29 de janeiro de 2006

... e professores-a-horas

Eu sei que hoje é dia de fotografia, mas não podia deixar escondido nos comentários este desabafo de uma professora, como tantas deste país, que tem um horário incompleto.
Mais uma prova de que se querem fazer omeletas sem partir os ovos e de que esta ministra não está a ir pelo caminho certo...
Os ovos vão partir, se não for a bem vai ser a mal, porque da maneira que as coisas estão é que não podem continuar!
Há professores a mais?
Então tenham coragem e fechem as escolas de formação de professores!
Pelo menos não criam falsas ilusões a pessoas que tiraram cursos especificamente para dar aulas e trabalham agora nas caixas dos hipermercados ou são mão-de-obra-barata que fazem trabalhos especializados (mas mal pagos e precários) para editoras!
E agora o comentário da PN:

«Ultimamente tenho ouvido tanta coisa, tenho visto tanta coisa, tenho lido outra tanta que me desgosta, me desmotiva e me deixa quase à deriva sem saber ao certo o que fazer.
Afinal ando a investir numa profissão que me querem praticamente impedir de exercer.
Na escola vejo os colegas desmotivados, cansados, a entrar na escola às 8 e meia e por vezes a sair às 8 da noite, a serem obrigados a faltar para poder fazer algo que é trabalho para a escola como corrigir testes, a roubar o tempo com a família para planificar aulas.

E no meio destes professores cansados e sobrecarregados, estão professores de part-time, como eu que não sabem se irão ter alguma hipótese de trabalhar a tempo inteiro algum dia ou se será preferível deitar fora 10 anos de investimento e um sonho.»

6 comentários:

PN disse...

Quando escrevi aquele comentário, estava longe de imaginar que o viesses a usar num artigo. Infelizmente tornámo-nos no bode expiatório do Governo. Há dinheiro para pagar pensões chorudas, não há dinheiro para pagar aos professores, esses grandes malandros gastadores dos recursos da Nação!

Wakewinha disse...

Por favor, senhoras enraízadas na profissão, não esquecer por favor que agora, se se quer fazer um estágio em ensino, que é o meu caso, tem de se trabalhar de graça! Eu sou obrigada a cumprir 22 horas de serviço na escola (entre aulas, apoios, seminários e clubes), e para além disso tenho todo o trabalho de bastidores necessário num estágio! Fazem-se coisas com uma frequência brutal, que nunca serei feitas senão uma ou duas vezes por ano. Observam-se aulas, comentam-se, aborrecemo-nos porque somos demasiados em cada núcleo! Enfim, somos mais balão de ensaio do que seres humanos, mas isso o que importa? Entretanto vamos trabalhando de graça e a fazer sabe lá Deus o quê para arranjar dinheiro para as fotocópias para dar nas aulas aos meninos!!!

Joana disse...

Vim cá ter pela mão do Mixtu.
Não sou professora. Mas compreendo este grito mudo! O problema, é que não acontece só com os professores, neste momento tudo e todos servem para "bode espiatório", uns mais que outros.
Os nossos politicos esquecem-se que já estiveram sentados nos bancos da escola...[será?].

Aveiro...talvez o destino me leve até ai...de preferência sem ser atrás de um balcão de hipermercado.

O Turista disse...

deve ser muito mau... uma pessoa tirar um curso para dar aulas, e algumas nunca sequer têm chance...
enfim... :(
Boa Semana!

O Turista - http://turistar.blogspot.com/

Didas disse...

No ensino, como em tantas outras profissões, o mercado tem excesso de profissionais. Quem opta por essa via tem que estar consciente disso e também do risco de ir parar a uma caixa de supermercado. É a lei da oferta e da procura, não há nada a fazer.
Tenho uma filha a dar aulas com horário incompleto. Tem outro(s) empregos diferentes e não se incomoda nada com isso. Está viva e de saúde. A choraminguice é que é um mal nacional que até incomoda.
E muitas classes sofrem desse mal, não são só os professores.
Desculpa não concordar contigo desta vez, espero que não me barres a entrada quando eu for visitar os golfinhos este ano lectivo. :P

Dare Devil disse...

Não, não é assim que lá vamos...
Os professores têm razão em muitas coisas, mas quem se ouve são apenas "seus representantes".
Concordas com o que defendem para ti?
As escolas de formação de professores, economistas, médicos, biólogos, 'you name it'... deverão formar quem quiser seguir esses cursos. Não é lícito esperar que o Estado forneça empregos a cada um, no seu curso preferido, também não é licito ao Estado impedir um cidadão livre de escolher o que quer.
Cada escolha tem consequências (Adão que o diga) e ate´quem sabe encontrarás o teu sonho algures fora da tua formação académica?
Apenas como teasing, gostava de ouvir a opinião sobre um assunto: se cada vez há mais professores (e há as estatisticas do ME são claras ) porque é que as turmas estão sobrecarregadas e porque é que não há professores de apoio no 1º e 2 ciclo e porque é que são os professores que ja cumpriram o seu horario lectivo que fazem prolongamentos e, e , e...
Cumprimentos e felicidades para ti. E lembra-te depois dos meus amigos as pessoas de quem me lembro sempre são dos bons professores que tive - não os porreiros, os BONS - ensinaram-me o que tu também sabes - SABER, FAZER e ESTAR - a minha vida é também um pedacinho deles.