14 de março de 2009

Espero sinceramente que o que está transcrito aqui não tenha nada a ver com o post anterior...

... mas não tenho a certeza...
Uma coisa que eu não entendo é que, com o desenvolvimento da sociedade e a invenção de máquinas que cada vez mais e melhor nos ajudam em todas as tarefas, a vida das pessoas seja cada vez mais cheia de horas de trabalho e menos de horas de lazer, como tudo faria prever!
Ou antes: há demasiadas pessoas assoberbadas de trabalho e também demasiadas sem trabalho nenhum, o que não pode ser saudável nem normal.

Entretanto, temos "patrões" que falam assim:

"é preciso ganhar o direito a ter emprego. Não basta estudar, é preciso estudar, começar às sete ou oito da manhã e terminar quando o trabalho estiver feito".

"Para haver uma oferta de emprego satisfatória temos de ser os melhores trabalhadores do mundo ou perto disso", frisou, afirmando que, enquanto maior empregador nacional, o Grupo Sonae tem uma constante preocupação com a formação, que "em alguns casos nem implica nada de mais: para certos empregos basta saber ser simpático e sorrir, não é preciso nenhum curso universitário".

Belmiro de Azevedo
(nem sabem o que me repugna ter de escrever este nome!!)

E ainda a propósito deste senhor e de todos os que pensam como ele:
Qual é a necessidade de os hipermercados estarem abertos aos domingos e até tão tarde nos outros dias?
(eles fecham às 23, mas o pessoal só de lá sai 2 ou 3 horas depois) Mas tudo bem, desde que entrem e saiam a sorrir...
E ainda: estes pais e mães não têm direito como os outros a ter um lugar para deixar os filhos enquanto trabalham?
Então as escolas estarem abertas 12 horas por dia ainda não é suficiente...)

9 comentários:

ameixa seca disse...

Minha querida, sorrir é algo que eu sei fazer muito bem, mas pelos vistos os meus dents não devem agradar. Se o sorriso e a simpatia me desse o emprego que eu preciso, eu não estaria desempregada há tanto tempo! Não sabia que o Belmiro tinha dito estas coisas!

Angel disse...

Enfim... Quem fala assim são sempre os patrões q têm o bolso cheio à custa do sobre-trabalho dos empregados... Tido uma pessoa bem próxima que tds os dias ouve da boca do patrão 'Temos q ser lideres do mercado, temos q insistir e insistir!' Mas enquanto os empregados às xs têm q pegar antes das 8 da manhã, muitas vezes o dia d trabalho só termina para lá das 19h. Além disso, sem qq incentivo e elogios por parte dos patrões pelo bom trabalho q fazem. O problema é querer só lucros e mais lucros, mas à custa disso fica a qualidade de vida das pessoas, q acaba mts xs por prejudicar as relações pessoais...

Angel disse...

'Tido' era supotso ser 'tenho' :)

José António disse...

Saltapocinhas?! Ainda não conheces o espírito Sonae?
Um ex-trabalhador um dia contou que, embora a mulher o tivesse enganado durante anos, sempre se calou. Tinha receio que lhe colocassem duas lamparinas na cabeça para fazer mais um turno durante a noite.

entremares disse...

Apeteceu-me escrever aqui muita coisa, mas depois descobri que esta canção já o diz, de forma bem eloquente...

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o tempo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E, do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía."


José Mário Branco, Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

APETECE-ME GRITAR:

JÁ MUDÁMOS OS TEMPOS, JÁ MUDÁMOS AS VONTADES... O QUE É QUE AINDA NOS FAZ FALTA MUDAR ?

Angel disse...

Pois, a canção foi inspirada no poema de Luís Vaz de Camões. E já nessa altura se falava assim... Quão actual são algumas coisas escritas séculos antes...

Bea disse...

Vamos ver onde isto irá parar!!! O pior é que já tenho filhas assim exploradas que para manterem o seu emprego têm que ser escravas do horário que lhe impõem.
bj

aflores disse...

Fazer um comentário a este teu excelente post, aconteceria (o que já aconteceu) fazer um artigo de opinião, e este não é local apropriado. Se quero fazer um artigo de opinião tenho o meu blog, mas, tu vais-me desculpar mais uma vez (és um amor...e estou a ser sincero)caso me alongue demasiado.
O tal nome BA que te repugna escrever (não me aquece nem arrefece pois são todos iguais, salvo uma ou outra excepção. O que ás vezes me repugna me deixa pior que uma barata de pernas para o ar, é falarmos, falarmos, falarmos, insultarmos este e aquele MAS na hora da verdade, na hora de lutar...tá quieto macaquinho que temos a hipoteca para pagar, o empréstimo das férias a vencer, a prestação do carro...e se não aceito outro(a) vai aceitar.
Por exemplo: Sabias que há empresas que empregam mulheres (recém-casadas) e as obrigam a fazer uma declaração (e não lhes facultam cópia) que não engravidam durante a vigência do contrato??
E ás que já são casadas declararem que não têm filhos com idade pré-escolar?
Não. Não...não estou maluco nem a mentir É VERDADE!!!! WE o que me repugna é que ainda há poucos dias se comemorou o DIA dA MULHER...onde estavam elas na rua a denunciarem estas barbaridades? Onde estão os sindicatos (ahahahaha) os primeiros a dizerem: "paciência...em tempo de crise, é melhor aproveitar o emprego".
Sabes que mais?...vou-me calar.

Um beijo solidário

(só espero que não apareça outra vez a "minha amiga anónima" a chamar-me nomes)

Emiele disse...

Por um lado é curioso ver que, para além dos Bancos, (???!!!) onde se confirmam mais lucros é em quem tem supermercados! Contudo há várias formas de gerir o lucro. Sem fazer propaganda que eles devem ser um tanto parecidos, mas por exemplo o Grupo Jerónimo Martins disse que «primeiro, lançaria mão das reservas que teve o cuidado de fazer para enfrentar, se necessário, um ano inteiro de prejuízos;
depois, deixaria de pagar dividendos;
a seguir, diminuiria o salário dos administradores e quadros do grupo
se isto não resultando, negociaria com os trabalhadores cortes de horário ou de salários;
e só no fim avançaria para os despedimentos se os prejuízos se tornassem insustentáveis»


Não estou a dar como um grande exemplo, mas é uma atitude diferente.