25 de dezembro de 2005

Natal

Leio o teu nome
Na página da noite:
Menino Deus...
E fico a meditar
No milagre dobrado
De ser Deus e ser Menino.
Em Deus não acredito.
Mas de ti como posso duvidar?
Todos os dias nascem
Meninos pobres em currais de gado.
Crianças que são ânsias alargadas
De horizontes pequenos.
Humanas alvoradas...
A divindade é o menos.

Miguel Torga
S. Martinho de Anta, 24/12/1966

Ana Margarida Pinho
Acrílico s/tela

4 comentários:

mixtu disse...

No milagre dobrado... só torga para escrever tão lindo.
O milagre é a vida, e o nascimento da vida (qq. vida) é maravilhoso.
p.s. : quando tiveres um tempinho vai à janela ... :)

Leonoretta disse...

lindissimo o poema do torga, bem revelador da época miserável em que ele escrevia.
a imagem nao fica atrás. linda também.

a leonor agradece o apoio.

beijinhos da leonoreta

Anónimo disse...

Como o poema é lindo aqui ficam duas notas sobre o autor:
1- Podia não acreditar, mas admitia que era um grande descanso para quem acreditava...
2- Podia não acreditar, mas tinha entre os seus mais próximos amigos 2 padres. Um não convenceu a família a deixar rezar missa no dia do funeral, mas fê-lo no dia seguinte... porque ambos eram teimosos.

Anónimo disse...

Como o poema é lindo aqui ficam duas notas sobre o autor:
1- Podia não acreditar, mas admitia que era um grande descanso para quem acreditava...
2- Podia não acreditar, mas tinha entre os seus mais próximos amigos 2 padres. Um não convenceu a família a deixar rezar missa no dia do funeral, mas fê-lo no dia seguinte... porque ambos eram teimosos.