15 de janeiro de 2007

Debatemos ou só nos batemos?

Na quinta à noite assisti a um debate no âmbito do Debate Nacional Sobre Educação, organizado pelo meu Agrupamento.

Tendo em conta a dimensão do Agrupamento, estavam presentes bastantes pessoas, apesar da hora, do frio, do dia da semana, das novelas...
Não havia representantes das autarquias locais, o que mostra mais uma vez - como se isso fosse necessário - a importância que é dada à educação por estes órgãos (ou melhor, pelas pessoas que lá estão a representar o povo!)
Mas havia bastantes professores e pais, o que prova que há pessoas interessadas em procurar o rumo mais certo para vencer a batalha da educação.

O problema destes debates é que as pessoas que falam são poucas e falam muito.
Os pais falam dos seus problemas como pais, os professores falam das suas dificuldades como professores, o que torna o debate mais monólogo que diálogo.

Os pais queixam-se que a escola não lhes dá a devida atenção e queixam-se dos recados que os filhos trazem nas cadernetas, das notas.
Para eles os filhos são sempre inocentes e incompreendidos.

Os professores queixam-se que têm alunos a mais (como se podem conhecer razoavelmente os pais de mais de 100 alunos? Ou até os alunos??), e queixam-se do comportamento dos alunos: falta de respeito pela escola e pelos professores, pouco esforço para aprender, falta de perspectivas de vida, falta de ambição.

É muito difícil tirar conclusões num debate onde todos têm razão: os pais, os professores e os alunos - que não são nem tão inocentes como os pais os pintam, nem tão mal comportados como alguns professores os consideram...

14 comentários:

m@nelito disse...

fiquei sem palavras... mesmo...

parabéns pelo blog...

:)

Anónimo disse...

Deixa lá, com o novo estatuto e os mega-agrupamentos tudo se resolverá.

Anónimo disse...

acho que antes de mais há uma questão pertinente que todos nós nos devíamos colocar: quando é que o comboio descarrilou?
a escola, os alunos, os pais e mesmo os professores não foram sempre assim, como são actualmente, houve um caminho pelo qual se enveredou e que levou ao actual estado de coisas.
não sou mãe, os meus tempos de aluna há muito que já lá vão, e também não sou professora, mas parece-me que quando só avaliando o porquê das coisas é que se chegará a soluções concretas.....

SaltaPocinhas disse...

Obrigada,Manelito, mas não precisas exagerar!! ;)

José António: tem mesmo de ser resolvido, de uma maneira ou de outra!

As coisas não estão tão másfabula que não tenham conserto...
Ou então sou eu que sou optimista!

josé palmeiro disse...

Gostei da tua reflexão.
Da minha experiência, que na listagem, teria umas quantas posições, quer por mim próprio quer pela minha mulher, que como educadora de infância, teve várias experiências, desde o directo ao ensino universitário, dizia eu que concordo com a reflexão. É assim mesmo, todos têm a sua razão, e todos falam e o pior é que só se ouvem a si próprios.
Há que dar a volta mas, se era difícil no passado, mais difícil será agora, quando os poderes têm a atitude que têm. O central o que se sente, o autarquico, pela ausência e desconhecimento.

PN disse...

O problema é os membros da comunidade escolar se sentirem em campos opostos. Eu gostava muito que essa "guerra" que de certo modo se instalou terminasse, até porque há casos de sucesso em que o empenhamento de todos dá grandes frutos. Um pai na reunião de pais disse-me uma coisa que de certo modo me chocou: perante os problemas de comportamento dos alunos uma antecessora minha terá dito que a escola preferia resolver esses problemas internamente. A mim parece-me que todos têm uma palavra a dizer. Os professores não têm que recear os pais, os pais não têm que recear os professores e os alunos não têm que recear uns e outros. Todos têm apenas de se saber respeitar.

SaltaPocinhas disse...

Tens toda a razão PN.
Estamos todos do mesmo lado, todos queremos o sucesso dos alunos, devíamos estar mais unidos, pais e professores.
Mas sabes que há pais muito broncos... e professores também!

didas disse...

Esses debates costumam ser como discutir o sexo dos anjos. É de perder a pachorra.

Hindy disse...

Bela imagem! Esperemos que os nossos meninos não se lembrem dessa desculpa!

Beijinhos :o)

Arte por um Canudo 2 disse...

Cada um por si tem as suas razões de queixa, mas todos têm culpa na forma como a escola está.Pelo que vejo continuam a ser as autarquias os mais distantes destes diálogos em pról de Educação, mas continua a ser nelas que o governo deposita confiança ao ponto de querer entregar o sistema de ensino às autarquias.Até lá veremos o que muda.Bjs

Nilson Barcelli disse...

Pois, a educação é um problema....
E a redução do nº de professores que se falou estes últimos dias? Será boa? Eu não faço ideia, mas parece que na Europa é assim que fazem, muito embora os professores, ao que parece, tenham melhor preparação...
Beijos.

aflores disse...

Mas hoje é dia de dar os PARABÉNS, pelo excelente trabalho que tens feito nos GOLFINHOS!

Angel disse...

E agora esta proposta de concentrar num único professor do 2º ciclo as áreas principais, coisa q já acontece no 1º ciclo? Será q vai ser bom ou mau? Parece-me é q vai continuar mts professores no desemprego se isto acontecer... :(((

Anónimo disse...

Se houvesse mesmo uma alma portuguesa vencedora tudo se resolveria.
Lá na escola discute-se as vantagens que será ter o primeiro ciclo no mesmo edificio. Fala-se em trabalho de equipa entre os professores mas é tudo treta.

Porquê?
Porque a escola já é uma 2,3 e S e não há esse trabalho de equipa...