21 de dezembro de 2004

(in)Justiça social

Na televisão contam a história de uma família de 7 pessoas que tem 20 euros para viver até ao final do mês (Natal incluído, claro). Nessa família há uma menina que faz hoje 12 anos e diz que embora saiba que não vai ganhar nada no Natal, só gostava de ter uma prenda... A mãe diz que gostava que o dinheiro chegasse para pôr comida na mesa...
Noticiário das 20 horas, SIC

«Vou passar o Natal na minha casa (...) sem grandes cerimónias. Vai ser uma cerimónia simples, vou decorar a casa com coisas simples e não vou deixar de ir a Paris comprar os ingredientes, que em Portugal não existem, para a minha ceia de Natal. Vou lá comprar sobretudo trufas, fígados frescos de ganso e os mais variados tipos de cogumelos.»
Entrevista a Herman José na "Dica da semana"
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Há 30 anos houve uma revolução (a tal dos cravos).
Uma das coisas que se prometia (e em que eu ingenuamente acreditava por achar era assim que devia ser) é que, daí para a frente, haveria uma coisa chamada "justiça social".
Porque será então que os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres??

11 comentários:

JesusRocks disse...

Há uma grande disparidade entre os mais abastados e as pessoas carênciadas. Esses dois fragmentos ilustram esta realidade.
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No entanto, não nos podemos deixar induzir por falsas ilusões. O Ser Humano consome, actualmente, 3 vezes mais recursos do que os que a Natureza tem capacidade de repôr. Assim sendo, mesmo que se dividisse toda a riqueza do mundo equalitativamente por todos os seus habitantes (o que redundaria no colapso da Economia Mundial e consequente colapso das indústrias que nos abastecem de bens; tanto os essênciais como os acessórios), não passaria muito tempo até que alguns povos deixassem de ter meios de subsistência, porque há povos que apenas têm o que comer porque outros produzem alimentos e os vendem no mercado livre.
*
Repartir a riqueza por todos não resolve o problema. O exemplo do Herman José não é nada feliz, uma vez que é dos poucos portugueses da classe alta que paga os impostos devidos (uma forma justa de repartir a riqueza). Isto já para não falar nas várias estruturas de apoio a pessoas carênciadas que beneficiam das suas [do Herman] contribuições anuais (que também servem, naturalmente, para amenizar a carga fiscal - mais um exemplo de repartição da riqueza).
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A utopia é um bom guia, não um caminho.

JesusRocks disse...

Injustiça, injustiça, foi eu não ter deixado os meus votos de um Feliz Natal e de um Novo Ano 2005 cheio de felicidade e boa disposição.
*beijocas*

Anónimo disse...

Só acordaste agora? Vá lá...abre bem esses olhinhos lindos e está atenta. Eu continuo a acreditar na tal revolução, mas é Natal e vou deixar essas coisas para depois das festas. Um beijo grande. aflores/ailaife blog

Didas disse...

O que está mal não é o Herman ir comprar fígados a Paris, por mim podia ir até a Tóquio.
O mal é o resto, claro.
Feliz Natal.:o(

SaltaPocinhas disse...

@@ JESUSROCKS: Não estava a falar da fome no mundo, pois para isso não dava um post nem talvez um blog inteiro. Mas eu sou das que acredito que é possível acabar com a fome no mundo: basta que se canalize tanto esforço para isso como o que se canaliza para as guerras...
Limitei-me a constatar um facto que me chocou porque foi quase simultâneo: enquanto ouvi aquela notícia, estava com o jornal na mão e li aquilo acerca do Herman. Também gosto muito dele, deve ganhar muito dinheiro mas também trabalha muito (e bem!). Só podia evitar essa exposição de vaidade oca!! Pior são os que ganham infinitamente mais sem fazerem nada de útil para a sociedade, os que fogem aos impostos, and so on...
A justiça social tem de ser feita pelos governos, cobrando os impostos a quem ganha muito para criar infraestruturas que ajudem os que nada têm. Cada um de nós pouco resolve! E eu sou muito céptica em relação à pobreza, conforme ainda escrevi há dias: há gente que vive na miséria porque não quer trabalhar (conheço casos, não estou a falar de cor...) e esses, apesar de não merecerem ainda recebem ajudas...

SaltaPocinhas disse...

@@ DIDAS: O mal é haver fígado de ganso à venda seja onde for... Quanto ao resto até pode fazer um bacanal à moda de Roma!!

Paulo Lopes disse...

De facto, Margarida, o contraste é revoltante... só me dá vontade de imigrar...:-[ Será fácil conseguir trabalho na Suécia? ;-D Grand'abraço. P.L.

M.P. disse...

Feliz Natal! Que seja passado com muito Alegria junto aos que te são mais queridos! :)**

afigaro disse...
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JesusRocks disse...

Saltapocinhas:
As nossas opiniões sobre este assunto complementam-se e convergem no mesmo ponto - a situação está mal e temos que fazer algo para a alterar.
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No entanto, ao contrário de ti, que tens esperança na possibilidade de se acabar com a fome no mundo, eu sou muito céptico em relação a isso. O caminho para acabar com a fome no mundo é complicado e provavelmente, éticamente desumano, já que o controlo de natalidade teria que ser implementado de uma forma rigorosa e implacável (mais ou menos como fazem da China). E o mundo ocidental ainda não está psicologicamente preparado para isso (além disso essas medidas, que teriam principal incidência em África, iriam colidir com os direitos de soberania de todos os países africanos). Estás bem a ver o que é preciso mudar para acabar com a fome no mundo? Ufa!!

O Turista disse...

Desejo-te um Feliz Natal, e um 2005 com tudo de bom!!
Beijocas!

O turista - http://www.turistar.blogspot.com