29 de abril de 2005

A Matemática. E o resto?

O título é um "quase plágio" do meu amigo Varela de Freitas, mas era mesmo sobre isto que eu ia escrever hoje.

Não vou dizer mais nada acerca do alargamento do horário (já disse alguma coisa, mas há muito mais para dizer... vou esperar para ver).
Imaginemos que sim, que há condições para tudo avançar e... avancemos.
Sendo assim, os meninos ficam mais duas horas e meia na escola. O horário passa a ser das 9 às 17:30, o que perfaz oito horas e meia no "local de trabalho".
(Um exagero, não? Mas não é disso que vou falar...)

A principal justificação para estas duas horas extra é o fraco desempenho a Matemática, que já toda a gente sabia existir há muito, mas como desta vez a coisa foi dita por uns estrangeiros do PISA, torna-se muito mais importante!
Mas (tinha de haver um "mas"), quanto a mim o fraco desempenho a matemática não se vai evaporar com mais aulas de matemática...
No 1.º ciclo as disciplinas estão todas muito ligadas - a tal interdisciplinaridade que parece que agora saiu de moda.
(De tal maneira entrelaçadas umas nas outras que o que mais me custava era escrever sumários em livros de ponto divididos em rectangulozinhos. E digo custava porque agora ignoro os rectangulozinhos e escrevo por ali abaixo...)
Um aluno para ser bom a matemática tem de ser bom a português. Saber ler e, principalmente, saber entender aquilo que lê, é fundamental para todo o conhecimento, incluindo a matemática.
Mesmo sem falar em resolver problemas em que é preciso ler e interpretar um enunciado... Para fazer cálculo mental, perceber o mecanismo dos números, entender as tabuadas ou seja o que for , é necessário perceber o que lhes é dito, "descodificar" as mensagens e saber depois fazer-se entender. E é bem difícil, sobretudo em meios mais pobres, onde o vocabulário das crianças é muito limitado, onde o primeiro livro de histórias que tiveram na vida foi o que a escola lhes ofereceu no Natal...
Agora podia ainda perguntar como se ensina matemática ou outra coisa qualquer a quem passa fome... mas isso fica para outro dia!

16 comentários:

Paulo Lopes disse...

Muito bem, saltapocinhas. E essa do "passar fome" emfim... nem se fala... :-[

Bárbara Vale-Frias disse...

Eu sou professora de Química e, às vezes, digo aos meus alunos (secundário):

"Este problema é 50% Português, 30% Matemática e só 20% Química."

Sim, porque na base está muitas vezes a interpretação do problema e a aplicação correcta das leis e regras matemáticas.

Armando S. Sousa disse...

Lógicamente o português é extremamente importante para a resolução dos problemas de aritmética a nível da primária, e mais tarde na matemática. Agora o problema de Portugal, não é apenas a matemática, na generalidade os alunos são fracos a todas as disciplinas e principalmente na disciplina de português. Não há sistema de ensino que resista enquanto não resolverem o problema da língua materna.

Um abraço.

Estrela do mar disse...

..tens toda a razão...eu fui professora de música aos 18...e deixei por livre opção...mas aí não se colocava esse problema...porque dava aulas numa escola particular...e só iria para lá...quem tivesse possibilidades...mas realmente...estou de acordo contigo...e não acho que o facto de haver mais horas da disciplina em questão...faça os alunos melhorarem o seu rendimento...o que às vezes me dá a parecer...é que as crianças já vão para o 1º ciclo com o trauma da matemática...e a outra coisa tem a ver com muitos professores...que nessa fase tão importante para o crescimento da criança em todos os aspectos...são normalmente professores...que nunca gostaram de matemática...e que se vissemos o seu curriculum...verificávamos que eram muito, mas muito fraquinhos nessa disciplina...e que por vezes nem a tabuada sabem...agora pergunto...como hão de cativar e ensinar as crianças...se eles têm tantas dúvidas sobre as matérias dessa disciplina...

Um beijo* grande e bom fim de semana.
Fica bem amiguinha...porque a minha "doença"...tem tudo a ver com estado grave da minha mãe...mas eu nada posso fazer...e tenho que continuar a olhar em frente.

E já agora...desculpa este "lençol".

O Micróbio disse...

Pois... de qualquer forma esta pergunta-me assalta-me sempre que se fala em insucesso na matemática: e há umas dezenas de anos atrás, a percentagem de chumbos era idêntica?

SaltaPocinhas disse...

@@ MICROBIO: Há umas dezenas de anos atrás os "maus alunos" iam direitos da escola primária para o mercado de trabalho!! Portanto,estes problemas não se punham.

MWoman disse...

Perguntas tu e pergunto eu, como se ensina? Com mais horas na escola? Olha, nem vou dizer mais nada, uma palhaçada é o que é. Escola virou mesmo o depósito de crianças e a factura vai ser dolorosa. Já está a ser!

pekala disse...

Eu cá não sei porque a mim nunca houve ninguém alguma vez nesta vidinha e nem haverá noutra nunca nunca nunca que me consiga ensinar matemática!Mas era barra a português e ainda hoje odeio pontapés na gramática!

pekala disse...

Ai que eu nem sei o que te faço se me voltas a mandar outro labirinto parecido GRRRRRRRRR!!!!!!!!

Betty Branco Martins disse...

Bom... matemática para mim, nunca foi o que se pudesse chamar de problema. Mas pergunto eu na minha total ignorância, no que diz respeito ao ensino:

O que se passa em algumas das nossas escolas? O que se passa com alguns dos nossos alunos? Porque têm alguns dos nossos jovens tão fracos resultados escolares? Paira a dúvida: o problema é apenas dos alunos ou também dos professores? De quem é o insucesso e quem abandona quem? Os alunos abandonam a escola ou são, por vezes, abandonados quando a escola desiste do desafio de os ensinar sempre que isso se torna difícil, quando não se sente responsável pelos seus alunos e pelo sucesso destes?

É isto que eu não entendo! Eu tenho imenso respeito pelos professores, ensinar não deve ser fácil! E o próprio Sistema não arranja ou cria alternativas que vá facilitar, a vossa tarefa. Acredito que haja excelentes professores, eu conheço alguns, que nasceram para ensinar, têm esse DOM! Mas então, existe algo que não está nada bem, para tanto insucesso escolar!

Um beijo, B.F.Semana

Bárbara Vale-Frias disse...

A reportagem deve dar hoje no Jornal da Noite da Sic. Ou, então, amanhã.

Sou uma aranha "bárbara"! ;)

Bárbara Vale-Frias disse...

A reportagem deve dar hoje no Jornal da Noite da Sic. Ou, então, amanhã.

Sou uma aranha "bárbara"! ;)

Leonoretta disse...

concordo contigo. creio que se trabalhássemos juntas faríamos uma boa equipa. saber o português é fundamental para a resolução de problemas. entender a "palavra mágica" que o leva a determinada operação.
quanto ao aprender quando se tem fome...
...fome de barriga e de carinho.

guevara disse...

Olá!
Obrigadíssima pela passagem no meu cantinho!
Espero cativar mais pessoas para assim passar a msg mais facilmente!
Passa lá e vez do que estou a falar.
é qualquer coisas identico ao teu, mas não se trata de escola!
É acerca daquilo que faço...
Passa lá...

ah! e já agora, nesta matéria de horarios, escola e tempos curriculares, devia existir um maior dialogo com os professores, por parte de quem comanda.
è que são estes (os professores) que passam o tempo todo com a s crianças.

Beijinho, ca voltarei!

homoclinica disse...

Gostei desta reflexão sobre a matemática. Também tenho essa sensação de que muitas vezes ela não é compreendida porque não conseguem interpretar, perceber o enunciado. Uma questão de Português, portanto. Ainda hoje, num teste, as dúvidas que os alunos me puseram mostraram isso mesmo. Mas também não sei o que se poderá fazer para resolver o problema.

Anónimo disse...

Gostaria de saber se você tem fabulas referente ao bloco logico e tangram. Se você tiver alguma informação manda pra o meu email. myldrad@yahoo.com.br