21 de abril de 2008

A entrevista da Ministra

Foi ontem, ao Correio da Manhã, mas só hoje tive tempo para a ler.
Dela, destaco estas pérolas:

"os chumbos são uma forma de facilitismo para resolver os problemas dos alunos com dificuldades, porque os deixa entregues a si mesmos."
"em minha opinião, a repetência ou o chumbo é o elemento mais facilitista do sistema educativo. É a coisa mais fácil. O aluno está com dificuldades, fica ali num cantinho da sala e no final do ano repete. Isso é o que há de mais facilitista no nosso sistema."

- não sei se é maldade ou apenas ignorância, e acredita mesmo no que disse.
De qualquer maneira isto é falso!
Os alunos mais fracos são, numa turma, os que mais trabalho exigem dos professores.
A cena dos meninos "burros" abandonados na sala ( e não era no cantinho da sala, mas ao fundo...) existia há 40 ou 50 anos atrás!
Actualize-se!

"a avaliação, que no anterior modelo não tinha qualquer consequência em termos de progressão na carreira."

- mentira: quem não apresentasse o relatório ou não tivesse os créditos necessários não progredia na carreira!

"havia os professores mais experientes, mais graduados e melhor remunerados mas isso não correspondia a nenhuma responsabilidade."


- ai não?
Então quem coordenava as escolas, quem pertencia a pedagógicos e a assembleias de escola? Seriam os mais novos?

"A razão [dos chumbos aos 7 anos] são as dificuldades com a leitura. São crianças que aos sete anos não aprendem a ler com a desenvoltura da maior parte das crianças. O que era preciso não era chumbá-las. Era no momento exacto em que se percebem as dificuldades superá-las com mais trabalho. Com outras estratégias."

- aqui realmente não sei se ria se chore...
Podia talvez desafiá-la a pôr a ler em 1 ano lectivo muitas crianças que eu conheço!

"Uma das medidas mais importantes que tomámos foi a das aulas de substituição. Reduziu muito a indisciplina."


- esta é mesmo para rir, aqui não há dúvidas!

"É por isso que eu sou defensora da municipalização de uma parte do ensino porque os municípios têm condições de ter políticas para as escolas. Os autarcas são responsáveis de todos os sectores e podem ter políticas mais amigáveis para o sistema educativo."


- esta só pode ser para assustar o pessoal... como a história do papão que se contava às criancinhas para comerem a sopa.

"Com menos dinheiro, menos pessoas conseguiu mais resultados. Isto é verdade?
- É verdade."


(sem comentários)

9 comentários:

Graça disse...

Já tive essa entrevista à minha frente, mas ainda NÃO TIVE TEMpO para a ler... Porém, no meio de tantas e tantas e tantas mentiras que têm sido ditas pela referida senhora e pelos seus secretários, já nada me espanta!!!!!
É tão triste, não é?

Peixoto disse...

Como é que um jornalista consegue fazer uma entrevista deste nível com tanta parcialiadade???
Vergonhoso!

Angel disse...

Eu ouvi a parte dos chumbos na rádio e nem queria acreditar! Facilitismo?! Passar todos os alunos de ano, metendo os bons, os menos bons e os que nada sabem não é facilitar, pois ñ? Q mulher mais ignorante. Será que ela algum dia deu aulas? E se deu qd foi, há 30, 40 anos atrás??? Enfim, resta-nos esperar por uma pessoa mais consciente das dificuldades reais que os profs passam tds os dias, que assuma o cargo e saiba o q se passa DE VERDADE nas escolas do nosso país!

peciscas disse...

Nós, os que estamos dentro da realidade, rimo-nos dos disparates ou ficamos furiosos, já que isto dá mais para irritar do que para rir.
Mas, os que estão mais por fora e, por vezes até esses "fazedores de opinião" que falam de tudo e mais alguma coisa, acham muito bem e que a senhora está a dizer coisas muito importantes. Quando acordarem para a realidade, vai ser trágico!

ameixa seca disse...

Não acho normal :-o
Estou estupefacta. Pobrezinha da senhora ministra agora não pode ir contra as decisões que foram tomadas. Tem que defender a sua politiquice até ao fim, nem que para isso faça figurinhas tristes.
Ela é que devia ter uma nova oportunidade e voltar à escola...

aflores disse...

Eu não sou contra os chumbos. Sou contra sim, o facilitismo até determinada altura e depois...quando chegam ao secundário...ai ai. Eu chumbei pela primeira (e única) vez, tinha 14 anos, e não foi por incompetência dos professores. Simplesmente, por diveros factores não consegui acompanhar, estudar e atingir os valores(dessa altura)mínimos para progredir. "De castigo" fui trabalhar e estudar à noite e...cá estou eu :)))) Vivinho da silva e contra determinadas alterações feitas até hoje na metodologia do ensino.

Geoca disse...

Hoje eu não sei o que é dar aulas na primária, no ciclo, ou no secundário, pois o meu tempo já lá vai há muito. Mas gostei desse tempo e achava que ser professor era um espectáculo e ainda hoje acho, mas pelo que vejo, eu não queria por nada ser professor nos dias de hoje. É claro que não se pode facilitar, mas uma coisa é facilitismo e outra é boa vontade. Aqui reporto me à universidade, pois é mais recente, e vi colegas a reprovar a cadeiras por simples má vontade do professor.
Contudo reprovar pode não ser uma derrota, mas sim uma vitória. Eu reprovei da 4ª classe para o ciclo, mas a pedido do meu pai. A minha querida professora da primária achava que tinha de facto atingido os mínimos, mas que certamente iria ter algumas dificuldades no ciclo. Dai o meu pai preferir que eu ficasse mais um ano na 4ª e dai foi sempre em frente.

Formiguinha disse...

Como mundo é pequeno, estava a fazer uma pesquisa sobre quadros interactivos e encontrei o blog dos golfinhos!!!!

Que piadão!!!

Excelente trabalha desenvolvido com os reguilinhas!!!

Bêjos

Fernando Vasconcelos disse...

A história dos chumbos é simplesmente ridícula. De resto não sendo professor o que vos posso dizer é que :
1) Respeito imenso a vossa profissão. Acho que vos deveria ser dado a importância que têm na sociedade.
2) Infelizmente também acho que a noção de "carreira" está mal pensada. Não é tanto a questão da avaliação. essa é uma falsa questão. acho que já era feita antes. O problema é que - e essa é a verdadeira questão - não pode haver lugar para todos no topo da carreira. Logo alguns mesmo com provas dadas não poderão chegar ao topo. e isto é que era importante debater. Não o resto porque o que se tentou foi criar barreiras artificiais (e que muito bem foram denunciadas como idiotas) em vez de frontalmente explicar que o é necessário é redefinir o que se entede por carreia. e note-se fala-se dos professores porque são mais e logo com um maior peso orçamental mas este problema aplica-se a toda a função publica.