11 de outubro de 2005

Inglês para todos? Será?

Muito antes do 1.º ministro ter a ideia do inglês no 1.º ciclo já havia muitas escolas que o ofereciam como actividade extra curricular.
Lembro-me das escolas de línguas andarem pelas escolas do 1.º ciclo a tentar angariar alunos. Formavam uma turma desde que as escolas dispusessem de um espaço e inscrevessem um mínimo de 15 alunos.

Em Aveiro, na escola da Glória essas aulas funcionavam das 15:45 às 16.45, custavam 30€ por mês e quem as dava era a International House.
Por isso, grande parte dos alunos que iniciaram este ano o 3º ano de escolaridade iriam iniciar o 3º nível de inglês, e os do 4º ano o 4.º nível.
Quando o ministério decreta que as entidades se organizem para leccionar o inglês, a escola da Glória optou por fazer o acordo com a International House com quem até já estavam a trabalhar.
Só que, nas instruções do ministério fala-se em "iniciação" e a International House está a levar isso à letra.
O que acontece agora a estas crianças é que têm direito ao inglês gratuito, sim, mas apenas se quiserem assistir às aulas de iniciação!
Quem está num nível mais avançado não tem direito a aulas de inglês que lhe interessem!

A International House, sempre atenta e prestativa propôs então aos pais o seguinte: as crianças que querem continuar o inglês no nível em que estavam podem ter na mesma aulas no horário pós lectivo, que agora passou a ser depois das 17:30!
E, é claro, a pagar 30€ por mês por estas aulas que, sendo em horário extra lectivo, não são abrangidas pelo programa de inglês do governo.
Prático, não?

Propõem ainda como alternativa o horário antigo - 15:45 às 16:45 - nas instalações da International House, pela módica quantia de 60 € por mês!!
E o direito que estas crianças deviam ter ao inglês gratuito?
Ficou onde?

14 comentários:

Miguel Sousa disse...

curiosamente numa dessas primárias que irão ter ingl~es estão os meus filhos-...e todos os dias de manhão levam o seu almoço e mais um para alguém que terá ingl~es na escola, mas não uma refeição decente. Não que me custe fazer uma refeição digna (era alimentada com pão duro), faço-o com muita alegria por ajudar e muita tristeza por esta ser a verdadeira realidade de um país pobre armado em rico. Desculpa o desabafo, mas vivemos num pais de merda governado por gente de .... desculpa mais uma vez

José Gomes disse...

Mas isso é mesmo obra do país onde tivemos o azar de aterrar.
País pacato, pequeno e sem sangue na guelra!!!
E o chico esperto enriquece à cuta do "deixa lá! Não te rales!".
Isto do ensino vai de mal a pior...
E se os ciclos históricos se repetem estamos a cair na mesma situação que antecedeu a queda da primeira república.
Depois não digam, oh tio, oh tio!!!
Cada povo tem aquilo que merece... pena que que não merece, também irá na mesma onda!!
Um abraço

ML disse...

É de facto o absurdo de um sistema que não pervê adaptação a situações diferentes. Se há universo onde cada caso é um caso é o universo do ensino! Deveria haver directivas gerais, mas depois haver liberdade para em cada situação se puder adaptar a directiva. Esse caso é de bradar aos céus!!!

ml disse...

Upss! Isto de escrever depressa e com vários dedos faz acontecer situações de troca de letras... É claro que é prevê, e não pervê! Sorry, como diriam agora os meninos mais sabedores da língua britânica!

peciscas disse...

È claro, colega, que nós, que estamos "no terreno" sabemos como as coisas funcionam (ou não funcionam) para além dos discursos politicamente correctos, que ficam muito bem na fotografia.
É por isso que hoje, lá no meu Peciscas, tenho um post a convidar os "profes" a deixarem os seus testemunhos sobre a realidade que se está a viver actualmente nas escolas, através de um outro blog que é especialmente dedicado a temas da EDUCAÇÃO.
Este teu texto bem se poderia incluir nesse âmbito. Por isso, convido-te a passares por lá e, com este testemunho ou com outro, contribuires para a divulgação da tal realidade.

Varela de Freitas disse...

Bom dia!
Já deixei uma mensagem aos teus meninos (os meus "meninos" entre os 13 e os 47 devem ter apreciado a tua...).
Compreendendo os desabafos, não achas que se só virmos o lado mau das coisas estamos a ser tão injustos como quando só queremos salientar o lado bom?

Didas disse...

It's all fucked up!

Miguel Sousa disse...

A questão, Sr. Professor, é que a mim ainda ninguém me provou ser fundamental começar com inglês no 1º ciclo...tenho sérias suspeitas que o verdadeiro objectivo seja ter os meninos com bábás (leia-se professores) enquanto os papás trabalham.

Kalinka disse...

Lamento ir contra o que alguém aqui escreveu, mas nesta situação «só podemos ver o lado mau da coisa...» porque haverá situações em que poderemos ver os dois lados, o mau e o bom...acredito e aí não devemos ver SÓ o LADO MAU...
mas, para os pais que andaram 2 anos a pagar (mensalmente) na International para os filhos terem algumas luzes da língua inglesa, enquanto os outros pais simplesmente nem se preocuparam com o assunto...agora os pais que nunca nada fizeram para que os filhos tivessem algum conhecimento nessa área ficam priveligiados aos outros, quer dizer, tanto os pais como os filhos, estará isto correcto?

Este «triste País com tão incompetentes governantes» só SABE DESMOTIVAR AS PESSOAS...

mfc disse...

Surpresa?? Nem por isso.... negócio é negócio! Irra...

Mocho Falante disse...

Já começou o oportunismo português... era o que eu temia

MF disse...

Mas isto é dizer mal só por dizer!
Então vamos por partes. Vai haver Inglês gratuito ou não? Vai haver.
Há alunos que o vão frequentar no nível elementar? Vai haver, também.
Os alunos cujos paizinhos já pagavam aulas extras de outro nível podem continuar a ir a essas aulas que os pais pagam, ou passar a frequentar as que nós os contribuintes, pagamos. Qual o problema?
O Ministério tem alguma coisa a ver com as actividades extracurriculares que os pais podem proporcionar aos filhos ?
A lei é geral para todos e não pode atender a casos individuais.
E basta pensar na variedade de outras actividades extra curriculares que cada um pode eventualmente fazer ou desejar.
Finalmente é preciso que se diga que as aulas de inglês no ensino básico NÃO SÃO OBRIGATÓRIAS MAS FACULTATIVAS. Só lá vai quem quer!
Conviria falar do que se conhece para não fazerem estas figuras.
Obrigado

Leonoretta disse...

nao perguntes margarida. nao faças perguntas dificeis, tu tens ca uma mania...

beijinhos da leonor

afigaro disse...

Pois, meninos especiais com programas especiais?...