Da relatividade dos insultos

Na sexta-feira, durante o intervalo, dois garotos travaram-se de razões.
Às tantas um insulta o outro, que se vem queixar que o colega lhe chamou "porco"
Chamado o prevaricador à pedra, ele nega ter insultado o colega.
"Eu não lhe chamei porco"
"Chamaste pois", diz a auxiliar, "que eu ouvi"!
"Não chamei não senhor"
"Ó S., não sejas mentiroso, que eu ouvi tu chamares porco ao L."
"Não lhe chamei porco - dizia ele indignado - só lhe chamei corno!"

A auxiliar engoliu em seco e disse-lhe "Isso não se chama a ninguém!
É uma palavra muito feia. Sabes lá tu o que isso quer dizer!"
"Sei pois! Foi o que a minha mãe fez do meu pai"

Comentários

Wakewinha disse…
Aha aha aha! Desculpa rir da desgraça alheia, mas o episódio está brilhante... Que idade tinha ele? E será que ele próprio percebe a sua ofensa, ou apenas repete o que ouviu dizer?
Beijinho*
SaltaPocinhas disse…
@@ WAKEVINHA: Ele tem 10 ou 11 anos, já foi abandonado pela mãe por DUAS vezes e agora vive com o pai.
E sabe perfeitamente o que quer dizer!
Deve saber mais que tu e eu juntas!!
Tanto a empregada como o outro garoto perceberam mesmo "porco" e não "corno" que pare ele nem é insulto!!
Emiéle disse…
Assisti a uma história que completa essa, passada com miúdos com alguma deficiência e um excelente professor. Também havia insultos, e um chamou ao outro “filho da p***”. Andavam já à pancada quando o professor interveio. Foi logo informado, e correctamente, do que se tinha passado. E, perante o meu espanto, pergunta ao ofendido:”E a tua mãe é?” o rapaz diz-lhe “Nããããão!!!”, “Então diz o professor, ele foi mentiroso! Chama-lhe mentiroso!” e o miúdo descorçoado, “Pois, mentiroso, és um ganda mentiroso!” e a história acabou ali. Eu nem queria acreditar, mas resultou.
afigaro disse…
Ainda bem que os miúdos já dizem asneiras na escola. No meu tempo era um pecado. Era a escola do Salazar super protegida pelos "agentes" do ensino.
À falta de uma escola e cultura democratizada, por vezes é melhor um palavrão.
PN disse…
Infelizmente os meninos de hoje perdem muito cedo a inocência.
Leonoretta disse…
é por estas e por outras que tremo em dar a árvore genealogica e falar da familia. tantas vezes que tenho textos cheios de mágoas.

já concorri margarida. já fiz "submeti". agora já está. agora espero quatro meses ou cinco. e tento fazer outras coisas para não pensar em nada.
escolhi lisboa e desta vez mostrei a toda a gente. so faltou mostrar ás auxiliares.

beijinhos da leonoreta
António disse…
Os valores não são os mesmos para todas as pessoas ou famílias ou grupos.

Beijinhos

Mensagens populares deste blogue

O vagalume e o sapo

O respeito

Fábula moderna