23 de dezembro de 2004

O meu Natal

Mal começavam as férias do Natal lá rumava eu e a minha irmã para Vale de Cambra onde vive todo o resto da família.
Os dias antes do Natal eram poucos para tanta brincadeira, para apanhar o musgo, fazer o presépio (enorme, por cima da lareira da casa dos meus tios), ir à igreja assistir às cerimónias próprias da época e sei lá que mais!
A noite de consoada era uma festa: pai, mãe, avós, tios e primos juntos numa mesa farta de bacalhau com todos. Para a sobremesa rabanadas, mexidos, bilharacos, pão-de-ló, leite creme, bolo-rei...
No fim de jantar os mais novos declamavam poemas e cantavam, enquanto os mais velhos jogavam às cartas e conversavam à lareira.
Antes de nos deitarmos (desta vez excepcionalmente depois da meia-noite) havia o ritual de perfilar os sapatos todos à beira da lareira.
No dia seguinte de madrugada lá estávamos nós a ver o que nos tinha caído no sapato. Nada de especial se comparado com a fartura de hoje: meia dúzia de chocolates (guarda-chuvas, carrinhos de chocolate, uma tablete da Regina... Quem se lembra?). Costumava haver também uma boneca de plástico (não tinha cabelo, não falava, muito menos fazia xixi!) e algumas peças de roupa.
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Se comparado com a quantidade de prendas que recebem a maioria das crianças de hoje, parece um Natal pobre...
Mas não! Aquela boneca pindérica a quem eu arrancava os braços e as pernas dois ou três dias depois, dava-me mais felicidade que as carradas de brinquedos que as crianças recebem agora, escolhidas e listadas dos milhentos folhetos que já vêm prontos dos hipermercados, faltando apenas pôr o X onde interessa!
Não quero dizer que as crianças de agora não sejam felizes, mas no meio de tantos brinquedos, acabam por não ligar a nenhum... E acabam também por não dar valor nenhum ao esforço que os pais fazem para lhes dar o que pedem, pois muitos escondem dos filhos esse esforço como se de uma vergonha se tratasse...
...
E, depois, há aqueles que nem dinheiro têm para uma refeição decente!
Mas desses não falo hoje senão o AFlores vem aqui ralhar comigo... :-(

22 comentários:

fadamagrinha disse...

ah! ah!...ainda vou a tempo de comprar a boneca:)...talvez uma barbie...não?!
Beijos

SaltaPocinhas disse...

@@ FADINHA: Livra-te!!!... a não ser que prefiras jantar lá fora!

PARTILHAS disse...

Minha Querida,
Ontem ao espreitar a loja dos trezentos/chinês ali do fundo da Rua. Vi um conjunto de chá de loiça, muito pequenino, que quando menina, fazia as minhas delicias... já era chinês na altura, tudo pequeno e tosco. Eu amava. Tive vontade de comprar para me oferecer. Depois de te ler. Estou com uma vontade monstra de lá ir.
Toma lá mais uns beijos, de um Natal à antiga. Pindérico?! Pois que seja, desde que seja Nosso.
Feliz Natal.

manuel cabeça disse...

saltapocinhas, prezada e jovem colega
da planície alentejana para o mar de Aveiro para além dos abraços, votos de um SANTO E FELIZ NATAL
(ai que saudades dos ovinhos moles, ai, ai;)

Grilinha disse...

Feliz Natal com muitos doces, muito calor no coração e o sapatinho com muitas prendas. Eu sei que se deve desejar paz, Amor etc etc .... mas tb temos que entregar os presentes que comprámos :)

Å®t_Øf_£övë disse...

Passei por cá para desejar um Bom Natal.
Bjs.

DP disse...

Feliz Natal, Fábulas. Que seja extensivo a familia, amigos e leitores deste blog.
Do Agostinho "Arte por um Canudo"

Guilherme disse...

Tenho certeza que a boneca pindérica deixou muitas lembranças.
Todas boas.
Coisa boa conhecer o Fábulas !
Li tudo e adorei.
Mas volto, com certeza.
Posso indicá-la lá no Em Questão ?
Para mim será um prazer.
e obrigado pela visita,
guilherme

Miguel Pinto disse...

Bom Natal para ti e para os teus Saltapocinhas.

Anónimo disse...

Fez-me tão bem e tão mal ler o que escreveu a minha prima... Também tenho tantas saudades! E este post fez vibrar em mim uma corda de nostalgia...
Parece--me sentir ainda o cheiro próprio - de pinhas, tronco grande na lareira a crepitar, canela das sobremesas - que nos fazia transbordar de alegria, o nevoeiro claro e cerrado que subia do rio com aquele sabor próprio, frio e molhado; e os outros chocolatinhos - que não referiste - num pequeno maço mágico, brilhante - as tabletinhas vermelha, azul, amarela, verde e branca, atadas com um fio minúsculo de seda! E o jogo das prendas? E as cumplicidades partilhadas?
Obrigada por me teres feito companhia na emoção da infância revisitada!
Um xi-coração do tamanho do mundo: Gracita

MWoman disse...

Hoje só para te desejar um feliz Natal. Beijinhos.

JesusRocks disse...

Ai as tabletes de chocolate da Regina!! Se me lembro! Agora andam a comercializá-las outra vez e sabes o que descobri? O sabor ainda é o mesmo. O mesmo já não se pode dizer de algumas coisas que já não se fabricam, como uns chupas redondos e achatados, de várias cores que sabiam tão bem... e uns biscoitos de cacau redondos com uma face achatada e outra em espiral, que já não encontro em lado nenhum... vá lá que ainda não acabaram com os rebuçados flocos de neve. E por falar nisso, vou buscar um, hihihihi.
*beijocas natalícias*

Maria Papoila disse...

Não posso queixar-me dos Natais de quando era criança. Desejar-te um Feliz Natal com muita saúde paz e prendinhas. bjs
P.S. Os chocolates da Regina eram óptimos :D

Pauxana disse...

Só passei para te desejar um feliz Natal.

floreca disse...

Feliz Natal :-)

bertus disse...

...quase ia jurar que já te tinha mandado as Boas Festas por esta via, mas pelos vistos...
Agradeço os vostos e retribuo. Que tenhas um óptimo natal na companhia dos teus e que 2005 seja o melhor possível...
Intés!!

Paulo Lopes disse...

Um Feliz Natal para si, saltapocinhas, junto dos seus e das suas :-D P.L.

Guilherme disse...

Saltapocinhas, muito obrigado por seus votos !
Espero que você tenha muitos momentos de felicidade e PAZ.
Hoje e SEMPRE.

um abraço,

guilherme

Anónimo disse...

Um Natal muito, muito feliz! :) Que possa ser também mais justo e distribuído por todos :) Beijo enorme para ti :) Carla (papoilas)

afigaro disse...

Só para dizer estou como a Maria Papoila!Tá?...continuação de um tempo muito calmo. Eu nestes dias, como referi no "manuelinho", estou em tempo de reflexão e mais com a família. Faz bem!

AnaP disse...

O meu natal era muito fixe quando era miúda! (desculpa usar a expressão "fixe", mas acho que quando se volta à infância há aquela coisa de usar linguagem de criança...). Era a família reunida, a comidinha boa, os doces e era aquela noite que passava tão devagar... nunca mais era meia-noite! Hoje ainda gosto do Natal, mas não me sinto ansiosa por prendas. Apenas quero estar com os meus entes queridos e vê-los bem. Essa é a prenda melhor para mim. Um beijo e um Natal muito feliz!

Anónimo disse...

Helooooooo;) o aflores vem ralhar contigo? Quando, quando? Vá lá, não sejas mázinha...eu não ralhei contigo. Eu até sou bom mocinho, não digo mal de mim a ninguém;)e quanto ao natal...ainda hoje continuo a receber chocolates (claro que me lembro da Regina)e algumas peças de roupa :):) Beijinhos do aflores/ailaife blog