6 de março de 2015

Carta de uma mãe

Na sequência de uma troca de mails acerca das dificuldades de uma (boa) aluna para entender as frações, recebi este mail da mãe:

Olá, bom dia,

fico mais descansada! :-) realmente aquilo é muito difícil de explicar. Para nós é obvio, mas para eles é muito complexo. Também não percebo qual é a ideia de ensinar frações a estas idades. A garota é inteligente e olhava para mim como um burro a olhar para um palácio. Até fiquei preocupada! Eu costumo dizer que são "Insónias dos pensadores". Estão na cama, não conseguem dormir e têm estas ideias fantásticas. 
 
A escola está cheia de exageros, exageros na matéria, nos horários... juntam-se as múltiplas atividades extra e os estudos em casa e os miúdos não têm tempo para nada. 

Se não têm tempo para brincar, para descansar, para contemplar, para apanhar seca, como é que vão desenvolver a criatividade, a autonomia, o pensamento crítico e a reflexão? Cada vez se defende mais que são competências essenciais para aprendizagem ao longo da vida mas depois, na prática, não se dá espaço para nada disso. Têm horários de adulto, compromissos diários, não saem à rua nem brincam com os amigos fora da escola... enfim... desculpe o desabafo, mas deixa-me realmente frustrada. 

A M. é uma sortuda :-) vou buscá-la às 16h, para ela lanchar descansada. Faz os trabalhos de casa em 5 minutos e depois brinca com o irmão e faz o que lhe apetece. Quando posso, trago as amiguinhas dela, mas também são tão ocupadas que não têm tempo para vir brincar. Quanto aos estudos, para já, são uma revisão de conceitos na véspera do teste, ehehheh! Fora isso, quando ela tem alguma dificuldade, pede-me ajuda, como nisto das frações. Às vezes estuda por iniciativa dela, por exemplo, se tem ditado, quer treinar antes para não dar erros, mas é ela que põe os objetivos. Acho que não precisa de mais nada. Quero que ela seja criança e aproveite o tempo livre o mais que puder!

Beijinhos e obrigada,
D.

2 comentários:

Angel disse...

Já ñ há 'tempo' para se ser criança... :(

Fátima Rocha disse...

Estou plenamente de acordo com esta mãe!