21 de abril de 2005

Manuais reutilizáveis

O facto de eu ter dito que os manuais não são reutilizáveis gerou alguma polémica e confusão.
Por isso, dedico este post a esse assunto para que fique bem esclarecido.
Em primeiro lugar é preciso não esquecer que estou a falar do 1.º ciclo, onde a principal actividade das crianças é riscar, rabiscar e só depois escrever! E essa escrita é de aprendizagem.
Eles escrevem para aprender a escrever!

Há uma meia dúzia de anos atrás os manuais de Português só tinham os textos. As perguntas estavam no fim do texto, sem espaços para responder. Assim era fácil não escrever no livro.
Actualmente as perguntas têm o espaço de resposta no próprio livro e para além disso ainda há livros só de fichas de trabalho (que eu muitas vezes dispenso, pois prefiro ser eu a fazê-las à minha maneira e à medida da turma, não tendo portanto os pais sequer de as comprar).
Nesta disciplina não é impossível deixar de escrever no livro. As crianças podem copiar as perguntas para uma folha e responder aí.
Isto se andarem já no 2-º ano ou mais.
No 1.º ano ainda não são capazes de o fazer.

Já na Matemática é de todo impossível reutilizar o livro.
Quem pensa o contrário, talvez seja do tempo em que o livro de Matemática apenas tinha contas e problemas...
Agora não é assim: os livros têm exercícios impossíveis de serem copiados para um caderno. Exercícios que incluem tabelas, figuras, quadros, labirintos, itinerários, mapas, relógios, moedas, etc., etc..

Quanto a fazer fotocópias, grande parte das escolas do 1.º ciclo nem sequer tem fotocopiadora...
Depois, andar todo o ano a trabalhar só com fotocópias tornava-se incomportável financeiramente. Mesmo com manuais e a escrever neles tiramos milhares de fotocópias por ano!
Além disso no 1.º ciclo as fichas de trabalho são muito coloridas e têm fotografias ou desenhos. Fotocopiadas ficariam impraticáveis.

Hoje na minha escola chegámos ao record dos 100 livros recebidos (e ainda hão-de vir mais!). Agora multipliquem isto por milhares de escolas...
Se este desperdício deixasse de existir os manuais podiam ser muito mais baratos...

9 comentários:

Amaral disse...

Inteiramente de acordo!
Já não bastam os desperdícios que vemos diariamente, por essas ruas fora: lâmpadas acesas em pleno dia, água a escorrer por canos rebentados, sistemas de rega mal racionalizados... e outros mais!

Cakau disse...

Na verdade, nenhum livro é reutilizável. Mesmo a nível de programas.

Não podia estar mais de acordo com as tuas opiniões.
Beijinhos grandes *

Paulo Lopes disse...

E não se pode extermina-los?

Confessionário disse...

Concordo contigo. Andamos sempre a queixar-nos do que se desperdiça. Mas não há maneira.

JesusRocks disse...

Onde uns vêem desperdício, outros vêem estratégia de marketing. A economia de mercado funciona mesmo assim. E não, os livros não seriam maia baratos. A concorrência livre é a única forma conhecida de baixar os preços e aumentar a qualidade de bens e serviços numa economia de mercado - desde que não haja monopólios.

DP disse...

Inteiramente de acordo!Fica a tua explicação para quem achava um desperdicio e uma falta de cultura ecológica quando se dizia que os manuais como estão não são reutilizáveis.Bom fim de semana.Arte por um canudo 2

Jorge disse...

Questões pertinentes. Sem dúvida, a reutilização implicaria a reavaliação do desperdício, mas também o reequacionamento da lógica mercantilista da feitura dos livros... e as editoras que vivem disto? Por que não COMPUTADORES, mas nem fotocopiadoras existem no primeiro ciclo!?

Leonoretta disse...

olá Saltapocinhas
não há nada a acrescentar. já explicaste tudo com nota 20. beijinho

Estrela do mar disse...

...tenho estado adoentada...passei para te desejar a continuação de um bom fim de semana...

Um beijinho*.