19 de abril de 2005

Invasão de manuais escolares...

... Começou logo no início do 3.º Período e não vejo jeitos de que acabe tão cedo!
Para casa as editoras mandam-nos convites para lanches em hotéis de Aveiro onde pretendem mostrar e oferecer (impingir) os seus livros.
A essas reuniões chamam "Acções de Formação" com direito a falta justificada e tudo!

Para a escola enviam as caixas com os livros (uma média de 7 livros por caixa, pois inventam sempre e cada vez mais os indispensáveis "livros de apoio")
Até hoje temos 11 caixas, o que dá cerca de 75 livros.
Oficialmente os professores têm de "analisar cuidadosamente os livros para procederem a uma escolha criteriosa que obedeça... blá blá blá..."
Acontece que na minha escola somos 4 professoras, sendo que uma vai para a reforma no final do ano e está pouco preocupada coma escolha dos manuais, como é normal. Ficam assim 3. Fiz as contas e dá uma média de 25 (vinte e cinco!!) livros a cada uma!
Análise criteriosa?
Isto é para rir ou para chorar?

Quando é que o governo acaba com esta pouca vergonha?
Há editoras que têm o desplante de nos enviar 2 ou 3 colecções diferentes. Isto para não falar das editoras cujos livros são tão rascas que nem deviam existir!
E pior: há gente que os adopta!!

Porque não as obrigam a fazer apenas uma colecção?
Ou antes, porque não cria o Ministério um grupo de trabalho, formado por gente competente na matéria, que analise os livros e que só permita que sejam publicados dois ou três de cada disciplina?
É que este descalabro, além de dar cabo da paciência de quem quer ter um mínimo de rigor a escolher os manuais, deve ficar caríssimo! E depois o preço dos livros é o que é!
Este ano escolhem-se livros para o 3.º ano que vão custar cerca de 40 euros. (Isto sem incluir Gramática nem Dicionário).
Quem tem 2 ou 3 filhos na escola vai à falência!
E não me venham com essa treta de livros reutilizáveis, pois os livros não são reutilizáveis.

E acho até que devia fazer parte dos Direitos da Criança um novo artigo:
« Todas as crianças de todas as raças devem ter o direito de estrear um livro»

28 comentários:

O Vizinho disse...

Vá lá, vá lá... quando comecei a ler o post ainda pensei "queres ver que as editoras até já subornam os profes para escolherem os seus libros em detrimento de outros"... afinal não!
UFFF!!
Ainda bem. É que para esse tipo de "negociatas" já nos basta a industria dos medicamentos...

SaltaPocinhas disse...

@@ VIZINHO: Obrigada pela visita! os profes ficam mais baratinhos que os médicos: enquanto eles "levam" umas férias ao brasil, a nós oferecem só lanches, canetas e livros...

SaltaPocinhas disse...

Ah, e agendas, já me esquecia das agendas!

Carla disse...

Não fazia ideia desta realidade. Deve ser uma tarefa de dar em doido! Gostei muito do pensamento final, eu sempre adorei estrear livros :)

aflores disse...

Finalmente...finalmente alguém a falar de lanches, agendas, canetas, livros e reuniões de apresentação. Estás é enganada quando dizes (ou dás a entender)que os médicos (só os médicos?) "levam" umas férias ao Brasil....Minha querida, fiquemos por aqui, para a "lista" não ocupar este comentário. Quanto aos manuais...só tenho a dizer que, em vez de se fazerem livros (manuais escolares) com excelente apresentação e óptimo, que ás vezes mais parecem livros de histórias aos quadradinhos, podiam poupar nos custos de produção e baixar assim, no custo final do livro. O dinheiro que até hoje gastei em livros, dava para ir ao brasil com a minha mulher e ainda por cima convidar a Salta Pocinhas e Exmo. Marido. "Toute a dezere" ;)

Varela de Freitas disse...

Ora aqui temos a Saltapocinhas a mais uma vez trazer para a discussão um caso de muito difícil resolução. Para além dos interesses das editoras temos ainda de contar com os interesses dos autores, mas mais importantes que eles está o interesse das crianças que os vão utilizar, e das famílias que suportam custos. E vá lá, dos professores também, que têm de escolher. Sai bem (até porque já colaborei com elas, de uma forma mitigada porque não estava a fazer propaganda de livros mas de uma ideia, a flexibilização curricular) como as editoras actuam... Mas a intervenção do Estado é perigosa. Tivémos anos e anos de livro único! Mas sem chegar a tanto, como fazer para qualquer comissão de análise não ser considerada censura? E se não houvesse manuais? (Isto é provocatório, claro... mas...)
Se a discussão for quente, talvez escreva mais sobre este tema.
Um bom dia!

O Micróbio disse...

os livros não são reutilizáveis? Faço parte de uma família onde somos 5 irmãos, os meus pais estariam completamente "feitos" se os livros não transitassem uns para os outros... Os livros foram passando de uns para os outros (sempre que não impusessem livros novos de outras editoras)... é claro que foi preciso impor algumas regras (como por exemplo, nos livros não se escrevia... os exercícios eram feitos em folhas à parte e sempre que fosse necessário escrever no livro... tiravam-se fotocópias)... e não foi difícil! Bem sei que na Faculdade seria bem diferente, mas fomos todos para sítios e áreas diferentes e aí não havia muito a fazer...

António disse...

Ainda havemos de ver o salazarista e fascista "Livro Único", escolhido por concurso público, regressar!
Apostam?
Eu, pessoalmente, nunca vi qual o mal dele.

SaltaPocinhas disse...

@@ MICRÓÓBIO: Não sei a tua idade...Se tens mais de 30,os livros antigos até eram reutilizáveis mas os novos não o são... Felizmente, digo eu!

SaltaPocinhas disse...

@@ANTONIO: Eu não sou defensora do livro único: há diferenças que é preciso respeitar entre as pessoas, as suas vivências e os seus gostos pessoais..

Armando S. Sousa disse...

Tenho três filhos, este ano entra o mais novo para a primária, não posso de te dar razão sobre o orçamento familiar ficar severamente em dificuldades, no principio de cada ano escolar.
É realmente vergonhoso, que o Governo pactua com este Lóbis.

Um abraço.

Betty Branco Martins disse...

Obrigada pela tua visita :)

O aumentos de preços dos livros escolares deveria merecer alguma arbitragem por parte do Ministério da Educação. Porque não é aceitável que todos os anos ( e à margem inclusive dos índices de inflação), este "produto" de primeira necessidade não tenha regras definidas para os seus aumentos. Se existisse uma maior preocupação, neste sentido. As livreiras fazem o seu papel, que é ganhar cada vez mais dinheiro, ninguem controla isso, (não convém), se outras medidas fossem tomadas:
Estou convicta, que muito ajudariam as famílias Portuguesas, em particular as mais carenciadas socialmente e naturalmente também as mais numerosas

Um beijo

Clitie disse...

Tenho dois primos profes e já tinha uma ideia disto, acho uma coisa do outro mundo! Nunca entendi muito bem porque é que mesmo na mesma zona os livros diferem de escola para escola. Eu vivo numa cidade (Quarteira, Algarve) que já tem 2 escolas primárias e os pais dos alunos quando vão comprar os livros têm que dar o nome da escola pq os livros são diferentes!!
Alguém me consegue explicar porque?

Saltapocinhas obg pelo resumo, eu tb não sei o nome de todas as personagens, mas entendi perfeitamente o que se passou no episódio.

Bjs

Paulo Lopes disse...

Tocas num ponto sensível e polémico, saltapocinhas... haveria tanto a dizer sobre isso, tanto...

Anónimo disse...

Compreendo muito bem o que dizes Saltapocinhas até porque a mim calha-me a mesma dose. O que mais irrita é que se tem de dar a opinião sobre todos porque senão as editoras ficariam aborrecidas com o Ministério da Educação.Vêmos logo que alguns nem para papel reciclado servem tão má é a qualidade e o conteúdo deles mas o preço continua a ser elevado.Não sou defensor do livro único mas que é um exagero é.concordo plenamente contigo quando dizes "« Todas as crianças de todas as raças devem ter o direito de estrear um livro» ".Bonito.BJS.Arte por um canudo 2

dinorah disse...

Isto é mesmo uma polémica!!
E o que nuca percebi é porque para alguns profs (leia-se contratos e invisiveis) nunca calha nada ou quase nada... alguns profs recebem os mesmos livros durante não sei qtos anos seguidos, uma tristeza! enquanto que outros, por vezes têm de os comprar nas livrarias públicas!!
Mas, nem tudo é mau! Na escola onde lecciono este ano, não há livros no grupo, mas por outro lado, a escola empresta livros a todos os meninos carenciados e ninguém fica sem livro por não haver $$$! É uma boa ideia, não? em vez de serem sempre para os mesmos profs, os livros são distribuidos gratuitamente pelos miudos, que os devolvem no fim do ano!

Gostei deste post!
Acho que chamaste a atenção para algo mesmo importante e que a maioria das pessoas nem sequer sabe!!

beijinhos!

SaltaPocinhas disse...

@@ DINORAH: Não te percebi muito bem. Estes livros não ficam para professora nenhuma, ficam como recurso da escola. Também não se podem dar aos miudos porque são todos diferentes. Só quando tenho 1 aluno ou 2 num grupo mais atrasado ou mais adiantado é que lhes posso dar um livro destes.
Outras vezes, quando temos bastantes damos um a cada aluno para eles lerem nas férias.

O Micróbio disse...

Então, ainda bem que os meus pais não tiveram 5 filhos agora. Se os novos não são reutilizáveis... INFELIZMENTE, digo eu! E certamente, infelizmente para muitas famílias!!!

Didas disse...

Lembro-me dum livro que recebemos uma vez lá na escola quando eu era profe... que tinha alto erro ortográfico... no título!!!
É o que dizem: Quantidade não é qualidade.

PARTILHAS disse...

40 Euros, um livro de 3º ano????

Hoje, não concordo lá muito contigo.
Acho que deveriam ser os professores a escolher as editoras, que lhes apresentam os livros, que mais lhes agradam.
E não vejo qual é o mal, da fotocópia... para os livros de exercicios.
Entendo, quando dizes que todos os meninos , merecem estrear um livro... todos os anos... até concordo contigo... mas, é como tu dizes, não existe orçamento familiar, que lhe resista... É como a roupa nova, sapatos novos, etc... Os mais novos, raramente têm...
Mas têm um mais velho...

Os anos passam por mim e mesmo sem provavel pai, para um segundo filho, dói-me no fundo do coração, o meu filho, não ter irmãos... Que utilizassem, tudo o que era dele e ele inclusivé...

Defendo na reutilização de livros sim!

Quem poder comprar compra, quem não poder, fotocopia...

Afinal na faculdade as reprografias, fartam-se de trabalhar... Enetndo a ideia do livro, novo, não estragado, para manter e não estragar ainda mais... Mas, são pormenores de vida, que por não podermos dar a todos, retiramos-lhe o resto...

Desculpa o desabafo... mas, as "contas", têm sido tema que me ocupa a cabeça o bastante ultimamente e o tipo de opções também.

Beijos grandes para ti.

SaltaPocinhas disse...

@@ PARTILHAS: Não estás tanto em desacorco com parece! 40 euros é o preço dos livros todos! Também sou a favor da reutilização, mas há livros que é impossível reutilizar.
Quanto aos professores escolherem editoras , isso não deve ser possível. O ministério é que devia mandar algumas editoras fecharem as portinhas...
Quanto às fotocópias, a maior parte da escola não tem fotocopiadora, é um "objecto de luxo"! E olha que já me disseram isso na cara!

Leonoretta disse...

olá Saltapocinhas
na minha escola temos mais sorte que na tua. somos dezoito professores... 9 de manhã e outros 9 à tarde.
ufaaaaaaaaa.

O Turista disse...

Olá!
Passa no meu blog e lê o post de dia 21 até ao fim, há lá "uma coisinha" para ti!
Bjs!

O turista - http://www.turistar.blogspot.com/

Formiguinha disse...

Concordo plenamente ctg. Livros em "segunda mão" são uma treta! Em alguns casos dá para fazer isso, noutros é impossível. O que é vergonhoso é o custo dos livros! Bjinhos

Carla disse...

Deixei-te no comentário ao 'Expressões felizes' vários links óptimos para fotos :) Beijo grande :)

Anónimo disse...

E a ler-te, em pensava apenas, ai,ai,ai tanto dinheirito gasto eu nos livros escolares dos filhotes... Bj e bom fds da Fernanda

JesusRocks disse...

Vou pairar um pouco à margem do assunto central. Falou-se de lóbi. Do ponto de vista comercial, penso que seria extremamente negativo o Governo condicionar a escolha dos manuais. Essa escolha deve ser feita pelas escolas, apoiada pelos professores que leccionam em cada escola.

Cabe à consciência dos professores escolher aqueles manuais que mais se adequem aos objectivos a atingir.

O livro único seria uma aberração - vivemos num estado democrático e não numa ditadura.

Mais a mais, não havendo livre concorrência, a qualidade geral dos manuais tende a decrescer e os preços a aumentar. Se os preços actuais são elevados, imaginem como seria se se atribuísse apenas a uma editora a função de produzir os manuais escolares. Não é preciso ser licenciado em economia para prever o resultado (monopólios!?).

Falou-se de lóbi - os lóbis são muito mal explorados em Portugal. Fala-se deles como cancros da democracia, quando na verdade são uma ferramenta poderosa para fazer valer direitos. O que seria do mundo se não fossem os lóbis? Os lóbis dos grupos ambientalistas, que já conseguem condicionar o rumo que a tecnologia e a ciência tomam (veja-se o caso da indústria automóvel), os grupos de defesa dos direitos humanos, que conseguem condicionar políticas externas e internas (veja-se o caso da abolição da pena de morte em cada vez mais países do mundo).

Crie-se então, se não existe já, um lóbi que tenha como objectivo garantir a qualidade e baixo preço dos manuais escolares.

Garanto-vos que não é fechando editoras ou impondo autoritariamente este ou aquele manual que se caminhará no sentido do progresso.

Para finalizar, termino com um pensamento. Acredito que os professores, mais do que ninguém, sabem escolher o melhor manual para os seus alunos. Não deleguem essa responsabilidade aos políticos!

dinorah disse...

Olá linda!! Não sei como é no 1º ciclo, mas em relação ao 3º ciclo e sec, os livros que supostamente deveriam ficar como recurso da escola, muitas vezes ficam na posse particular de alguns professores... digo isto, porque já estive em escolas assim, em que não havia um único livro do grupo em que lecciono, quando todos nós sabemos que todos os anos as várias editoras mandam montanhas de livros, na altura da escolha dos manuais...
Concordo plenamente contigo quando dizes que os livros (no caso especial do 1º ciclo) não são reutilizáveis!
um beijinho, força!