3 de fevereiro de 2015

O país dos números

Vivemos no país dos números.

Nas escolas então atingiu-se um nível nunca visto em matéria de números. Tudo se resume a números, gráficos e percentagens.
Como se as aprendizagens das crianças destas idades pudessem ser expressas em números!
As avaliações das crianças, que eram apenas qualitativas, caminham a passos largos para serem quantitativas (os alunos do 4.º ano já são avaliados de 1 a 5 valores).

Até as crianças que nos chegam das pré-escolas já vêm avaliadas com percentagens disto e daquilo!

Ando a ler aos meus alunos "O principezinho" (estilo novela, 1 ou 2 episódios capítulos por dia)
Por isso dedico ao ministro da educação (que adora números) uma frase que lhes li hoje:

"As pessoas crescidas gostam de números. Quando lhes falais de um novo amigo nunca perguntam o essencial. Nunca vos dizem «como é a fala dele? Quais os seus jogos prediletos? Coleciona borboletas?» Perguntam «Que idade tem? Quantos irmãos são? Quanto pesa? Quanto é que o pai ganha?» E só julgam que o conhecem depois disto. Se disserdes às pessoas crescidas : «Vi uma casa de tijolos vermelhos, com gerânios nas janelas e pombas no telhado...» elas não conseguem imaginar uma casa. É preciso dizer-lhes: «Vi uma casa de quinhentos contos.» Então exclamam: «Ai que bonita!»

Andamos todos crescidos de mais, é o que é.

4 comentários:

Angel disse...

Fogo, é mesmo verdade! Há histórias (tão) antigas que cada vez mais se adequam à realidade que vivemos, (in)felizmente...

Alberto disse...

A burocracia sempre foi avessa à qualidade. Prefere a quantidade.

aflores disse...

Somos números!
Já lá vai o tempo do "Sr. Flores".... agora é mais: Ó 304! Como é que é?

Qual o nº fiscal?
Qual o nº cartão cidadão?
Tem telemóvel?

:)))))))))))

Tudo de bom.

cereja disse...

Isso mesmo!
E o Principezinho (quantos anos tem ele? e que altura? e peso? ) é excelente para mostrar isso de que falas.
Os números são úteis e dão jeito. Mas para algumas coisas, para uma parte, mesmo pequena, da vida.
Sentimentos, emoções, a 'simpatia' essencial para algumas profissões, não se traduzem bem em algarismos...