18 de junho de 2005

Desabafo de uma professora

O que passo a trancrever é um comentário ao meu post anterior.
Como constatarão, se o lerem, um texto assim não pode ficar escondido no cantinho dos comentários!
E não digo mais nada porque me faltam as palavras...

«É com grande consternação que leio tanto do que hoje se escreve, que ouço tanto do que se diz... e vejo todas as injustiças que estão a atingir limites inaceitáveis...
Perdoa-me o "desabafo"... mas acho que preciso, também, de dizer qualquer coisa...
Tenho acompanhado os meus alunos ao longo do seu percurso escolar com dedicação total.
Nunca falto, a não ser por motivos de força maior. Este ano, porque os MEUS ALUNOS me merecem a máxima consideração e estão num decisivo 12º ano, nunca faltei.
Dei todas as minhas aulas com entusiasmo, porque exerço a profissão de que gosto, aquela que eu escolhi e para a qual me formei (12 anos de escolaridade+ 4 de licenciatura na Universidade do Porto+ 4 de formação pedagógica no CIFOP de Aveiro, com estágio profissional).
Preparei as minhas aulas conscienciosamente, corrigi intermináveis testes, quantas vezes à noite, e em cansativos fins de semana;
leccionei todo o programa, desfiz-me em explicações, certificando-me de que os alunos acompanhavam, que se sentiam preparados e "à vontade"; lutei contra o stress deles e o meu, contra as péssimas condições de salas geladas no inverno e asfixiantes no verão, animei-os quando se sentiam desmoralizados, conversei com eles muito para além do horário que "os outros" dizem que eu tenho...;
participei em reuniões de acompanhamento, de avaliação, de aferição de critérios, de planificações de matérias, mesmo quando "os outros" dizem que nós estamos em férias: nos intermináveis Julho e Setembro, pelo Natal, pela Páscoa...;
também nesses períodos (e sempre, ao longo do ano!) atendi Encarregados de Educação, fiz exames (elaboração e correcção), provas globais, relatórios, matrículas, horários e turmas;
fui/sou professora, psicóloga, conselheira, mãe... mantive-me disponível a tempo inteiro para aquela que é a minha profissão, porque a abracei e as PESSOAS DOS MEUS ALUNOS, jovens a desbravar os caminhos do futuro, merecem, como já referi, a máxima consideração...

Mas estou a ficar cansada das críticas, ofensas e humilhações de que todos os professores estão a ser alvo.
Neste momento, deveria sentir o alívio de missão cumprida, porque as minhas quatro turmas de 12º ano fizeram hoje exame, correu bem e eles ficaram muito felizes - vieram dizer-mo com olhos brilhantes, "porque houve testes que tínhamos feito que visavam exactamente" aquela dimensão da grande e inesquecível Sophia de Mello Breyner, porque o tema de Cesário Verde que lhes foi proposto "tinha sido por nós abordado nas aulas", e os resumos e textos trabalhados "ajudaram-nos a ficar confiantes e a conseguir"...
É claro que tudo isto me deixa uma grande satisfação interior... mas não apaga o ressentimento perante a enorme injustiça e ingratidão que a sociedade está a dirigir a todos OS PROFESSORES, indiscriminadamente... se calhar deveria bastar-me saber que os meus alunos me estão muito gratos - eles exprimiram-me esse agradecimento ainda ontem, porque passei o dia na escola a tirar dúvidas.
Mesmo com um calor asfixiante, contaram comigo (de manhã e de tarde, no único dia em que estaria mais livre esta semana!) para os ajudar a rever a matéria, a relembrar todos aqueles pormenores que às vezes o tempo se encarrega de diluir...
No entanto, por cima da gratidão dos alunos, ecoam as críticas e os sarcasmos que provêm da televisão, de acordo com os quais os professores são uma espécie de monstros egoístas, que pensam apenas em si, atropelando tudo e todos...
Vem um sr Miguel Sousa Tavares, e diz um monte de barbaridades, que revelam uma total ignorância do trabalho desenvolvido por milhares de docentes, por todo o país;
a seguir, um sr Belmiro de Azevedo, não sei a que propósito ou com que autoridade, faz mais umas incríveis "descobertas" - os professores e as escolas "deseducam os alunos"!
Assim, sem mais, e de forma repetida; afirmações dignas... de um processo, se os sindicatos estivessem empenhados em defender realmente os professores que representam.
Mas não.
Os próprios sindicatos, que se têm calado perante tantas situações contra as quais deveriam reagir, vão agora marcar uma greve polémica - que, a meu ver, vai agudizar mais ainda os conflitos, as acusações, as desconfianças.
É assim que as coisas se resolvem?
O Ministério tem que ponderar alguns atropelos graves que está a cometer relativamente aos professores; já agora, posso dizer que o meu vencimento esteve "congelado" durante três anos, por isso, se o défice aumentou, não foi por falta de sacrifícios da minha parte!
E, no meu entender, as atitudes prepotentes não resolvem nada, pois todos sabemos que devemos dialogar civilizadamente, com transparência, pois só assim se consegue algo de construtivo.
Então... qual é o meu dilema, neste momento?
Não concordo, como é óbvio, com as injustiças de que os professores estão a ser alvo, mas também discordo integralmente da forma como os sindicatos estão a guiar o assunto!
Não me sinto sequer capaz de fazer greve, e isso por razões profundamente humanas: tenho visto a angústia com que muitos dos alunos (meus... e não só, enfim!) vêem aproximar-se este período, e não posso imaginar-me a contribuir (ainda que involuntariamente!) para as dúvidas e ansiedades que os assaltam.
Hoje, às 8h30 da manhã, correram para mim duas alunas a chorar - mas mesmo a chorar! - em verdadeiro estado de pânico. Fiz todo o possível para as acalmar, desdramatizando, repetindo que afinal um exame não é o fim do mundo!
E no fim tive a satisfação de ver que estavam felizes, sorridentes, porque afinal correu bem.
Não, perante estes factos, estas pessoas concretas, reais, porque as conheço, porque vivem uma situação decisiva, não tenho coragem de fazer greve. E muitos colegas pensam como eu.
Mas a imagem que passa não é essa - é a de Sindicatos e Ministério que se degladiam, impulsionados por meios de comunicação ávidos de discórdias. Ainda por cima, chego a uma dramática conclusão - se os meios de comunicação tivessem consciência de todo o mal que fazem aos jovens com o seu alarmismo e o serviço que prestam às especulações (para hoje nem sequer havia greve convocada!) talvez fossem mais cautelosos, em vez de lançarem a confusão com informações erradas e provocadoras.
E pronto, peço desculpa por tão longa "dissertação" (talvez não seja a hora nem o local mais adequado!) mas há momentos em que precisamos mesmo de dizer qualquer coisa... e depois, quando as palavras começam a fluir, é difícil "cortar o fio do pensamento"!
Porém, agora, para compensar, não vou falar aqui por mais umas longas semanas.
De facto, há mais de um mês que eu não vinha "à net", porque não tenho tido tempo (com todo o inimaginável trabalho de fim de aulas numa escola secundária de mais de mil alunos...) e a partir de segunda feira volto de novo a deixar de ter tempo: já fui convocada pelo Júri Nacional de Exames para a correcção de (quantas?) provas.
É que os exames de 12º ano (de outros alunos que não os nossos!) são corrigidos por tantos e tantos professores, num enorme trabalho de grande pressão e enorme responsabilidade, criteriosamente prolongado para além de tudo o mais que há a fazer.
Por isso não vou ter tempo para "navegar", nem sequer para eventualmente defender posições justas continuamente atacadas.
Ah, e já agora, gostaria de esclarecer que os exames de 12º ano (com todo o trabalho que acarretam de secretariado, vigilância e correcção!) se prolongam até ao dia 25 de Julho, inclusive, e não terminam a 23 de Junho, como ontem noticiou um "credível" canal de televisão do nosso país!!!!!!!
Desculpem a confidência... mas estou triste!»

Graça M.
17 Junho, 2005 16:44

13 comentários:

SaltaPocinhas disse...

Eu vou acrescentar aqui uma coisa que ela não disse, não sei se propositadamente ou não: os alunos da escola dela são essencialmente do meio rural. São, na sua maioria, jovens que para além de estudar ainda ajudam os pais nas mais diversas tarefas. São jovens que se levantam às 6 da manhã e que regressam a casa à noitinha. Muitos deles, se não entrarem agora na universidade ou se chumbaram o ano não terão outra oportunidade, pelo menos enquanto dependerem dos pais.
É que, por este país fora ainda há muitos jovens assim... Ainda há jovens que não andam a estudar ad eternum com a complacência dos papás, que querem que eles entrem para a universidade nem que nunca façam curso nenhum...Os sindicalistas, como sempre, não sabem o que se passa, não pensam em pessoas - sejam professores ou alunos - só em números. Por muito grande que seja a revolta, quem tem coragem de prejudicar estes jovens?

Varela de Freitas disse...

Os professores são dos profissionais mais expostos à crítica dadas as suas condições de trabalho: têm uma visibilidade enorme e por isso sujeitos a um escrutínio constante. Por outro lado, toda a gente pensa que sabe o que é ser professor e mede a profissão por criterios absurdos. A Graça M. revela-se uma profissional de mão cheia: como tu, aliás, me tens aparecido. Merecem todo o respeito e agradecimento, ainda que não façam mais do que devem (mas isto aplica-se a todo e qualquer profissional). O grande problema é que há de facto professores que não fazem o que devem. Por exemplo, um professor que adira à greve prejudicando os alunos em exame será, para mim, um profissional desqualificado. Tira pois as conclusões em relação ao que penso da postura dos sindicatos.
Bom domingo!

zezinho disse...

Não vou falar da greve.
Prefiro pensar que todos juntos poderíamos e deveríamos exigir um ensino reformulado.
Foram afloradas aqui uma série de questões. Não sou professor e não quereria ser porque não estou vocacionado para tal - para mim um pressuposto fundamental - mas aprece-me que a divisão da classe em vários sindicatos não vos ajuda muito.
Estranho muitas vezes ainda mais a incapacidade de luta pela vossa dignidade numa classe supostamente culta. Afinal o que falha?
Os médicos recusam-se a ir para a periferai. Se um professor fizer o mesmo o que lhe acontece?
Porque têm os médicos força e vocês não?
Pessoalmente desconfio dos sindicatos. Os dirigentes eternizam-se nos cargos, que passaram quase a ser o emprego prinicipal, vivem disso, são noticia, aparecem nos jornais, televisões e afins.
Não acham que é tempo de se fazerem respeitar?
Tb fiquei contente de ter voltado a "ver".
P.S. Aquilo aconteceu de facto. A nova directora do Museu Grão Vasco, tomou posse meia dúzia de dias antes do dia Internacional dos Museus. estava preparada uma exposição e forma convidados artistas contemporãneos para animarem o museu. Como a opção deles foi pintar corpos nus, a senhora achou por bem proibir a exposição, numa clara atitude censória.
Agora adivinha o que ela fazia até aqui: era prof primária sem experiência alguma de museus. Não entendo qual foi i critério de escolha..

Leonoretta disse...

ola Saltapocinhas
o comentário do Varela de Freitas, em meu entender sintetiza toda a questão da falta de confiança nos professores "há professores que não fazem o que devem".
Um grande abraço à colega Graça que fez tão sentido comentário.

beijinho da leonor

JesusRocks disse...

Os sindicatos, os sindicatos. Criaram os monstros e agora não os conseguem controlar...

(agora a sério)

Penso que a questão está a ser demasiado empolada de parte a parte. Falando genericamente, as críticas são dirigidas à Função Pública num todo e não particularmente aos professores (excepto nos comentários referidos que estavam inseridos num contexto pontual e muito particular).

E se pensarmos em todo o universo da Função Pública, é fácil concluir que a Graça, a Saltapocinhas, as minhas queridas amigas Sónia e Cristina (que não costumam andar por estes meandros da internet) e outras pessoas do mesmo calibre continuam a ser uma pequena minoria sem representação.

O grosso da classe é, efectivamente, incompetente e/ou incapaz de fazer face às dificuldades actuais que afectam todos os sectores (e não apenas o da Função Pública) e aos novos desafios do século XXI.

Pelo menos é a percepção que me ficou de 19 anos de escola/universidade (relativamente ao que toca à classe dos professores) e cerca de 10 anos a lidar com outros diversos sectores da Função Pública. Bom era que o panorama tivesse melhorado consideravelmente nestes últimos anos. Será que melhorou?

Compreendo o desconsolo que esta situação possa causar aqueles(as) que dedicam grande parte da sua vida à sua profissão e que cumprem com todas as suas obrigações chegando a dar mais daquilo que lhes é exigido - mas essa injustiça não é exclusiva dos professores; como condutor credenciado há quase 12 anos, por exemplo, sinto que a situação que se vive nas estradas portuguesas é de uma enorme injustiça para um condutor como eu que nunca provocou nenhum acidente (apesar de já ter estado envolvido em alguns).

O problema é mais profundo e mais complexo - as sucessivas crises políticas que temos enfrentado nos últimos 10 anos são, sem sombra de dúvida, as principais responsáveis pela situação actual em que o nosso país se encontra. Não vale a pena tentar dissociar um problema dos outros - estão todos inter-ligados.

A. Duarte e Lázaro disse...

A minha solidariedade para com essa professora. Sou uma novata na área do ensino mas uma apaixonada pelo que faço e comprrendo-a perfeitamente. Partilho da sua visão. E as condições actuais não me permitem dizer mais.

guevara disse...

E agora....
Um desabafo de uma futura arquitecta:

passa lá no [guerrilhas]!

E faz um favor aqui à JE!

Gracias!

=)

Anónimo disse...

Desculpa saltapocinhas, mas foram essas mesmas razões que me levaram a fazer greve.Não estou à espera que um Miguel Sousa Tavares ou um Belmiro Azevedo venha a lutar contra a degradação profidssional de que estamos a ser alvo ou a defender nossos direitos.É mentira o que a SR. Ministra diz, que os professores estão a fazer greve porque não estão de acordo com os exames e quem fizer greve apanha um processo disciplinar.Revoltei-me e fui para a greve.Fico assim à espera do processo disciplinar neste país democrático só por fazer greve.Arte por um canudo 2

pandora disse...

Sou professora... e se me permites vou linkar este texto no meu blog! Porque acho importante esclarecer aqueles que continuam a dizer que os professores tem 3 meses de férias!

pandora disse...

Afinal voltei atrás...
Eu até queria escrever sobre o trabalho que faço, até queria esclarecer e fazer um pouco o trabalho para o qual estou vocacionada e que é transmitir conhecimento. Até queria explicar porque razão o nosso trabalho não acaba quando acabam as aulas...
Mas não me apetece... estou cansada! E mais, não estou para aturar a ignorância que por aí grassa. Ainda há as que desabafam, e gabo-lhes a paciência e admiro-lhes a vontade.
Depois de 21 anos a aturar os filhos dos outros, já não me apetece ser meiga e desabafar. E aos que continuam a criticar os professores por exercerem um direito inalienável como é o direito à greve, só me apetece dizer que quem não tem "pachorra" nem para ajudar o puto nos TPC (claro que depois de 7-8 horas de trabalho estamos muito cansados e não temos cabeça!) devia lavar a boca antes de mencionar sequer a palavra professor!!

Desculpem, mas é exaustão mesmo!

Sue disse...

Deixem-me deixar uma opinião de uma aluna de 12º ano em época de exames: acredito que haja muitos professores realmente dedicados e realmente empenhados em ajudar os alunos a percorrerem o seu caminho e ainda bem que á assim. Mas, como varela de freitas disse: "há de facto professores que não fazem o que devem" e infelizmente, são estes que deixam uma marca maior nos alunos, e como a sua incompetência é tão traumatizante, a sua imagem encobre a dos professores verdadeiramente competentes. E, como tudo na vida, há quem exagere e há quem pense que é tudo um mar de rosas. Claro que não se podem fazer milagres, mas espero que os futuros professores tomem pessoas como a Graça M. como exemplo, e que os maus professores ponham a mão na consciência... Quanto à greve, nenhum professor que decida faltar pondo em causa os exames dos alunos me merece respeito... Há que lutar pelos nossos direitos e por aquilo que acreditamos ser melhor, mas sem deixar de lado o bom senso.

PARTILHAS disse...

Olá às 2,

Em todas as profissões, há de tudo. Em todas as cidades há de tudo e sempre paga o justo pelo pecador.

O povo gosta de falar mal, do outro. Por principio, sem escolha ou opção. Dizer-se mal, pode até parecer bem.

Eu não posso fazer greve e ponto final. Se eu a fizer, a empresa onde eu trabalho, pode falir ou ter prejuizos, que a levem a esse caminho.

O que me parece é que as greves, são mal explicadas, por quem as convoca e feitas nas piores alturas possíveis. E claro paga sempre o justo pelo pecador.

Tal, como a maioria dos funconários publicos, quer sejam médicos, professores ou administrativos das finanças...

Mas, é assim com tudo. Eu percebo o desabafo. De vez em quando também me parece que escolhi a pior trabalho do mundo, que ninguém respeita o meu trabalho, etc. etc.

Energia para as Duas, são Pessoas com "P" como vocês, que são necessárias no ensino e pena é, que nem todos sejam como o vosso exemplo... mas, é bom saber, que não estão sózinhas...

pauxana disse...

Sou ainda jovem nestas lides da educação. Tenho no entanto já 4 anos de experiência (numa empresa normal seriam obrigados a integrarem-me nos quadros). Tenho dias em que me sinto muito frustrada com a profissão que escolhi e não pelo facto de os alunos nem sempre me terem respeito, ou terem más notas depois de um grande esforço da minha parte, mas pela maneira como a profissão com que sonhei desde criança é tratada. É triste... Sei que se as minhas hipóteses de integrar os quadros já eram remotas, agora parecem-me quase impossíveis. E agora? o que faço aos 17 anos que investi? Deixo tudo para trás, mudo de rumo? A ideia já me ocorreu várias vezes, mas posso agradecer à sorte que me tem sido favorável apesar de tudo de ter trabalho todos os anos. Há dias bons, há dias maus, há dias em que fico desmotivada, há outros em que fico felícissima por um aluno ter uma positiva ou conseguir simplesmente que faça um trabalho de casa ou intervenha na aula de forma ordeira. Esses bons momentos cobrem tudo, mas não sei até quando... Não posso pensar em coisas banais como comprar uma casa porque não faço ideia se vou ter trabalho no ano seguinte ou para onde irei, então a única hipótese é mesmo comprar uma casa móvel para transportar. Mas tenho sorte, volto a reforçar isso, sou solteira, não tenho marido, nem filhos como colegas minhas que fazem todos os dias uma viagem de hora e meia até à escola, pouco tempo tendo para estar com a família.
O que mais me entristece é estarmos praticamente indefesos. Os sindicatos parecem apenas defender os seus interesses e não os nossos e o professor acaba por ser atacado por todos e ninguém dá crédito à sua defesa. Esta greve é um exemplo disso: os professores foram ameaçados, acusados de ser maus professores por pretenderem defender os seus direitos, coagidos, obrigados a permanecer nas escolas em condições pouco salutares. O professor acaba por ser o mau da fita, o culpado de todos os males.
Sei que há maus e bons professores. Eu não me considero uma boa professora, tento agir em benefício dos meus alunos. Erro, várias vezes, e procuro aprender a fazer melhor. Como profissional e como pessoa concebo-me como um ser em constante aprendizagem. Mas gosto dos meus alunos, todos os anos sacrifico-me por eles mais do que alguma vez eles saberão, mais do que alguma vez reconhecerão. Este ano cheguei a perder a voz para não faltar a uma aula, pensando ser o melhor para os alunos... Preocupo-me com eles, até com os rebeldes que me tornam a vida difícil. Outros não o fazem, infelizmente, contudo a sociedade olha sempre para os maus exemplos, raramente se reconhece o bom e olha-se para o mau... Haveria tanto a ensinar a algumas pessoas que se acham no direito de criticar os professores...
Por ora calo-me... mas espero que chegue o dia em que a voz do professor se faça de novo ouvir.