4 de novembro de 2005

Da fama

Ontem quando liguei a televisão na RTP1 por volta das 19:30 dou de caras com uma apresentadora, que gritava em vez de falar e soltava uns guinchinhos histéricos típicos daquelas adolescentes que fazem esperas aos carros dos futebolistas...
Alguns minutos depois consegui perceber que ela estava no local onde iam passando os "famosos" que entravam no Pavilhão Atlântico para os prémios da MTV.

Eu fiquei a olhar para aqueles famosos todos e a constatar que não conhecia ninguém!
"Se calhar estou com algum problema grave, daqueles ainda não diagnosticados! Eu não conheço estes famosos!" comecei a pensar com os meus botões, fecho éclair e tudo o que tinha...
Eles iam passando, eram "entrevistados" pela tal menina em estado de quase derretimento e eu... népias!
Algum tempo depois, com o jantar já meio feito, consegui reconhecer, embora a custo, a Nelly Furtado!

"Ai que estou mesmo mal" foi o que fiquei a pensar até hoje.
(só tinha o marido em casa, mas esse não conta pois além de não reconhecer a Madonna, nem sabia quem era o Robbie Williams - um caso perdido!)
Até que já hoje comecei a fazer uma espécie de inquérito a toda a gente que via e perguntava "conheces o...?" "conheces a...?" e lá ia dizendo alguns nomes que tinha decorado...
Vai daí fiquei mais descansada: se isto é doença, então é uma pandemia e já devem estar a tratar das vacinas e essas coisas todas que se fazem como para a gripe das aves. É que ninguém conhecia tais personagens!

Portanto, esses senhores e senhoras quando estiverem fartos de ser famosos (que é uma coisa horrível e cansativa - dizem eles) podem sempre vir passear por aqui pelas redondezas com a certeza de que ninguém os vai chatear... Basta que não se passeiem em centros comerciais à hora de ponta das teenagers que faltam às aulas, que levam uma vida descansada!

E eu cá fiquei a pensar "o que é a fama?" e ainda não consegui descobrir!

11 comentários:

Wakewinha disse...

(lololol) Divertidíssimo, minha cara! Sabes que o nosso nível de conhecimento dos ditos famosos, vai alterando à medida do surgimento do nosso interesse por estas coisas... Eu confesso que gosto de me manter actualizada, mas nunca fiz figurinha de histérica junto de ninguém (e detesto ver este tipo de coisas). Mas vou deixar-te com a seguinte sugestão: porque não fazes uns inquéritos aos teus meninos, e tentas conhecer pelo menos os "heróis" que fazem parte do seu grupo de "idólos"? Depois até podes planear umas actividades bem giras com isso, e sabes que eles aderem muito bem. Mas só uma de veze em quando, pois sou contra leccionar-se recorrendo sempre a pessoas "perfeitas", com vidas "perfeitas", pois depois criamos nas crianças uma vontade enorme de serem quem não são, e uma vergonha desmedida deles próprios, e da sua família! É a minha opinião...

Beijinho, bom fim-de-semana, e não te esqueças de comprar a revista Visão esta semana! ;)

Leonoretta disse...

sim. esta bem. podem vir passear para aqui que nao os reconhecemos...

mas sabes que eu tambem nunca reconheço ninguem, ate os conhecidos

em primeiro lugar nao estou a espera de os ver por ali no sitio onde estou...

depois sao muito diferentes sem o po de arroz.

beijinhos da leonor

mfc disse...

Deixa-os serem "famosos" à vontade, que nós o que queremos são sopas e descanso e, se possível, alguma felicidade.

AJFF disse...

Ser famoso é muito díficil quando ninguém nos conhece.

perola&granito disse...

podes crer com tanto guincho desliguei a televisao...

Zecatelhado disse...

O mundo está difícil de perceber, não amiga?

Desculpa lá a falta de assiduidade nas visitas habituais a esta casa mas, uma gripe de todo o tamanho tem estado a morar nestes 120 kilos bem pesados. De manhã até fui ao espelho ver se já me tinham nascido penas atrás das orelhas, eh,eh,eh! que isto com a gripe das aves nunca se sabe.
Uma boa semana para ti.
Aquele @bração do
Zecatelhado

Clitie disse...

Eu n�o vi!...Acho que perdi algo de bom, n�o �? Mas ouvi na r�dio o jornalista a gritar pelas Pussycat dolls...um grupo com este nome, que vos parece?

Bjks e bom domingo

Cristina disse...

lol saltapocinhas,
estás como eu quando ás vezes vejo certos programas de prémios na tv aqui nos EUA, também não conheço quase ninguém desta gente "de fama"....lol...gosto da forma como descreves os teus textos
:)
beijinhu tem uma óptima semana

Caçadora disse...

Ai linda, eu conheço-os a todos! É o que faz ter filhos adolescentes! eheheheh... Bj

António disse...

Gostei particularmente da ironia que usaste neste texto.
Deu-me gozo!
ah ah

Beijinhos

JesusRocks disse...

Bem, a fama é um estado de reconhecimento dinâmico e não estático. Está directamente relacionado com a popularidade que é extremamente volátil.

Quanto ao reconhecer os «famosos» ao vivo, vou contar duas histórias que se passaram comigo em duas ocasiões diferentes.

Há uns anos atrás desloquei-me à Sociedade Portuguesa de Autores em Lisboa para registar umas canções (letras e músicas) da minha autoria. Ao chegar à entrada do grande edifício cedi gentilmente passagem a um senhor engravatado, de fato discreto, óculos escuros e mala de executivo que me agradeceu amávelmente. Entramos e dirigimo-nos à recepção.

O senhor disse umas breves palavras praticamente inaudíveis ao recepcionista que prontamente comunicou com o departamento de registos pelo telefone, ao mesmo tempo que dava sinal para o senhor seguir para o elevador.

Só fiquei a saber que o senhor em questão se tratava de Herman José quando ouvi o recepcionista a mencionar e olhei rapidamente para o elevador a tempo de o ver a premir o botão.

Noutra ocasião, também há uns largos anos, fui ver um concerto dos Extreme e dos Thunder no Dramático de Cascais. Os Thunder eram uma banda norte-americana muito popular no princípio dos anos 90. O concerto foi excelente, tanto o dos Extreme, com o nosso conterrâneo Nuno Bettencourt a trazer lágrimas aos olhos de todos ao tocar o Hino Nacional na guitarra, como o dos Thunder.

No final, no meio da multidão que abandonava o recinto, um dos meus amigos deu-me um toque no braço e perguntou: 'Olha lá, aquele freak de boné ao contrário que está ali encostado não é o vocalista dos Thunder?' Lá fomos ter com o gajo e tivemos uma longa conversa com ele.

A parte dos autógrafos até nem foi nada de especial comparado com o facto de estarmos ali, apenas umas 6 pessoas, a conversar com um dos grandes ídolos do Hard Rock da altura, enquanto os milhares de fãs passavam por nós sem notarem que o seu grande ídolo estava ali de calça de ganga gasta, t-shirt de uma outra banda qualquer, blusão de ganga cheio de patches e cabelão apanhado.

Fama? É só para alguns...

Já agora conto mais umas quantas. Há uns 3 ou 4 anos fui a uma jantarada de passagem de ano em Albufeira e encontrei o Professor Aníbal Cavaco Silva à mesa com a família. Naturalmente, lá fui cumprimentá-lo, sem ser demasiado inconveniente e a sua reacção foi invulgarmente amistosa a cordial. Se fosse eu na posição dele não sei se teria sido tão simpático.

Noutra altura ainda, na única vez que fui à praia da Quinta do Lago no Algarve, cruzei-me com o Professor Marcelo Rebelo de Sousa que me cumprimentou com um sorriso franco e um sincero boa tarde, assim sem me conhecer de lado nenhum. Ao que consta, ele é assim com toda a gente.

Esta ainda é a melhor de todas. Em 1994 desloquei-me a Inglaterra para fazer uma audição para um puto muito conhecido por ter tido, aos 11 anos de idade, o seu primeiro disco de originais produzido pelo consagrado Steve Vai. Esse disco foi um sucesso nos USA/EUA mas nunca chegou a ter grande projecção na Europa. Falo do Refugee dos Bad 4 Good, e o puto chama-se Thomas McRocklin (nome artístico). Quando o conheci já ele tinha feito 15 anos.

Na altura conheci ainda a sua família mais chegada, pai, mãe e irmãos mais novos.

No final da audição conversamos durante algumas horas sobre os mais variados assuntos, nomeadamente sobre música (obviamente). O pai dele sempre muito atento chamou-me a atenção, mas ao perguntar se ele tocava guitarra ele respondeu com um 'sei dar uns toques - o génio é o Tom, mesmo'.

Anos mais tarde, enquanto pesquisava na net descobri afinal quem era o pai do Thomas. McRocklin foi um nome artístico sugerido por Zack Wylde (Ozzy Osbourne, Black Label Society). O nome de família é McLaughlin. O pai dele chama-se John! Sim, já conheci pessoalmente e tive uma longa conversa com o monstro do jazz experimental John McLaughlin.

Quem é o John McLaughlin? - poderão alguns de vós perguntar. Para esses sugiro a audição de um dos melhores registos ao vivo de sempre (dentro do género): Friday Night in San Francisco de 1981, registado ao vivo com John McLaughlin, Al Di Meola e Paco de Lucia nas guitarras.

Isto dava para um post no meu blog, :D

Beijocas ******