30 de agosto de 2017

Direitos

Houve muita gente que lutou, sofreu e até morreu para que os trabalhadores tenham os direitos que têm hoje.
No entanto, estamos a correr o risco de que todos estes direitos de que hoje usufruímos vão por água abaixo.

Começou com os supermercados: não lhes bastava estarem abertos até às 23 e tiveram de abrir também aos domingos.
O mesmo se passa com as lojas dos centros comerciais, abertas até altas horas, às moscas (nem às moscas porque as moscas deitam-se cedo).

(Basta passarmos a fronteira para termos os supermercados fechados às 20 e fechados aos domingos. E, que eu saiba não morreu ninguém por causa disso nem os espanhóis foram à falência!)

Ontem fiquei a saber que as pessoas que trabalham em "call centers" numa área tão "urgente" como o apoio ao cliente, trabalham também até às 23 horas!
Agora digam-me que tempo tem uma mãe ou um pai para os filhos se sai do trabalho a essa hora?

Esta reflexão vem a propósito dum artigo que anda aí sobre a "escravatura" deste século e também por causa da greve da autoeuropa. Não querem trabalhar aos sábados e fazem muito bem. O direito de não trabalhar ao sábado foi uma conquista que não se pode perder.

5 comentários:

Alberto disse...

Perde-se, então, uma empresa que representa 1,1% do PIB português.
Mas, em compensação, podemos (quase) todos ir à praia aos sábados.

Angel disse...

Verdade e infelizmente é transversal a tds as áreas e profissões... Se ao menos pagassem tempo e meio, como acontece em mts países estrangeiros, acho q dez vez qd td bem, mas obrigar as pessoas a cumprirem esse horário de autêntica escravatura é imoral e desumano! A mim tb me chegaram a perg se podia dar explicações ao domingo e sempre recusei! Tenham lá paciência! Se os patrões pedissem a essa gente p trab ao domingo (pelo mesmo valor) tb aceitavam?! Mas mesmo q ma pagassem o dobro, não aceitaria! Haja limites, caramba!

Mary - Strawberrycandy disse...

Nem tenho palavras,..a vida é mesmo assim,....temos que nos ajustar às tendências,..
Beijinhos,
Espero por ti em:
strawberrycandymoreira.blogspot.pt
http://www.facebook.com/omeurefugioculinario
https://www.instagram.com/marysolianimoreira/

cereja disse...

Apoiado.
Compara-se com «lá fóra» quando convém e assobia-se para o lado quando a comparação não interessa. Os exemplos que dás digo-os eu muitas vezes. Uma das minhas maiores amigas vive num país nórdico, com uma boa qualidade de vida, e já estranha muito quando vê as nossas lojas abertas nos horários actuais. Afinal para quê??!!! Há actividades e profissões que implicam estar alerta ou de piquete 24 horas. Para bem da população. Mas para benefício do lucro do patrão?! Ora.......

José António disse...

Essa pressão sobre os trabalhadores resulta da globalização e do avanço tecnológico. A questão dos sábados na Autoeuropa tem mais relação com o que querem receber ao sábado -recebem 175 euros e querem 400- que com o tempo para a família. O ponto nesta fábrica é o seguinte: a VW negociou com a comissão de trabalhadores afecta ao BE a manutenção da fábrica em Portugal. Para a VW Portugal compara negativamente com a República Checa e, portanto, se insistem o mais provável é que para continuarem a trabalhar na VW tenham de ir até lá. E essa decisão, que parece muito complicada, para os pragmáticos alemães poderá decorrer de uma simples reunião. E, portanto, é pegar ou largar e não valerá muito a pena fazer de conta que estamos em 1974. Não estamos e para voltarmos a coisa parecida teríamos de sair do euro e passar a ter moeda própria, uma coisa próxima da Venezuela, mas sem petróleo.