8 de fevereiro de 2006

Viver das r(v)endas

Capítulo I
(isto sou eu já a treinar para quando me convidarem a transformar o blog em livro...)

Quando era pequenita, perto de mim, numa bela casa, morava uma família muito rica mas em que ninguém trabalhava.
Aquilo fazia-me espécie até que um dia a minha mãe me explicou que viviam de rendimentos.
Eu fiquei então a pensar que faziam renda (crochet, para os mouros entenderem) que vendiam e assim.
Mas como sou (já nessa altura era) teimosa e nunca tinha visto ninguém por lá de agulha na mão a fazer a tal renda, lá ia chagando a minha mãe sobre o que era "viver de rendimentos" e ela lá me ia explicando conforme sabia.

Capítulo II
Agora já compreendi: sei que só ontem, à conta das acções da PT houve pelo menos dois senhores que ficaram (ainda mais ) ricos!
E sem fazerem a ponta dum corno! (desculpem a expressão, mas tem mesmo de ser e também já fica por conta da publicação do livro!)

Capítulo III
Desde que comecei a entender as coisas (uns poucos anos depois do capítulo I, que eu sou uma rapariga precoce) que sempre abominei quem vive dos rendimentos.
Acho que um dos maiores motivos porque o nosso país não avança é porque há gente a mais a viver dos rendimentos e não da riqueza que produz com o seu trabalho.
Admiro quem é rico porque sabe produzir riqueza para si e para quem ajuda nessa produção.
Não admiro quem é rico porque compra uns apartamentos hoje para vender depois de amanhã pelo dobro do preço, ou quem vive dos negócios da bolsa...
Que produz de útil esta gente?

Capítulo IV
(porque três é muito pouco)
Embora não seja rica hoje deixei-me encantar por uns morangos que estão lá na cozinha já lavadinhos e com uma pitada de açúcar à minha espera!
Mhammmm!

18 comentários:

alyia disse...

Espero ter sido explicita agora.

Saboreia bem os teus morangos que todos temos direito :)
Beijinhos

aflores disse...

Ao ler este teu post fiquei a saber duas coisas: (1) Não gostas de "mouros". Quem são afinal? (2) Não gostas (abominas!!!!!) quem vive de rendimentos. - OK, agora, explica (não, não sou burro...isso, é só na publicidade da TV)viver de rendimentos (jogar na bolsa) não é produzir riqueza? Bom, salvaram-se os morangos, que adoro com iogurte. Está descansada que se publicares o livro eu compro um exemplar desde que devidamente autografado.

SaltaPocinhas disse...

@@AFORES: Gosto de toda a gente, só fiz aquele àparte porque sei que há palavras que nem todos entendem. E também abomino essa gente que divide opaís em norte e sul e essas tretas todas... Quanto à produção de riqueza por quem se limita a comprar e vender acções essa vais ter mesmo de me explicar como se eu fosse muita burra porque realmente não sei!!

Eu disse...

(como não tenho tempo para comentar, gastei-o todo na leitura, deixo aqui uma evidência)
mensagem subliminar do post:

vejo os "morangos com açucar"!

prova:
na mesma frase podemos ler "...deixei-me encantar por uns morangos...com uma pitada de açúcar..."

AAAAH! nem todos estamos a dormir!


;))

azoriana disse...

Gosto sempre de ler os teus artigos. Por mim já tinhas o livro prontinho e já vinha a caminho dos Açores um com autógrafo da SaltaPocinhas. E como cá na nossa querida Região é Dia de Amigas (tens de adoptar este dia também para ti) vai um grande abraço e beijinhos e está uma flor à tua espera no meu cantinho.

Quando é que vens à Ilha Terceira pelo Carnaval? Olha que está quase. Ias adorar! Apostemos?

Didas disse...

Eu sempre fui muito fraquinha no crochet...

Lyra disse...

uso muito essa expressao "não fazem a ponta de um corno". Olha eu gostava de viver de rendimentos de vez em quando. não é por nada, mas de vez em quando dava-me assim um jeitito.

luis manuel disse...

No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?
Almeida Garret, escrevia assim em "Viagens na minha terra"

Viver á conta dos rendimentos - dos outros ? sem fazer a ponta de um corno ?

Produzir riqueza, é o que todos dizem querer para o nosso país.
Para todos.
Se chega cá um bocadinho da que é "fabricada" na Bolsa...?

Os morangos, frescos e de verdadeira fruta, são uma delícia.
Sem pó de açucar televisivo !

Beijinhos

Zig disse...

Quem vive do trabalho, anda na rua de cabeça erguida.
Quem não trabalha, nunca sai de casa.
Quem não tem dinheiro, não se preocupa com ele.
Quem tem dinheiro, não dá valor ás pequenas coisas da vida.
Quem tem dinheiro, tem de o esconder.
Quem não trabalha, não se cansa.
Quem não se cansa, não está satisfeito.
Por isso, façam como eu: Não tenham inveja dos que têm dinheiro, dinheiro não compra felicidade.

100 nada disse...

Booooommmm...discordo, claro. Isso de 'jogar' na bolsa não é bem bem colocar números num boletim de totoloto. E para mim trabalho não é só o braçal. Dá muito trabalho estudar empresas e, quando se compram títulos, é porque essas empresas fizeram emissões (de obrigações) ou abriram o capital a investidores para os seus investimentos. Se investirem e forem eficientes, criam riqueza e emprego (quando crescem, precisam de mais gente). E como o dinheiro não cái do céu, os investidores em títulos dessas empresas são quem financia esse crescimento. Se depois a empresa fica a valer mais, por ter ficado mais forte, eficiente e produzir mais lucros (e para mim lucros não é pecado, é riqueza desejável desde que não sejam à força de aldrabices e exploração) e as pessoas venderem esses títulos e fizerem uma mais-valia, excelente: lembra-te que, em primeiro lugar, arriscaram o seu comprando esses títulos. Enfim, isto explicado de uma forma muito simplista, claro.
Beijinhos.

100 nada disse...

PS: os senhores que enriqueceram com as acções da PT, a ponta de corno que fizeram foi investir o dinheiro deles numa empresa que poderia subir ou descer em Bolsa. Há também quem perca muito dinheiro por ter feito maus investimentos: é o custo do risco.
Já agora: tu investes em acções de uma empresa A ou B? Olha, eu não, sabes porquê? Porque não quero correr o risco. Mas há quem se arrisque a isso.

100 nada disse...

Já agora (hoje estou uma chata e fizeste-me imensa inveja com os moranguitos! ;)) em relação às promoções imobiliárias:
- Comprar uma casa em planta é um risco (lá está, eu nunca compraria!) porque pode acabar por não ser construída, porque estamos em tempo de crise, porque o sítio foi mal escolhido, porque a estrada que lá passa afinal não vai ser melhorada, enfim, dezenas de factores que podem contribuir para que esse projecto não seja finalizado. E os construtores podem não conseguir dinheiro para acabar a coisa: vender em planta é uma forma de conseguir dinheiro para terminar a construção. Lá estamos outra vez, quem comprou em planta arriscou o dele, numa coisa que acreditava ter pernas para andar. Depois vende mais caro a quem não quis assumir esse risco. Parece-me razoável.

Nota: claro, tudo isto são conceitos num mundo em que as coisas se passam sempre de forma eficiente, coisa que, no nosso país, não acontece...mas enfim nem toda a gente é aldrabão também.
Beijinhos!

Miguel disse...

catarina, gostei muito da tua explicação e subsequentes achegas :)

Saltapocinhas, claro que, à primeira vista, cede-se sempre à tentação da comparação entre os que trabalham e os que vivem à conta do trabalho dos outros - será mais ou menos isto, digo eu. Não é assim tão linear. É muito mas muito mais do que uma ou outra manchete podem fazer crer, num país onde grassa a crise, o desemprego sobe e a economia teima em não crescer. Fácil demais.

Beijinhos.

Emiéle disse...

Tchiii....!
Saltapocinhas, desculpa,desculpa,desculpa,desculpa,desculpa,desculpa,, etc..... até amanhã.
Não imaginei que quando linkei o teu post tivesse levantado tal celeuma!
A verdade é que a nossa Catarina "entende da poda" de uma forma profissional e lá o disse. Eu, o que entendi foi numa outra dimensão. Das pessoas que eram os teus visinhos de pequenina, teriam herdado bens e iam vivendo desses bens - alugueres de casas ou campos, e coisas do tipo. O risco que tinham era os inquilinos não lhes pagarem essa renda, mas se assim fosse, arranjariam outros que o fizessem. Foi nessa linha que li o post. A alta finança deve ter normas bem complicadas, é certo que correm riscos, mas é como quem faz um euromilhões de centenas de euros. Quando não ganha, ( o que deve acontecer..) perde tudo isso.
O exemplo da catarina de quem compra uma casa em planta, é muito claro. Contudo, eu conheço, por exemplo, quem compre casas prontinhas, venda umas tantas para cobrir o que gastou e ter algum lucro, mas depois deixar passar anos com as outras fechadas à espera que o preço triplique. O seu sacrifício foi ter tido paciência de esperar, mas o preço triplicou mesmo. São negócios, é claro, mas também me faz confusão.

100 nada disse...

Não é celeuma, Emiele! Eu também não percebo nada da poda das outras pessoas e estou farta de ler coisas que desconhecia aqui na Saltapocinhas, que é um blog que gosto muito! :)

E claro que haverá sempre quem invista realmente e quem procure um lucro rápido à conta dos outros (muitas vezes abusando até da sua ingenuidade e desconhecimento destas coisas).

Só para rebater o teu exemplo das casas à espera uns anos que o valor triplique...olha, se for agora, o valor desceu para um terço, com a crise que por aqui vai. :) A especulação imobiliária nem sem compensa.

Como diz o Miguel, nada disto é linear.

SaltaPocinhas disse...

@@ CATARINA e ÉMÌÈLE: respondi aos comentarios lá no Pópulo. Mas, só mais uma achega: as pessoas que têm casas fechadas anos à espera que o preço triplique (cá em Aveiro são muitas!) faz com que essas casas não sejam compradas e habitadas por quem realmente necessita delas. É esse o principal motivo de cada vez haver mais gente a ir morar para cada vez mais longe e os centros das cidades estarem a ficar abandonados. Quanto às pessoas que as compraram, se o preço desceu eles continuarão à espera que suba até poderem ter lucro. Entretanto não perderam nada porque, tal como diz a Émièle, o dinheiro que "investiram" foram buscá-lo imediatamente. O resto é lucro!

JesusRocks disse...

Como eu sou aquele que gosta de bater na saltapocinhas, e não querendo escapar a essa minha missão, vou começar por comentar a questão da bolsa.

Pode, de facto, parecer que quem vive das apostas na Bolsa de Valores não faz a ponta de um corno de bezerro mas na verdade não é bem assim. O mercado bolsista é um sustentáculo e contra-peso fundamental do capitalismo. O capitalismo está alicerçado na transferência de riqueza de umas empresas para outras. Essa dinâmica da macro-economia mundial permite manter o equílibrio económico que mantém a máquina capitalista a funcionar.

As acções geram riqueza para as empresas que geram emprego para trabalhadores que produzem bens e serviços que são comercializados por empresas que geram emprego para trabalhadores que comercializam os bens e serviços que são consumidos por todos nós, incluindo aqueles que jogam na Bolsa, os que trabalham nas empresas que geram bens e serviços e os que trabalham nas empresas que comercializam esses bens e serviços.

Se retirarmos o Mercado Bolsista da equação, o resultado é desastroso. Com a falência das empresas cotadas deixa de haver emprego e as empresas não cotadas não transaccionam montantes suficientes para mover a economia nem conseguem criar postos de trabalho suficientes para toda a gente.

Sem mercados bolsistas o capitalismo cai e nós voltamos à idade da pedra. Portanto, ainda bem que há pessoas que vivem da Bolsa - é uma vida que não invejo. O desgaste é tremendo. Geralmente a idade de reforma de um bolsista profissional anda por volta dos 35, 40 anos e grande percentagem deles reformam-se com problemas graves de saúde. Para além disso é a profissão a nível mundial com a maior taxa de suicídio, a que mais casos de depressão provoca e está directamente relacionada com diversos problemas cardíacos muitos deles fatais.

Portanto, se formos analisar bem as coisas, nós que estamos no outro extremo do mundo do trabalho vivemos tanto às custas de quem mantém o equilíbrio do sistema como eles vivem à custa de quem produz bens e serviços. Não sobreviveríamos uns sem os outros.

Isto leva-me a outra questão também por ti abordada. Os morangos. Eu adoro morangos e não posso ouvir falar deles sem ficar com os pelos todos de pé. Recordam-me logo de uma qualquer tarde de Primavera, o sol quentinho, o chantily ainda fresco a derreter-se e os moranguinhos acabadinhos de saír do frigorífico a desfazerem-se na boca e a escorregar pela goela abaixo. Magnífico. :)

藍正龍Blue disse...

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