoas!)
27 de dezembro de 2004
Fim de festa

E pronto!
Terminou mais uma festa de Natal.
O Pai Natal vai de férias por um ano (rica vida!!), assim como as renas...
Esperemos que no coração de todos fique alguma réstea da boa vontade que é apregoada nestes dias!
Mas, apesar de ter acabado a festa, não acabaram os vestígios: o frigorífico e a mesa da sala cheios de doçaria variada, a árvore que continua a piscar, os laços e papéis de embrulho que vão aparecendo nos sítios mais estranhos!
Ainda vão passar uns dias até tudo voltar à normalidade...
...
O pessoal cá de casa ofereceu-me roupa. Ainda bem que sou optimista, pois se eu fosse pessimista pensaria: "será que ando assim tão mal vestida?".
25 de dezembro de 2004
Miguel Torga - História Antiga
Hoje deixo aqui o meu poema de Natal preferido, com votos de
Feliz Natal para todos!
História Antiga
Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
Miguel Torga
Feliz Natal para todos!
História Antiga
Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
Miguel Torga
Coimbra, 12/10/1937
23 de dezembro de 2004
O meu Natal
Mal começavam as férias do Natal lá rumava eu e a minha irmã para Vale de Cambra onde vive todo o resto da família.
Os dias antes do Natal eram poucos para tanta brincadeira, para apanhar o musgo, fazer o presépio (enorme, por cima da lareira da casa dos meus tios), ir à igreja assistir às cerimónias próprias da época e sei lá que mais!
A noite de consoada era uma festa: pai, mãe, avós, tios e primos juntos numa mesa farta de bacalhau com todos. Para a sobremesa rabanadas, mexidos, bilharacos, pão-de-ló, leite creme, bolo-rei...
No fim de jantar os mais novos declamavam poemas e cantavam, enquanto os mais velhos jogavam às cartas e conversavam à lareira.
Antes de nos deitarmos (desta vez excepcionalmente depois da meia-noite) havia o ritual de perfilar os sapatos todos à beira da lareira.
No dia seguinte de madrugada lá estávamos nós a ver o que nos tinha caído no sapato. Nada de especial se comparado com a fartura de hoje: meia dúzia de chocolates (guarda-chuvas, carrinhos de chocolate, uma tablete da Regina... Quem se lembra?). Costumava haver também uma boneca de plástico (não tinha cabelo, não falava, muito menos fazia xixi!) e algumas peças de roupa.
____________________
Se comparado com a quantidade de prendas que recebem a maioria das crianças de hoje, parece um Natal pobre...
Mas não! Aquela boneca pindérica a quem eu arrancava os braços e as pernas dois ou três dias depois, dava-me mais felicidade que as carradas de brinquedos que as crianças recebem agora, escolhidas e listadas dos milhentos folhetos que já vêm prontos dos hipermercados, faltando apenas pôr o X onde interessa!
Não quero dizer que as crianças de agora não sejam felizes, mas no meio de tantos brinquedos, acabam por não ligar a nenhum... E acabam também por não dar valor nenhum ao esforço que os pais fazem para lhes dar o que pedem, pois muitos escondem dos filhos esse esforço como se de uma vergonha se tratasse...
...
E, depois, há aqueles que nem dinheiro têm para uma refeição decente!
Mas desses não falo hoje senão o AFlores vem aqui ralhar comigo... :-(
Os dias antes do Natal eram poucos para tanta brincadeira, para apanhar o musgo, fazer o presépio (enorme, por cima da lareira da casa dos meus tios), ir à igreja assistir às cerimónias próprias da época e sei lá que mais!
A noite de consoada era uma festa: pai, mãe, avós, tios e primos juntos numa mesa farta de bacalhau com todos. Para a sobremesa rabanadas, mexidos, bilharacos, pão-de-ló, leite creme, bolo-rei...
No fim de jantar os mais novos declamavam poemas e cantavam, enquanto os mais velhos jogavam às cartas e conversavam à lareira.
Antes de nos deitarmos (desta vez excepcionalmente depois da meia-noite) havia o ritual de perfilar os sapatos todos à beira da lareira.
No dia seguinte de madrugada lá estávamos nós a ver o que nos tinha caído no sapato. Nada de especial se comparado com a fartura de hoje: meia dúzia de chocolates (guarda-chuvas, carrinhos de chocolate, uma tablete da Regina... Quem se lembra?). Costumava haver também uma boneca de plástico (não tinha cabelo, não falava, muito menos fazia xixi!) e algumas peças de roupa.
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Se comparado com a quantidade de prendas que recebem a maioria das crianças de hoje, parece um Natal pobre...
Mas não! Aquela boneca pindérica a quem eu arrancava os braços e as pernas dois ou três dias depois, dava-me mais felicidade que as carradas de brinquedos que as crianças recebem agora, escolhidas e listadas dos milhentos folhetos que já vêm prontos dos hipermercados, faltando apenas pôr o X onde interessa!
Não quero dizer que as crianças de agora não sejam felizes, mas no meio de tantos brinquedos, acabam por não ligar a nenhum... E acabam também por não dar valor nenhum ao esforço que os pais fazem para lhes dar o que pedem, pois muitos escondem dos filhos esse esforço como se de uma vergonha se tratasse...
...
E, depois, há aqueles que nem dinheiro têm para uma refeição decente!
Mas desses não falo hoje senão o AFlores vem aqui ralhar comigo... :-(
21 de dezembro de 2004
(in)Justiça social
Na televisão contam a história de uma família de 7 pessoas que tem 20 euros para viver até ao final do mês (Natal incluído, claro). Nessa família há uma menina que faz hoje 12 anos e diz que embora saiba que não vai ganhar nada no Natal, só gostava de ter uma prenda... A mãe diz que gostava que o dinheiro chegasse para pôr comida na mesa...
Noticiário das 20 horas, SIC
«Vou passar o Natal na minha casa (...) sem grandes cerimónias. Vai ser uma cerimónia simples, vou decorar a casa com coisas simples e não vou deixar de ir a Paris comprar os ingredientes, que em Portugal não existem, para a minha ceia de Natal. Vou lá comprar sobretudo trufas, fígados frescos de ganso e os mais variados tipos de cogumelos.»
Entrevista a Herman José na "Dica da semana"
__________________
Há 30 anos houve uma revolução (a tal dos cravos).
Uma das coisas que se prometia (e em que eu ingenuamente acreditava por achar era assim que devia ser) é que, daí para a frente, haveria uma coisa chamada "justiça social".
Porque será então que os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres??
Noticiário das 20 horas, SIC
«Vou passar o Natal na minha casa (...) sem grandes cerimónias. Vai ser uma cerimónia simples, vou decorar a casa com coisas simples e não vou deixar de ir a Paris comprar os ingredientes, que em Portugal não existem, para a minha ceia de Natal. Vou lá comprar sobretudo trufas, fígados frescos de ganso e os mais variados tipos de cogumelos.»
Entrevista a Herman José na "Dica da semana"
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Há 30 anos houve uma revolução (a tal dos cravos).
Uma das coisas que se prometia (e em que eu ingenuamente acreditava por achar era assim que devia ser) é que, daí para a frente, haveria uma coisa chamada "justiça social".
Porque será então que os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres??
20 de dezembro de 2004
Frase do dia
Continuo sem tempo (está quaaase a acabar este stress!!) e continuo a roubar coisas por aí!
Hoje a lesada foi a Panpanisca que publicou esta frase que achei mesmo apropriada:
« O que engorda não é o que se come entre o Natal e o Ano Novo, mas sim o que se come entre o Ano Novo e o Natal...»
Formidável, não acham?
Então, toca a comer que é tempo de iguarias!!
Hoje a lesada foi a Panpanisca que publicou esta frase que achei mesmo apropriada:
« O que engorda não é o que se come entre o Natal e o Ano Novo, mas sim o que se come entre o Ano Novo e o Natal...»
Formidável, não acham?
Então, toca a comer que é tempo de iguarias!!
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