11 de outubro de 2004

(in) Justiças!

Hoje decidi-me a abordar um assunto polémico, depois de ontem, numa conversa com professores, ter descoberto, com alguma surpresa, que afinal a minha ideia não é assim tão peregrina!
Cá vai:
Eu acho que os professores, ao contrário do que acontece hoje em dia, não deviam ganhar todos o mesmo.
Eu explico melhor:
Um professor de Matemática, ou Português ou Ciências, etc. devia ganhar mais que os professores de EVT ou de Educação Física e afins.
Para estes o trabalho termina ali, no fim da aula, enquanto que para os outros o trabalho continuará, por muitas horas, em casa ou na escola a preparar aulas e a elaborar e corrigir testes... Já para não falar daquelas alturas em que há exames e mais exames para corrigir! Uns trabalham, outros andam pela escola! Se repararem bem, a maioria dos Conselhos Executivos tem professores de Educação Física. Porque será?
Claro que, para haver diferenciação nos salários também teria de ter havido antes nos cursos de formação: por que carga de água há-de demorar um professor de Trabalhos Manuais 5 anos a formar?? E de Educação Física?? E uma Educadora de Infância? E do primeiro ciclo?
E que dizer das licenciaturas que professores do 1.º ciclo e educadoras de infância andam por aí a comprar? (Perdão, tirar!)
E o que chateia mesmo é que no fim da "licenciatura" continuam a fazer exactamente o que faziam antes, sem tirar nem pôr, só com a diferença de que ganham mais que a colega da sala ao lado?
E os sindicatos vão-se (nos) vendendo por estes "direitos" que eles acham muito justos!! E as verdadeiras reivindicações, de escolas dignas, turmas com um número de alunos decente, um apoio a sério para crianças com problemas e não esta fantochada que hoje existe, ficaram onde? Por isto os sindicatos não lutam, e eu, depois de pensar um bocadito até talvez descubra o porquê! É que a maioria dos funcionários dos sindicatos também são professores que entretanto aproveitaram para tirar a sua licenciaturazita...Ah, e apesar de estarem a um balcão a atender pessoas e telefonemas ganham tanto como os que estão nas escolas a dar o litro, já para não falar nos professores (milhares) que andam por aí, de casa às costas. Realmente a vida custa!
Mas, como quase sempre, custa mais a uns que a outros!
__________________________

E pronto, aqui vos deixo um bom motivo de reflexão para início de semana!
E fico à espera de outras opiniões...

34 comentários:

Anónimo disse...

Pois,realmente é um tema com pano para mangas,mas é assim em muitas mais profissoes!Obrigado pelo teu comentário no http://prutugues.blogs.sapo.pt !E realmente,vou ter muita matéria para publicar... :D

Ass:Xavi

Anónimo disse...

Estamos a começar a semana muito bem...Esta injustiça é enorme como outras que podemos falar. Porque motivo os contratos de trabalho são maiores em Lisboa do que no Porto? Porque motivo o Estado deve aos médicos dinheiro? Porque motivo não se emprega uma mulher grávida? E fiquemos por aqui. Eu continuo na "minha": Temos o que merecemos.

PARTILHAS disse...

Olá Saltapocinhas,
Quanto aos professores de educação fisica, não comento. Não conheço, não tenho a noção. Mas, em relação aos professores de 1ºCiclo e Educadores de Infância, desculpa, mas não posso concordar de todo.
O trabalho extra, que eles executam, não me parece nada que seja inferior ao que outros executam. Mais, um Bom Educador de Infância ou Professor de 1ºciclo é meio caminho andado, para um bom resultado e uma redução de trabalho dos outros professores, que se queixam, que os meninos vão muito mal preparados.
Tenho pena realmente, que se continue a considerar que os Educadores de Infância e os Prfessores de 1ºciclo, continuem a ser vistos, como 2ªcategoria.
E não me parece também que as pessoas devam ser classificadas pelo nº de anos que o seu curso, tem, muitas vezes carregadinhos de disciplinas (cadeiras) que não interessam a ninguém. Não comento as remunerações, não tenho como, não conheço o assunto, ao ponto de o poder comentar. Mas, parece-me que a lei da oferta e da procura não funciona no ensino!
Parabéns pelo tema, é pertinente. E é bom que se criem oportunidades, para todos pensarmos sobre isso.
Beijinhos :-)

carlos disse...

meu caro

é vergonhoso um professor(?) escrever estas enormidades: não conhece, decididamente, a função pedagógica dos educadores de infância e professores do 1º ciclo! desconhece, em absoluto, as suas práticas, as condições de trabalho, os milagres pedagógicos/educativos protagonizados por tantos e tantos em palheiros transformados em escolas! um conselho: conheça o país real! depois, comente...

carlos cravo, professor do 1º ciclo, algures entre Castelo Branco e Sertã...

carlos disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Didas disse...

Sim senhora, grande tema de reflexão. Então aí vai a minha opinião:
Eu por acaso tenho uma filha que é professora de educação física. E um irmão professor de EV. Mas nem é por isso que acho que um professor destas matérias geralmente consideradas menos nobres, se for consciente e profissional, tem tanto trabalho como os outros. Também já conheci profes das outras matérias que não fazem nada por eles abaixo, limitando-se a usar materiais de anos anteriores ou de colegas ou só o livro e lido na altura da aula.
Quanto às licenciaturas à pressão acho que tens razão, eu sou por uma sólida formação de base, o que pode ser no entanto o caso de uma educadora ou duma professora do 1º ciclo.
Também acho justo que na escola se dê mais trabalho na época de exames aos profes de disciplinas que não fazem exames.

SaltaPocinhas disse...

@@ CARLOS: Desculpa responder-te aqui, mas não deixaste link nem endereço de mail. Ou não me expliquei bem ou não percebeste o que quis dizer!
Eu sou professora do 1.º ciclo, conheço tão bem ou melhor que tu o país real (trabalho "lá")e não estou de maneira nenhuma a denegrir nem a minimizar a nossa profissão. Tu concordas que um colega teu (nosso) refastelado num sindicato ou num CAE ganhe tanto como tu a trabalhar em escolas que por vezes de "escolas" só têm o nome? Tu concordas que, um fulano só porque "tirou" (literalmente) uma licenciatura mas que continua a fazer o mesmo trabalho que fazia antes fique a ganhar mais que tu? Nós merecemos o nosso ordenado pelo trabalho que fazemos ou pelas qualificações académicas??
De qualquer modo quero agradecer o teu comentário, volta sempre, mas deixa contacto, pode ser?

polittikus disse...

A vida de um professor de facto em Portugal é triste... O Estado também não ajuda MUITO...

lique disse...

Acho que lançaste aqui um assunto muiito interessante para debate. Eu não estou nesse meio nem conheço ninguém próximo que esteja mas reconheço alguma injustiça em situações que denunciaste. Espero que pessoas dessa área te dêem um retorno melhor que aquele que consigo dar-te. Beijinhos

Anónimo disse...

É verdade, de facto são criadas muitas injustiças numa profissão que envolve objectivos, agentes, contextos e situações tão diversificados... Claro que é diferente lidar com meninos de 3 anos (o que envolve uma enorme responsabilidade, claro!) ou lidar com a responsabilidade de preparar jovens de 12º ano, no limiar de um ensino universitário, às portas dos exames nacionais com toda a pressão de cumprimento de programas e de stress que cada aula implica. É diferente trabalhar numa grande cidade ou deslocar-se diariamente dentro de meios carenciados com alunos mais carenciados ainda... É diferente (e só quem passa por isso, como eu, consegue imaginar!) passar horas - que se transformam em dias - a corrigir e cotar testes de alunos para quem todas as décimas têm o peso de portas abertas ou fechadas no futuro... ou limitar-se a "ocupar" os miúdos x horas por dia, com actividades interessantes que não acarretam aquele cansaço que às vezes se torna insuportável!
São tantas as diferenças... Esperemos que, pelo menos, os alunos valorizem o trabalho que por eles vai sendo feito.
O que é muito mau é que, quando algo corre mal, toda a sociedade está pronta a generalizar - e, de facto, com uma tal multiplicidade a todos os níveis, nunca se pode perspectivar da mesma maneira tudo e todos.
E a prova de que funções diferentes devem ser vistas de modo diferente está no que aconteceu este ano quando o ministério resolveu "meter" no mesmo concurso todos os graus de ensino!!!!! Como é óbvio, para muita gente pouco esclarecida, os professores é que têm a culpa de, a 12 de Outubro, o ano estar ainda longe de funcionar bem!!!

carlos disse...

fiz confusão? não me parece... quanto ao país Real, feliz ou infelizmente, conheço-o bem demais...

visita-me em www.cscravo.blogspot.com

cscravo@hotmail.com

abraço pedagógico...

Anónimo disse...

Tema polémico, mas por isso mesmo deve ser discutido, analisado.Sou educadora de infância há 22 anos...conheço bem demais a realidade do Pré escolar e do 1º ciclo e fui "obrigada" a andar 2 longos anos a estudar para fazer a licenciatura, pois fui ultrapassada por colegas mais jovens e com menos tempo de serviço que eu...enfim...a licenciatura abriu-me horizontes novos, levou-me a reformular ideias, a aprender novas matérias e fiz a minha tese sobre a matemática no jardim de infância...pois também aqui se vive a matemática, se trabalha a matemática...adorei e tanto eu como o grupo de crianças com quem trabalhei beneficiou deste trabalho, deste esforço. Se ao menos o ministério da educação reconhecesse o esforço sobrehumano que o educador faz, e logo a seguir o professor do 1º ciclo...se os colegas que trabalham nos outros graus de ensino olhassem para nós com o respeito que o nosso trabalho merece...enfim...
Ganharmos de acordo com o trabalho que fazemos? Minha cara colega e amiga...grande parte dos professores passaria a ganhar metade do seu vencimento ou passaria a ter consciencia profissional, a interessar-se mais pelo aluno(ser individual, diferente um do outro e com ritmos de aprendizagem diferentes e diversificados), passaria a encarar a profissão com outro dinamismo...é preciso agitar as "águas chocas" da educação, as mentalidades...fazermos algo para dignificarmos a nossa profissão...estou a alongar-me...desculpa...toca-me na pele...Angelis(http://pedevento2004.blogs.sapo.pt)

LetrasAoAcaso disse...

E eis a polémica lançada.
O tema como já foi escrito tem "pano para mangas" e seria necessário dissecar uma série de questões.
Como da "discussão nasce a luz" valeu a pena teres lançado a temática.
Um beijo.

O Turista disse...

Realmente levantas uma questão controversa....
Na minha humilde opinião, que não sou professor, acho que um Professor de EVT ou de Esucação Física não deveriam ganhar menos... penso que um professor de EVT também planeia as aulas assim como o de Educação Fisica e ambos têm trabalho extra... o professor de educação fisica até deverá ter uma preocupação acrescida com a sua forma física já que deve dar o exemplo aos alunos...
Mas enfim isto sou eu a falar!! :)

Bjs,

O Turista - http://www.turistar.blogspot.com/

Cleu Randall disse...

Minha ame é professora e tenho noçao do que ela passa apra preparar suas aulas... fica a noite toda e as vezes vira noite corrigindu coisas ou programando aulas...
bem um professor de educação fisica tbm programa suas aulas..mais concordão comigo que...é soh pensar " .. ahna amanha eu vou dar futebol para meus alunos..." e pronto....fala serio...tbm concordo contigo e acho que os salarios deveriam ser analizadis....Bjus...passe em meu blog
=*

Anónimo disse...

100% de acordo. Nem vou argumentar. É óbvio. (já reparei que o trabalho voltou em força. Andas ausente até do teu blog). Bjos grandes, Formiguinha *****

fernanda dias disse...

Não me atrevo a comentar um assunto que não conheço. Mas se te aflige, é porque alguma coisa está mesmo mal. Beijo grande

José Gustavo Teixeira disse...

Cara colega, sinceramente, não considero particularmente pertinente o tema que apresentou. A questão que coloca, nos termos em que precisamente a coloca, não corresponde à formulação de um problema, mas seria, seguramente, fonte de muitos problemas se as medidas que enuncia fossem implementadas.

A proposta que faz parece-me assentar em dois erros: (1) o da paralaxe, avaliando-se a escola a partir do nicho que ocupamos (a nossa disciplina, a nossa área, as nossas turmas), no desconhecimento completo do trabalho que os outros realizam; (2) o da simplificação, reduzindo a complexidade da organização escolar a segmentos abstractos sem ligação entre si, a uma rede sem nós, se é possível imaginá-lo.

Para começar, as apreciações que faz - na disciplina X não é preciso planear as aulas, na Y leva-se trabalho para casa, todos os CEs têm professores da disciplina Z - são apenas empíricas, estritamente subjectivas e sem qualquer valor para fundamentar um juízo sério. De tal modo que a afirmação segundo a qual os executivos contam, em muitos exemplos, com colegas de certas disciplinas, pode ser considerada tanto do ponto de vista pejorativo, como em termos elogiosos, no sentido em que certos grupos disciplinares são compostos por pessoas com elevado sentido de responsabilidade e de entrega ao bem público. A não ser que considere a gestão de uma escola como um serviço menor, sem mérito e irrelevante, até do ponto de vista cívico. Eu não considero.

O meu primeiro argumento para opor ao seu post reside no seguinte: falar de professores de uma ou outra disciplina tende a discriminar disciplinas e grupos disciplinares, sem qualquer base científica. O trabalho dos professores de educação física, numa escola cujo projecto educativo aposte na educação para a saúde e na promoção de boas práticas nessa área da motricidade, pode ser muito relevante. Trabalhando, eventualmente com professores de Biologia (que na sua óptica ganhariam mais...), só para dar o exemplo. O desporto e a actividade desportiva podem perfeitamente ser estruturantes de uma educação integral - mens sana in corpore sano (se o meu latim não me atraiçoa). O trabalho realizado pelos colegas de EVT e áreas afins, em regra muito desconsiderado, também pode ser inspirador de projectos educativos que apostem nas aprendizagens práticas e na valorização das competências manuais e artísticas. Posto isto, que dizer então? Quem deve ganhar mais, quem deve ganhar menos? Nuns casos as disciplinas têm mais peso na formação do aluno, noutros menos peso... Avalia-se ao quilo, ao metro ou ao litro? Não compreendo, por muitas voltas que dê, a sua questão.

Depois há outro argumento: falar de disciplinas, de departamentos inclusive, é falar sempre de denominações conjunturais. Com a mobilidade que hoje verificamos na organização dos saberes, ninguém pode garantir que ensinar uma tecnologia hoje será o mesmo e terá o mesmo peso dentro de uma década, ou que dois saberes distintos agora, com diferentes configurações disciplinares, não possam constituir dentro de anos uma nova área de formação interdisciplinar. Em face disto, desculpe-me a assertividade, a sua sugestão parece-me pouco pertinente, para além de perigosa.

Para além de que uma comunidade escolar, - e este parece-me o argumento decisivo, - composta por um corpo docente determinado, não se compreende se prevalecer uma análise estritamente disciplinar. O ensino e a aprendizagem, só numa abstracção meramente administrativa, se podem considerar disciplina a disciplina. Um projecto de educação integral, que não retalhe o aluno em funções, nem estratifique o ensino em ‘fatias’, deve poder conceber o ensino como uma comunidade de saber. E nessa perspectiva eu não me considero decisivamente professor de uma disciplina, mas simplesmente professor, com uma visão disciplinar do que pode ser a minha contribuição para a formação dos meus alunos. Entre outros professores eu sou apenas um igual, contribuindo com um saber específico, para um projecto que ou é articulado no aluno ou resulta em fracasso.

Não nego que existam disciplinas, que o saber se encontre objectivamente ‘organizado’ em disciplinas, que os cursos universitários de algum modo reproduzem, mas essa organização, ao nível da formação é meramente instrumental. E a prova prática disto que afirmo é que qualquer projecto abrangente em que a comunidade escolar, uma turma, os professores com os seus alunos, se envolvam, acaba sempre por aproveitar transversalmente de todos os saberes e competências adquiridas. Tal como na vida.

Uma comunidade escolar com professores de 1ª, de 2ª e eventualmente de 3ª, para fazer uma caricatura que a realidade acabaria por imitar, caso a medida que preconiza viesse a verificar-se, seria tudo menos uma comunidade de propósitos. Para não falar das fracções que criaria, entre pessoas da mesma profissão, partilhando os mesmos objectivos, mas em patamares distintos do ponto de vista da motivação. A meu ver o problema não é o de diferenciar em termos pecuniários os professores, discriminando-os por disciplinas, porque isso é sempre uma decisão empírica ou baseada num preconceito. O verdadeiro problema está em fazer de cada escola, com os professores que lá trabalham, com os funcionários, com os encarregados de educação e com os alunos, uma verdadeira comunidade de aprendizagem. Premiando a formação científica antes da antiguidade (mas não desprezando o valor que esta significa) independentemente da sua raiz disciplinar, premiando os projectos que contribuam para resolver problemas, integrando saberes e práticas em vez de os diferenciar numa lógica remuneratória ultra-liberal.

Com consideração.

[publicarei este comentário no blog em que participo, - [paixão da educação] deixando um link para este post]

Anónimo disse...

Cara Saltapocinhas:
Acabei de ler o seu post e não posso deixar de fazer dois comentários. O primeiro é que me parece que deveria ter um pouco mais de cuidado com as afirmações que faz acerca de realidades que não conhece. Parece-me que não é Professora de Educação Física, nem de EVT. Por isso desconhece essas realidades e baseia-se nas suas concepções para fazer afirmações como as de que os ditos professores não preparam aulas, não preparam instrumentos de avaliação dos seus alunos, nem tratam esses dados após a sua aplicação.Devo dizer-lhe desde já que se baseia em concepções totalmente erradas. Em todos os grupos de docência, como em todas as profissões, haverá profissionais competentes e profissionais incompetentes.Os professores de Educação Física e de EVT competentes, asseguro-lhe que planeiam
as suas aulas. Os professores de Educação Física e de EVT competentes, asseguro-lhe, avaliam os seus alunos, criando para isso instrumentos de avaliação de competências, aplicando-os e tratando posteriormente os dados colectados.Os professores de Educação Física e de EVT competentes, asseguro-lhe, participam activamente na vida das suas escolas, nos seus projectos educativos, sendo estes dois grupos disciplinares muitas vezes responsáveis por uma grande fatia dos seus Planos Anuais de Actividades.Por estes motivos parece-me que os professores de Educação Física e de EVT competentes que lerem o seu post se vão sentir insultados pelas suas palavras. Por isso me parece que deveria reflectir bem antes de proferir afirmações sobre realidades que desconhece. O segundo comentário que lhe queria deixar é sobre o que transparece das suas palavras sobre a constituição dos Conselhos Executivos. O Conselho Executivo é o órgão de gestão da escola que mais responsabilidades tem, e consequentemente, é o órgão que mais exige dos seus elementos. Três professores como os outros, que assumem a tarefa de gerir uma escola (que dependendo das dimensões da escola pode assumir proporções enormes), na minha concepção não o fazem para "se baldarem" ao trabalho, antes pelo contrário, assumem um compromisso que lhes irá custar durante três anos muito mais horas de trabalho do que aquelas que os professores, seja de que grupo disciplinar forem, gastam ao todo na leccionação e na preparação das suas disciplinas. Por isso nem toda a gente está disposta a assumir esse tipo de compromisso. Por isso me parece que também eles lhe merecem um pouco mais de respeito, sejam de que grupo disciplinar forem.
Espero que reflicta um pouco no que lhe deixo aqui escrito. Faço-lhe também um convite: apareça cá na Escola, e observe bem com um olhar sem preconceitos. Pode ser que se surpreenda.
J. Félix
Professora de Educação Física
Coordenadora do Departamento das Expressões e Tecnologias da Escola Secundária Inês de Castro.

Anónimo disse...

uau, que grande confusão e troca de ideias originaste por aqui. Eu já cá estive logo no início e comentei mas esqueço-me sempre de assinar...mas sabes quem sou :)
aflores/ailaife blog

Urtiga Benenosa disse...

Bom, este é sem dúvida alguma um tema delicado, por isso, antes de mais, quero felicitar-te pela coragem que tiveste em expôr desta forma a tua opinião.

Eu penso que no sistema educativo, absolutamente tudo está mal. Não sei se concorde muito com essa ideia de diferenciar os salários porque, os professores, sejam de que grupo forem, bem ou mal, trabalharam para o ser, concorreram ao que gostavam, porque se assim não fosse, mudavam de curso ou desistiam. E no ensino, como em qualquer outra profissão, há gente séria, competente e empenhada, como há os idiodas incompetentes chapados.
Para poder diferênciar os professores por categorias e mudar os vencimentos, primeiro, teria de haver uma nova política na educação. Teria de haver uma grande mudança desde a base no sistema educativo e, mesmo assim, não creio que um professor de 1º ciclo deva ganhar menos q os outros todos, ou menos q alguns e mais do q outros. Eu não sou professora, nem estou ligada ao ensino, mas durante quase toda a minha vida fui estudante e sei q as coisas q realmente aprendi e que sei até hoje, foi c a minha professora primária e com alguns (muito poucos) professores no licéu. Depois, na universidade, o q aprendi foi às minhas custas, pq os catedráticos, sabes, preocumpam-se mais com o salário e a posição do que com o ensino.
Enfim, é tudo muio delicado e complicado. Espero q me tenha feito entender na medida do possível. Besitos

SaltaPocinhas disse...

@@ J.FELIX: Eu ao escrever este post parti de dois pressupostos muito simples: primeiro, considerei que só existem professores competentes (!!) e segundo: isto não é nenhum decreto-lei, é apenas uma opinião, escrita num blog (que é uma página pessoal, de opiniões pessoalíssimas).Se der uma voltinha pelo blog vai constatar isso mesmo.
De qualquer forma obrigada pelo comentário, esclareceu-me bastante. A sua escola fica onde?

SaltaPocinhas disse...

@@ J.FELIX: Esqueci outra observação: eu, ao afirmar que nos CE há muitos professores de Educação Física não estou a menosprezar nem uns nem outros. Estou a constatar um facto das escolas que conheço. Daí apenas deduzi que isso aconteça por serem os que têm mais tempo livre. Depois há os que dedicam esse tempo à sua escola (que são muitos) e há também os que dedicam esse tempo aos seus ginásios...

afigaro disse...

Bonito! Já sabia. Os professores têm aquilo que merecem: uma ministra "tia". Nem a mala às costas os cura!Se houvesse a coragem de fazer uma contagem aos livros que os professores lêem por ano, seria uma desgraça. Depois fala-se da pouca cultura do povo e admiram-se que a "populança" veja a "maison das incelebridades"! Tanta quinta que há para cultivar, enquanto tantos, discutem tudo menos as prespectivas para um bom ensino em Portugal. Continuem! Esta ministra ainda está acima de uma maioria de professores. As "tias" ao poder.Já!

fadamagrinha disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
fadamagrinha disse...

Gostaria de dizer que concordo com a salta-pocinhas (clicar ao lado em Fábulas) e com tudo o que diz no seu post polémico sobre educação e quem não gostar que meta uma rolha! E digo mais, há muito boa gente a tirar o meu lugar que não tem qualificação para tal. Existem pessoas que estão no ensino, mais concretamente no ensino de Matemática (parte que me toca!), que têm o descaramento de pedir na secretaria para não ter turmas do 12ºano por não se sentirem à vontade para leccionar! Outros ainda nem curso superior têm, mas estão lá e de lá já ninguém os tira!
E depois fazem-se debates sobre o insucesso na Matemática…e eu pergunto: Porque será?
Podemos até ser muito bons pedagogicamente, mas se não o formos cientificamente, nunca seremos bons professores!

José Gustavo Teixeira disse...

"(...) e quem não gostar que meta uma rolha!"

Acho... (falta-me a palavra)... divertida a expressão, sobretudo no contexto de um debate que não deixou de ser cordial, apesar de intenso. Num tempo em que se questiona a liberdade de expressão qualquer metáfora que envolva "rolhas de cortiça" é sempre potencialmente embaraçosa para quem a utiliza e um pouco revoltante para aqueles a quem a metáfora provavelmente se destina. E quando a metáfora é arremessada por um professor... espero o pior.

Anónimo disse...

Numa democracia, as trocas de impressões e opiniões são sempre saudáveis e enriquecedoras - o importante é que cada um saiba respeitar as opinões alheias, certo de que elas surgem de vivências diferentes e, muitas vezes, de experiências às quais esses "outros" tiveram acesso; podem estar - ou não correctas - mas como a censura (ainda!) não está implantada, não nos cabe a nós punir ou, muito menos, insultar!
O que em mim suscita esta reacção é o comentário do sr. "afigaro". Considero lamentável o tom insultuoso com que interveio no debate - de facto, partiu do princípio de que quem emite um parecer o faz por não ver as verdadeiras (e importantíssimas, de facto!) problemáticas levantadas, hoje, no nosso país, no campo da educação. Ignorou que a própria Salta-Pocinhas nem sequer pretendia "colher louros" quando levantou a questão porque, segundo me parece, é professora do 1º ciclo. Além disso generalizar, afirmar que os professores não lêem(!!!!)ou catalogá-los por programas ridículos de televisão, falar nas "tias" e considerar "merecidos!" os verdadeiros dramas vividos neste momento por tantos professores sérios e dedicados é ofensivo, sobretudo pelo tom sarcástico assumido. E fere os sentimentos de todos os milhares de professores que fazem um trabalho sério, que lutam por objectivos cada vez mais difíceis de atingir, aqueles à custa de quem, nesta altura do ano, as aulas ainda vão funcionando apesar dos erros do Ministério da Educação. São eles que preparam o futuro, os que apostam tudo na preparação dos alunos envolvendo-se com eles, dia após dia, em projectos de formação e de vida que nem sequer são devidamente valorizados!
(Já agora, caro sr. afigaro, a palavra "prespectivas" está mal escrita. A forma correcta é "perspectivas", uma vez que essa palavra é de origem erudita e deriva do latim - a partir da preposição "per" + o verbo "specio", que significa "ver"(portanto, é isso perspectivar: ter uma visão de conjunto, global, a várias dimensões!) E a palavra perspectiva é, como eu muitas vezes explico aos meus alunos, uma daquelas que são mais vezes maltratadas na língua portuguesa!)

Anónimo disse...

Minha cara amiga, como em qualquer profissão ou classe existem os bons profissionais e os maus profissionais, e qualquer professor que seja digno desse nome, ficará muito ofendido com as barbáries que diz. Pelo que diz, não sabe nada do que se passa no reino da educação, ao afirmar que os professores de EVT e Professores de Ed. Física vão para casa sem levar qualquer tipo de trabalho enquanto outros, como os professores de Matemática e Português têm testes para corrigir. Pois estaria muitíssimo mal, por sinal ainda pior que o que está, se o trabalho dos professores/educadores só fosse esse de corrigir testes, deixando todo um processo de planificação de aulas, avaliações, atitudes, formas de desenvolvimento, melhor contextualização, timings, alunos n.e.e. e suas planificações etc. Que eu saiba, não é por artes mágicas que se dá uma aula, por trás existe um processo que desconhece e que por sinal é todo planificado em casa. Também lhe digo, que qualquer professor de qualquer disciplina pode dar testes se achar relevante, pois o que dizem as novas correntes de educação para avaliação, temos que entrar com outros parâmetros que vão muito para além dos testes. Apetece-me dizer isto “Parece-me que ainda não desceram à terra e discutem cada macaco no seu galho a ver qual o galho melhor. Tenham dó do que dizem, e acabem com as baboseiras .Professores de 1ª e 2ª e 3ª e 4ª e por aí adiante, onde já se viu isso!”. Arte por um Canudo

afigaro disse...

Plenamente satisfeito! As minhas provocações uniram os professores:objectivo cumprido.Sinceramente, penso que a vossa classe não merece a ministra que têm. E ela não compreende o papel de "caixeios-viajantes" a que muitos são forçados ao longo da carreira. Paciência, haja confiança no futuro.
Ao sr.Anonymous obrigado pela viagem ao mundo do Latim. Não se esqueça que também encontra na obra de Cícero, pelo menos 2 excepções.Afinal,latim é uma língua morta.
À Salta-Pocinhas as minhas desculpas.Nem sempre se consegue falar das injustiças sem ser injustiçado.
Quanto à leitura "o carapuço só serve a quem o enfia".

Anónimo disse...

Ah, assim é melhor! Bandeira branca, senhor Afigaro!
Efectivamente, num momento de tão graves problemas é importante que as pessoas se unam e tentem ultrapassar a crise, já que há muito a fazer!
Mesmo quando apetecia cruzar os braços, porque os incentivos são quase nulos, a luta pela Educação vai continuar, porque os nossos jovens são sempre o melhor investimento no futuro. É por isso que, como professora, acho que o que é fundamental é saber recomeçar cada dia - e é isso que tantos e tantos milhares de verdadeiros profissionais fazem, apesar de... tudo!
Quanto ao latim... é, para mim, (aliás, tal como a leitura), uma verdadeira paixão! Embora seja língua-morta, é língua "mãe" - e, como tal, continua a ser vital: uma fonte inesgotável de descobertas (não só de Cícero)e uma "arma" fantástica para a compreensão e o domínio da nossa língua. E a etimologia traz-me, de cada vez que a procuro, novas surpresas!
Amistosos cumprimentos (sou nova nestas coisas, ainda não sei se sei assinar!)

afigaro disse...

Só uma correcção sr.ª "Anonymus". Latim língua Mãe? E então onde situa o Grego, para não falar do hebraico e do aramaico? Não vamos "carpir sobre o leite derramado".Todavia, aqui está uma boa discussão para docentes e não docentes, no momento em que os cursos "ditos" de Letras, são abandonados a conselho de muitos, que querem "americanizar" a nossa sociedade, para que cada cidadão seja um robot, que para além de ser especialista numa única coisa, também sabe comer hamburgas.
@@@ Salta,desculpa a invasão da tua toca, mas os objectivos são comuns para todos, parece-me

SaltaPocinhas disse...

@@ AFIGARO e Srª ANONIMA: Continuem que estou a gostar de ler!!

Anónimo disse...

Ah, que surpresa! Tenho andado "longe" destas "vias", atarefadíssima por razões de vária ordem... e afinal descubro hoje que o meu interlocutor voltou a dirigir-me a palavra! E eu sem saber!
E descubro que a D. Saltapocinhas gosta de nos ouvir! Então... olá! Embora esteja com uma certa (muita!)falta de tempo, não posso deixar de discordar do meu amigo Afigaro. Claro que o latim é a nossa língua-mãe, sim senhor! O latim, mais propriamente o "latim vulgar" (assim chamado porque era usado pelas classes menos instruídas, e se distanciava já do latim erudito falado pelos sábios em Roma), foi trazido por comerciantes (mercadores) e militares para a nossa Península Ibérica. Depois há uma longa história de imposições, de invasores, de romanos vencedores; e foi esta língua, imposta aos vencidos e por eles utilizada, que evoluiu e deu origem ao nosso português. É por isso que o Português é uma língua românica ou novilatina, tal como os "seus irmãos" espanhol, francês, italiano, romeno, entre outros! Mas, tal como os seres vivos, as línguas não têm apenas mãe e irmãos - têm muitos outros "parentes"! Já não vou falar do avô Indoeuropeu, porque é muito remoto, mas dos padrinhos: os substratos e os superstratos. Parece complicado, mas não é: o substrato é constituído pelas palavras e expressões que já existiam aqui (há muito tempo, claro, em épocas anteriores à romanização!) e "sobreviveram" à imposição do latim, misturando-se numa nova língua. Os mais importantes são o substrato grego, o ibero e o celta! E o próprio latim trazia palavras já "importadas" aos gregos, que eram muito cultos! (Mas, mesmo apesar de todos os seus vestígios, o grego não é a nossa lingua-mãe). Depois, há outro tipo de padrinhos, a que se chama superstrato - todas as línguas que nos influenciaram e vão influenciando depois da consolidação, deixando as suas marcas. Aqui encontramos, primeiro, o "tio" germânico ( digo tio porque também é língua indoeuropeia!)e o árabe, por exemplo (todos conhecemos as inúmeras palavras de raiz árabe como Algarve, alface, albufeira, oxalá, etc, etc...); mas as influências no nosso vocabulário continuam a surgir e intensificam-se presentemente. Temos marcas de todos os estrangeirismos que vamos assimilando: primos, até irmãos como o francês, hoje em dia, muito, o inglês(sobretudo por causa de todos os tecnicismos ligados à informática) e...sim, tem razão, sofremos uma americanização! No campo do vocabulário não seria muito grave esta submissão; mas o pior é que ela reflecte toda uma mentalidade doentia de procura de poder... e eu não consigo conceber os atropelos aos Direitos humanos a que assistimos, em pleno século XXI, sem podermos fazer nada!!!
Ui, bem se diz que a conversa é como as cerejas! Onde já vamos... E - socorro!!! - eu perdi-me, ainda não jantei, e tenho ainda muito que fazer. Mas gostei de "meter mais uma colherada no diálogo"!
(Ah, ja agora, rebato só mais uma coisinha: o hebraico e o aramaico de que fala são línguas semíticas e pouco têm a ver com a evolução da nossa Língua).
E já agora, como estou a monopolizar a toca da Saltapocinhas, vou assinar com o nome com que ela me "baptizou".
Cumprimentos da Senhora Anónima