5 de maio de 2005

E a culpa continua...

Eu tinha prometido a minha opinião, agora não se queixem...

Quando as crianças chegam à escola já têm no mínimo 5 anos de idade (o que é uma barbaridade, mas isso fica para outro post).
Toda a gente sabe que os primeiros anos de vida são muito marcantes.
Mesmo os nove meses de gestação estão a ser cada vez mais levados em conta como essenciais para o futuro do novo ser.
Se durante esses 5 anos a criança não for estimulada, acarinhada, bem alimentada, bem educada e bem tratada sob todos os aspectos, isso vai comprometer irremediavelmente o seu futuro (escolar e não só).
Portanto, quando uma criança nos chega às mãos, muito do "destino" dela já vem traçado: nos genes e no tipo de vida que levou e vai continuar a levar - pois por enquanto ainda passam 5 horas por dia na escola ;-).
Claro que a escola tem muita influência e pode tornar a vida duma criança muito melhor, ou, infelizmente nalguns casos, muito pior.
Eu acredito, embora sem nenhum "estudo científico" que o possa comprovar, que as pessoas nascem com mais habilidade para umas coisas do que para outras.
Assim, enquanto uns preferem os números, outros gostam mais das letras, outros ainda preferem os desenhos, ou a música...
Daqui sairão crianças com mais apetência para a Matemática, ou para o Português, ou para as Artes.
O papel dos professores é simplesmente ajudar as crianças a descobrir as suas habilidades naturais e a potenciá-las e também tentar fazê-los gostar um pouco das actividades para que têm menos jeito e por isso menos vontade de aprender.
E, se há professores que não cumprem as suas obrigações, então que alguém os tire das escolas para darem lugar aos competentes.

... Milagres ainda não fazemos, embora às vezes andemos lá perto!

16 comentários:

Carla disse...

Devo a grandes professores o meu gosto pela leitura e pela escrita. Tive professores que me marcaram imenso, que davam aulas com gosto e nos faziam ter vontade de ir a correr para a sala assim que tocava para aquela disciplina. Até me entristecia (o que não é normal) quando faltavam. Que alegria poder recordar professores assim :) Beijo grande :)

Anónimo disse...

Há 30 anos atrás, os meninos tinham 4 horas de aulas e ponto final. E quem ís à escola aprendia... digo eu...
O problema é a falta de raciocinio lógico...
Se pai e mãe trabalham 8 horas por dia, o que representa aproximadamente 12 horas, fora de casa... Onde é que se deixam as crianças?
Nos espaços, onde elas já estão habituadas a ficar...
O que me parece errado, é responsabilizarem-se sempre os mesmos...

Defendo que em cada escola deveria haver um responsável tipo tutor (como em Inglaterra) por aluno. Que coordena, o ou os professores, uqer seja de matemática, ginástica, natação, Inglês, ou simplesmente tempo de lazer, de recreio de brincadeira...

O que me parece errado é que se espere que UM professor de 1ºciclo, ensine tudo isto a 20 meninos, seja responsável por 8 horas por dia, que os meninos estão na escola (e desculpa minha querida... mas pelo menos em cidade... quem trabalha 8 horas por dia... tem que os deixar nalgum lado, o mesmo tempo... ou não os tem...) e que ainda os ensine a serem bem educados, a se sentarem bem... etc etc...

O que me parece é que se pretende responsabilizar um pelo trabalho de uma comunidade inteira...

Partilhas

Anónimo disse...

O que está errado é o sistema em si, penso. Não é na escola que as crianças devem ser educadas, essa tarefa cabe aos pais. Mas a escola é o local onde se socializam, além de obterem mais ou menos instrução. Devia haver mais participação dos pais, intervenção activa, mais observo que são poucos os que têm tempo para isso. Começar a escola com 5 anos é uma violencia. Tenho em casa uma prova disso. Mas sabes o que acho que determina mesmo o sucesso escolar de um criança pela vida fora? O(s) professor(es) que teve a sorte ou azar de encontrar na primária, e a forma como se adaptaram um ao outro. É como tu dizes, deixem lugar para os professores competentes e interessados, uns autenticos milagreiros!Em conjunto com os pais e alguma disciplina de trabalho e estudo, tudo corre bem. Bj e bom fds da Fernanda

Dulce Dias disse...

Bem, lendo o comentário de Partilhas, apetece-me dizer uma outra coisa: Afinal, se os pais trabalham tanto tempo fora de casa e não têm tempo para as crianças, se calhar, o que faz falta, é trabalhar menos tempo. É termos uma sociedade que incentive as políticas de natalidade, que dê tempo aos pais para assumirem os filhos. Como em França, por exemplo, onde as crianças não têm aulas às quartas-feiras e, obviamente, as mães também não trabalham nesse dia. Ou onde as mães, ou os pais, podem trabalhar a 80% do tempo ou mesmo a 50% ou mesmo não trabalhar para poder educar os filhos, ficar com eles, amá-los, ensinar-lhes o que é a vida e o amor para que quando cheguem à escola não andem todos a atirar as culpas para cima uns dos outros!

O Micróbio disse...

Pois... "E, se há professores que não cumprem as suas obrigações, então que alguém os tire das escolas para darem lugar aos competentes."... acertaste no centro do alvo. Experimenta falar em "avaliação de desempenho" e vais ver o pessoal todo a cair-te em cima... eu sempre disse que o esquema que é usado actualmente na formação profissional é o mm que se devia introduzir no sistema educativo: avaliação de alunos mas também avaliação de formadores de acordo com um determinado número de parâmetros, onde estão incluídos factores comportamentais, tarnsmissão de conhecimentos, cumprimento de objectivos, assiduidade, etc...

Anónimo disse...

Concordo com o essencial do que dizes saltapocinhas!Mas fiquei sem saber se achas que as crianças deviam de ir para a escola antes dos cinco anos e deviam ter mais que cinco horas diárias? Pois na minha opinião parece-me errado.Uma criança tem que ter tempo para estar com os pais, a afectividade que recebe deles é diferenta daquilo que tem na escola.Não é a criança que tem de estar mais tempo na escola, mas sim a mãe ou o pai é que tem de trabalhar menos horas para estar mais tempo com a criança.O sistema de sociedade que se pretende é que tem de mudar.Arte por um canudo 2

Anónimo disse...

Desculpa, tenho que acrescentar que as aprendizagens não se situam todas na escola.Isso de ser no Português ou na Matemática que estamos mais atrasados é uma falsa razão para todo o panorama português.Se formos a ver e se houvesse outros estudos em outras áreas acontecia-nos o mesmo.Como se faz já em alguns países o Pai ou a mãe tem menos horas de trabalho para estar com os fihos.É aqui que está o cerne do que se passa connosco.Só vivemos para o emprego e para o tabalho e se fôr um trabalho com mais de oito horas diárias 8menos tempo para os filhos)melhor para o país porque há mais produção. Esquecemos é a sociedade que estamos a construir e as nossas crianças sairão conforma o modelo que estamos a reproduzir.Arte por um canudo 2

Varela de Freitas disse...

Afinal, onde está a culpa?
Para começar: a criança entra na escola aos 5/6 anos mas já teve a experiência da pré-escola (jardim de infância). Está claramente provado que a frequência do jardim potencia o aproveitamento escolar posterior. Não vejo que seja um problema a criança estar na escola, a não ser que a escola se transforme num lugar de suplício - mas o não ser esse lugar é tarefa dos professores.
Continuando: claro que porque somos diferentes as nossas apetências e competências divergem, mas em princípio é possível que uma criança aprenda o essencial desde que não existam obstáculos físicos ou psicológicos inultrapassáveis. Como disse numa das entradas da MF, o tempo de aprendizagem tem de variar conforme as estruturas pessoais de cada menino ou menina.
Diz-me uma coisa: os teus meninos não gostam da escola? Tenho a certeza que gostam dela e de ti. E isso é muito importante!
Bom fim de semana!

zezinho disse...

Este assunto não se esgota num mero comentário.
Teríamos de questionar que sociedade temos e que sociedade queremos. Seremos capazes de exercer a nossa cidadania?
Definamos ensino.
Vocação. Família, tempo disponível para as crianças, etc.

Beijo.

Leonoretta disse...

quiseram sempre fazer dos professores uns superhomens e agora com essa história da interculturalidade devem estar a querer diariamente uma ficha para cada um, porque além da cultura diferente do aluno ainda tens o nível muito sui generis...

bem! eu até compreendo e respeito isso tudo... só que nao consigo corresponder às expectativas que o ministério tem de mim embora eu tente, tente...

António disse...

Nos anos 50, época em que fiz a primária de acordo com os cânones do salazarismo, havia aulas só de manhã ou de tarde (pelo menos na minha escola). Aprendia-se tudo e mais alguma coisa. Memorizava-se imenso. Claro! Naquelas idades a memória é fabulosa. Muitas coisas não eram percebidas nessa altura, mas sê-lo-íam mais tarde, nas mais variadas circunstâncias. Mas também se aprendia a raciocinar. Fazíamos problemas que eu próprio, mais tarde, me perguntava como tinha conseguido resolver.
Na 3ª classe já havia um exame. Fácil. Treino para o ano seguinte.
Na 4ª classe havia aulas de manhã mas de tarde íamos quasi todos para casa da professora, todos os dias, das 2 às 7, para sermos bem puxados.
E depois tínhamos o exame da 4ª classe, e ainda o de admissão aos liceus ou escolas técnicas. Penso que ambos a nível nacional.
Que me conste, nunca nenhum de nós ficou marado ou traumatizado ou morreu de fadiga. Alguns chumbavam, que chatice!
Ahh...e ainda apanhavamos reguadas, canadas e puxões de orelha.
Em suma: Faziam-nos aquilo que acho que não se faz hoje.
Preparavam-nos para a vida!
E instruíam-nos!
E até nos complementavam a educação doméstica!
E até tínhamos a catequese ao domingo (mas aos 14 anos virei ateu)
Actualmente, parece-me que tratam as criancinhas como bibelots.
E mais não digo porque este não é o meu blog e já escrevi demais.
Peço desculpa!
Agora, por favor, contem até dez antes de me chamar reaccionário!
(uma subtileza: eu ponho a calculadora e o computador a fazer contas, mas também faço as mais simples de cabeça; um detalhe: tenho formação em engenharia, mas vão ao meu blog ver os erros de português que por lá tenho)
Bom fim de semana

pekala disse...

Todos os anos sou avaliada pelo meu trabalho,isso devia acontecer em todas as profissões,sejam elas quais forem,mas especialmente os professores que têem um papel preponderante na formação das pessoas!(falei bem não falei?)

aflores disse...

A função da escola, penso eu, será de ensinar, preparar. Infelizmente, existem Pais que continuam a pensar que a escola é um depósito de crianças e os professores as suas "amas". Quanto ao profissionalismo...o mau e o bom está e estará sempre presente em todas as profissões.

Gustavo Almeida disse...

Concordo plenamente com a Saltapocinhas.

No entanto, também concordo que se proceda anualmente a uma avaliação de desempenho rigorosa de todos os professores, mesmo enquanto funcionários do Estado.

Como funcionário público, desde o início que aceitei a necessidade de uma efectiva avaliação e gestão por objectivos, dado que a mesma, se correctamente efectuada, me permite saber os pontos bons e maus, qual a formação necessária para melhorar certas carências, etc...

mfc disse...

Concordo inteiramente contigo que o pré primário e a educação caseira são fundamentais para a aprendizagem dos miúdos.
Mas volto a insistir que o problema está no português e não me refiro a ti, claro!
Hoje nota-se um claro déficit de capacidade interpretativa.

António disse...

Minha querida "Saltapocinhas":
Tu começaste, eu e outros continuamos.
A chatisse de discutir temas como o da educação, sobretudo nestes foruns escritos, é de que fica sempre a sensação de ter ficado quasi tudo por dizer.
Quando se conversa ao vivo, consegue-se ir mais longe. Mas essa "angústia" de não ter resolvido nada é um resíduo que resta sempre.
Trocaram-se alguma ideias interessantes.
Mas é por estas e por outras que eu prefiro contar as minhas histórias.
Um grande beijinho para ti.