30 de abril de 2005

Um poema

Delicioso este poema que acabei de "trazer emprestado" do ExImproviso.
Não me é completamente estranho, mas já não me lembrava dele.
A autora é Fernanda de Castro.
Foi escrito em 1941, mas em certos aspectos parece ainda (infelizmente...) tão actual!



...Lisboa, Santarém, Porto, Leiria...
(eu sabia de cor toda a geografia)
O Senhor Inspector
deu-me a nota mais alta em geografia
e disse gravemente:
- Continua. Hás-de ser gente...
Ângulo recto, agudo,cateto, hipotenusa...
(já manchara de giz a minha blusa
mas respondia a tudo
e a professora sorria
enquanto eu papagueava a geometria)
...D.Sancho, o Povoador...
D.Dinis, o Lavrador...
(Tinha então boa memória,
sabia as datas da história...)
1580
1640
1143
em Arcos de Valdevez...
(Muito bem, sim senhor!
A pequena é simpática)
E depois, em voz alta, o senhor Inspector:
- Vamos à gramática.-
...E, nem, não só, mas também...
conjunções copulativas
(Eu pensava na alegriaque ia dar a minha mãe,
nas frases admirativas
da velha D.Maria,
a minha primeira mestra:
- Tão novinha e ficou "bem"!
- e esta suavíssima orquestra
acompanhava em surdina
o meu primeiro exame de menina
aplicada, orgulhosa e inteligente...)
- Vá ao quadro, menina! Docilmente
fiz os problemas, dividi fracções,
disse as regras das quatro operações
e finalmente
O Senhor Inspector
felicitou-me,quis saber o meu nome
e declarou-me
que ficara "distinta" sem favor.
Ah! que esplendor!
Que alegria total e sem mistura,
que orgulho, que vaidade!
Olhei de frente o sol e a claridade
não me cegou, julguei-a quase escura...
As estrelas, fitei-as como iguais.
Melhor: como rivais...
E a Humanidade
pareceu-me um rebanho sem vontade,
uma vasta colónia de formigas...
(As minhas pobres, tímidas amigas!)
Pouco depois, em casa, a testa em fogo, o olhar em brasa,
gritei num desafio
à terra, ao céu, ao mar, ao rio:
- O mãe, eu já sei tudo!
No seu olhar tranquilo de veludo,
no seu olhar profundo,
que era todo o meu mundo,
passou uma ironia tão velada,
uma ironia
tão funda, tão calada,
que ainda hoje murmuro cada dia:
"- Ó mãe, eu não sei nada!..."

Frase do dia, acabada de receber por e-mail do meu amigo AFlores.

  • « O trabalho fascina-me: às vezes fico parado a olhar para ele sem fazer nada...»

29 de abril de 2005

A Matemática. E o resto?

O título é um "quase plágio" do meu amigo Varela de Freitas, mas era mesmo sobre isto que eu ia escrever hoje.

Não vou dizer mais nada acerca do alargamento do horário (já disse alguma coisa, mas há muito mais para dizer... vou esperar para ver).
Imaginemos que sim, que há condições para tudo avançar e... avancemos.
Sendo assim, os meninos ficam mais duas horas e meia na escola. O horário passa a ser das 9 às 17:30, o que perfaz oito horas e meia no "local de trabalho".
(Um exagero, não? Mas não é disso que vou falar...)

A principal justificação para estas duas horas extra é o fraco desempenho a Matemática, que já toda a gente sabia existir há muito, mas como desta vez a coisa foi dita por uns estrangeiros do PISA, torna-se muito mais importante!
Mas (tinha de haver um "mas"), quanto a mim o fraco desempenho a matemática não se vai evaporar com mais aulas de matemática...
No 1.º ciclo as disciplinas estão todas muito ligadas - a tal interdisciplinaridade que parece que agora saiu de moda.
(De tal maneira entrelaçadas umas nas outras que o que mais me custava era escrever sumários em livros de ponto divididos em rectangulozinhos. E digo custava porque agora ignoro os rectangulozinhos e escrevo por ali abaixo...)
Um aluno para ser bom a matemática tem de ser bom a português. Saber ler e, principalmente, saber entender aquilo que lê, é fundamental para todo o conhecimento, incluindo a matemática.
Mesmo sem falar em resolver problemas em que é preciso ler e interpretar um enunciado... Para fazer cálculo mental, perceber o mecanismo dos números, entender as tabuadas ou seja o que for , é necessário perceber o que lhes é dito, "descodificar" as mensagens e saber depois fazer-se entender. E é bem difícil, sobretudo em meios mais pobres, onde o vocabulário das crianças é muito limitado, onde o primeiro livro de histórias que tiveram na vida foi o que a escola lhes ofereceu no Natal...
Agora podia ainda perguntar como se ensina matemática ou outra coisa qualquer a quem passa fome... mas isso fica para outro dia!

28 de abril de 2005

Horários novos!

Quando ontem cheguei a casa, por volta das 19 horas, a queixar-me de cansaço, o meu marido disse-me: "Ó mulher não te preocupes que ouvi há bocado na rádio que as escolas vão passar a funcionar até às 17:30. Vais começar a sair mais cedo!"

Vim logo ao computador saber pormenores e foi então que li a notícia das escolas passarem a estar "abertas" mais duas horas e meia. Esse tempo será para aulas de Matemática, Estudo Acompanhado, Inglês e Desporto!
Ainda estava de boca aberta a olhar para o computador quando aparece a ministra na televisão a dizer que essas actividades podem ser orientadas até por auxiliares (!!!!!!!!!!!!!!!!).
Por outro lado fala-se numa maior e melhor formação inicial dos professores e de formação para os que já trabalham... Mas então qual é a lógica disto?
Muita confusão e muita "pata na argola" é o que me parece por enquanto!
Certo certo é que o ensino vai mal, algumas coisas vão ter de mudar, mas não me parece que este seja o caminho.
Por variadíssimas razões, a primeira das quais é que grande parte das escolas não têm condições nem para as aulas normais...
Se a minha escola está ocupada com aulas desde as 8 da manhã até às 18:15, se tem apenas duas salas, vão fazer as actividades onde? E quando?
Nas escolas de regime normal, o alargamento de horário vai ser feito à custa de quem, uma vez que "professores de apoio" é coisa que não existe, é tipo extra terrestre: já toda a gente viu um, mas ninguém o consegue provar...
Depois também fiquei um bocado baralhada com o "curricular" e o "extra curricular": para mim tudo o que se faz na escola, até as brincadeiras do recreio, são curriculares.

E ninguém pensou nas crianças?
Numa altura em que se fala tanto em reduzir os horários de toda a gente querem pôr crianças que entram para a escola com 5 anos a trabalhar sete horas e meia por dia? Não é um exagero?
Eu sei que nas cidades elas acabam por sair da escola e ir para "tempos livres" que também não costumam ser nada bons, mas pelo menos mudam de ambiente, de actividade, de colegas...
Nas escolas de aldeia a maior parte das crianças vão para casa (de pais ou avós) e esse tempo de descanso ou mudança de actividade é precioso para a sua formação como pessoas.

A notícia é recente, eu tenho um acordar péssimo, por isso logo à noite ou amanhã volto ao assunto com as ideias mais organizadinhas.
É que ficou ainda muito por dizer...

27 de abril de 2005

Pensamento do dia

"Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para a recuperar. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro.
Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido..."
Confúcio

25 de abril de 2005

25 de Abril, Dia dos Namorados

cravo.jpg

25 de Abril... de 1975

O dia estava lindo, luminoso, quente e cheio de sol!
As pessoas andavam com um brilhozinho especial nos olhos: afinal era a primeira vez que se podia votar livremente!
Por volta das 3 da tarde fui levar o lanche ao meu pai, que estava numa assembleia de voto. Como eram as primeiras eleições era tudo tão a rigor que as pessoas não saíam lá de dentro nem para comer... O cuidado era tanto que não me deixaram entrar com o lanche: dei a um senhor que depois o foi entregar (frustando a minha tentativa de ver como eram as eleições por dentro...)

No caminho de volta a casa encontrei o meu grupinho de amigas e resolvemos ir comer um gelado ao café onde costumávamos ir, no centro da vila.
Nisto passa um carro com um rapaz conhecido de uma delas.
Ele parou, ela apresentou o resto da malta e fomos todos para o café.
Chegados lá, eu desisti do gelado e resolvi pedir uma Coca-Cola.
Gelado era coisa de crianças e eu, com os meus 15 aninhos, não queria parecer uma criança à frente do rapaz, que era mais velho.
(O que não teria nada de mais não fora o facto de eu não gostar de Coca-Cola!)

Ele trazia ao peito um enorme "pin" do PS, era lindo, charmoso, com um enorme sentido de humor (embora um bocadinho arrogante para o meu gosto, que estava habituada a lidar com "meninos" da minha idade).
Já era de noite quando se foi embora, sem data marcada para voltar.
Voltou logo no 1.º de Maio e também nos encontrámos na rua e também fomos ao mesmo café... (não sei o que bebi, mas não foi Coca-Cola!)

E foi assim...
Desde esse dia nunca mais nos separámos.
Acho que posso acabar esta história como costumam acabar as de contos de fadas de que tanto gosto: casaram, tiveram muitos meninos (dois, pronto, não pode ser tudo igualzinho) e... viveram felizes para sempre!

PS: por isso hoje é o meu "dia dos namorados" e não devo estar em casa pois pretendemos sair para festejar...

24 de abril de 2005

Hoje é domingo...

Frase do dia, roubada descaradamente ao
Pé de Meia

«Está provado que por cada minuto de exercício, aumentamos o nosso tempode vida em um minuto. Isso permite-nos que, aos 85 anos, possamos ficar mais 5 meses num lar de terceira idade pagando 200 contos por mês.»

23 de abril de 2005

Apontamentos e dúvidas

  • A Caroll, no Fórum, é uma loja de roupa que vende tamanhos grandes. Então porque será que as cabines são tão minúsculas que eu, que visto o 38, me vejo aflita para caber lá dentro?
  • Não me soa bem: "Papa Bento" (será por ser de Aveiro? Eu, não ele...)
  • Porque é que tenho de escrever nickname e a password para comentar no meu blog?
  • Quando pensava que os programas de televisão tinham atingido o ponto máximo de rasquice e que daqui para a frente só seria possível melhorar, aparece um novo programa na TVI, com um "clone" na SIC.
    Indigno, inimaginável, inclassificável, ignóbil, indecente...
  • Ainda não vi nenhum texto sobre o 25 de Abril em nenhum livro de Português ( e já vi bastantes...) Será que se esqueceram?

21 de abril de 2005

Manuais reutilizáveis

O facto de eu ter dito que os manuais não são reutilizáveis gerou alguma polémica e confusão.
Por isso, dedico este post a esse assunto para que fique bem esclarecido.
Em primeiro lugar é preciso não esquecer que estou a falar do 1.º ciclo, onde a principal actividade das crianças é riscar, rabiscar e só depois escrever! E essa escrita é de aprendizagem.
Eles escrevem para aprender a escrever!

Há uma meia dúzia de anos atrás os manuais de Português só tinham os textos. As perguntas estavam no fim do texto, sem espaços para responder. Assim era fácil não escrever no livro.
Actualmente as perguntas têm o espaço de resposta no próprio livro e para além disso ainda há livros só de fichas de trabalho (que eu muitas vezes dispenso, pois prefiro ser eu a fazê-las à minha maneira e à medida da turma, não tendo portanto os pais sequer de as comprar).
Nesta disciplina não é impossível deixar de escrever no livro. As crianças podem copiar as perguntas para uma folha e responder aí.
Isto se andarem já no 2-º ano ou mais.
No 1.º ano ainda não são capazes de o fazer.

Já na Matemática é de todo impossível reutilizar o livro.
Quem pensa o contrário, talvez seja do tempo em que o livro de Matemática apenas tinha contas e problemas...
Agora não é assim: os livros têm exercícios impossíveis de serem copiados para um caderno. Exercícios que incluem tabelas, figuras, quadros, labirintos, itinerários, mapas, relógios, moedas, etc., etc..

Quanto a fazer fotocópias, grande parte das escolas do 1.º ciclo nem sequer tem fotocopiadora...
Depois, andar todo o ano a trabalhar só com fotocópias tornava-se incomportável financeiramente. Mesmo com manuais e a escrever neles tiramos milhares de fotocópias por ano!
Além disso no 1.º ciclo as fichas de trabalho são muito coloridas e têm fotografias ou desenhos. Fotocopiadas ficariam impraticáveis.

Hoje na minha escola chegámos ao record dos 100 livros recebidos (e ainda hão-de vir mais!). Agora multipliquem isto por milhares de escolas...
Se este desperdício deixasse de existir os manuais podiam ser muito mais baratos...

19 de abril de 2005

Invasão de manuais escolares...

... Começou logo no início do 3.º Período e não vejo jeitos de que acabe tão cedo!
Para casa as editoras mandam-nos convites para lanches em hotéis de Aveiro onde pretendem mostrar e oferecer (impingir) os seus livros.
A essas reuniões chamam "Acções de Formação" com direito a falta justificada e tudo!

Para a escola enviam as caixas com os livros (uma média de 7 livros por caixa, pois inventam sempre e cada vez mais os indispensáveis "livros de apoio")
Até hoje temos 11 caixas, o que dá cerca de 75 livros.
Oficialmente os professores têm de "analisar cuidadosamente os livros para procederem a uma escolha criteriosa que obedeça... blá blá blá..."
Acontece que na minha escola somos 4 professoras, sendo que uma vai para a reforma no final do ano e está pouco preocupada coma escolha dos manuais, como é normal. Ficam assim 3. Fiz as contas e dá uma média de 25 (vinte e cinco!!) livros a cada uma!
Análise criteriosa?
Isto é para rir ou para chorar?

Quando é que o governo acaba com esta pouca vergonha?
Há editoras que têm o desplante de nos enviar 2 ou 3 colecções diferentes. Isto para não falar das editoras cujos livros são tão rascas que nem deviam existir!
E pior: há gente que os adopta!!

Porque não as obrigam a fazer apenas uma colecção?
Ou antes, porque não cria o Ministério um grupo de trabalho, formado por gente competente na matéria, que analise os livros e que só permita que sejam publicados dois ou três de cada disciplina?
É que este descalabro, além de dar cabo da paciência de quem quer ter um mínimo de rigor a escolher os manuais, deve ficar caríssimo! E depois o preço dos livros é o que é!
Este ano escolhem-se livros para o 3.º ano que vão custar cerca de 40 euros. (Isto sem incluir Gramática nem Dicionário).
Quem tem 2 ou 3 filhos na escola vai à falência!
E não me venham com essa treta de livros reutilizáveis, pois os livros não são reutilizáveis.

E acho até que devia fazer parte dos Direitos da Criança um novo artigo:
« Todas as crianças de todas as raças devem ter o direito de estrear um livro»

18 de abril de 2005

Me passo-me!!

José Wilker faz um fabuloso "Giovanni" na novela "Senhora do Destino" (a tal que eu não perco...).
Ele é um ex-bicheiro e actualmente o maior milionário lá do sítio tendo por isso direito a ser tratado por "doutor".
Subiu muito na vida, mas tem um desgosto pois falta-lhe uma coisa que nem todo o dinheiro dele consegue comprar: cultura.
Para tentar mostrar o contrário, não perde uma oportunidade de utilizar palavras "caras".
Claro que as utiliza ou mal pronunciadas ou fora do contexto, o que torna a sua personagem hilariante.

E vem isto a propósito de quê?
A propósito de uns blogues que eu vi por aí um dia destes: blogues onde as pessoas são assim, utilizando palavras tão caras que só de dicionário em riste se decifram as mensagens... Às vezes nem assim!
Porque haverá esta necessidade de escrever assim?
Para mostrar a cultura que (não) se tem?
E quem os lerá? Com certeza outros com eles...
Fazem lembrar a história "O rei vai nu": ninguém quer ser o primeiro a dizer que não percebe para que ninguém perceba que ele não percebeu... perceberam?

Eu também sei escrever assim, querem ver?
"O tempo que decorre entre o nascer e o pôr do sol raiou a manhã airoso"
Tradução:
"O dia amanheceu lindo"
(um dia que não tenha nada que fazer, escrevo assim um texto inteirinho com prémios para quem acertar na tradução!)

E por falar em prémios: obrigada a todas as almas caridosas que me mandaram desenhos com a solução do "labirinto russo".
Sem ir ver a nenhuma cábula, completamente sozinha, hoje eu CONSEGUI!! Iuuupi!!

17 de abril de 2005

Receita simples

Receita para um domingo bem passado:

  • Vestir-me com "roupa de andar por casa" (tenho uma colecção de camisolas que ficaram largueironas a que acrescento calças de supermercado). Um espectáculo!

  • Juntar a família mais chegada para o almoço. (O almoço tem de ser simples e prático porque detesto cozinhar. Normalmente faz-se um assado no forno que tem muitas vantagens: dá sempre para mais um se for caso disso. Mas a vantagem maior é ser o meu marido que faz...)
    À volta da mesa, come-se e tagarela-se (ou vice-versa)

  • Depois do almoço toda a gente ajuda a arrumar os tarecos de volta ao lugar, a meter a louça na máquina, essas coisas...

  • A seguir normalmente os mais novos saem, mas agora fica tudo a ver os "Perdidos" na RTP1. Eu fui a última a aderir, mas agora não perco um episódio.

  • Entretanto é hora de lanche que funciona em self service...

  • E finalmente, lá pelo fim da tarde, cada um segue o seu destino. Eu e o marido voltamos a ficar sozinhos, mas depois de ter a casa cheia sabe bem este sossego.

E se chover, como hoje chove, então é mesmo um domingo perfeito!! (agora vou ser linchada, pronto!!)

Frase do dia

  • «O riso é a mais curta distância entre duas pessoas»

Victor Borge

16 de abril de 2005

Presunção e água benta...

Um dia durante a 2ª Guerra Mundial um bêbedo berlinense puxa o autoclismo da sua casa de banho exactamente na altura em que cai uma bomba dos aliados nas redondezas de sua casa, ficando tudo destruído. E o homem diz "Meu Deus, o que eu fui fazer!!"

Hoje lembrei-me desta história quando ouvi no Jornal da Tarde aquele-indíviduo-inqualificável-que-dá pelo-nome-de-Alberto-João dizer que a medida do governo de querer limitar os mandatos dos autarcas era por causa dele, para o derrubar do poder e blá blá blá!!
Valha-me Deus!

Sobre esta medida do Governo só tenho a dizer que peca por tardia e que devia funcionar já nestas eleições.
Eu sei que este tema não é consensual, mas eu acho que os autarcas devem ter os seus mandatos limitados sim.
É a nível das autarquias que se têm feito as coisas mais extraordinárias deste país desde o 25 de Abril, mas também é nas autarquias que se assistem às maiores barbaridades e atropelos à lei.

Dada a sua influência na vida económica da região, a sua continuidade por tempo exagerado conduz à formação dentro da autarquia de um "núcleo duro" que aproveitando-se das funções estratégicas que exercem passam, com o decorrer dos mandatos a servir-se em vez de servir.
Aqui há uns tempos não havia dia em que não fosse noticiado um caso de corrupção que alegadamente envolvia autarcas.
Os "favores" aos construtores civis são os que mais saltam à vista: alguém conhece alguma cidade que não tenha crescido desordenadamente com prédios sobre prédios sem espaço para mais nada?
A nível das Juntas de Freguesia, o panorama embora a outro nível é idêntico. Deixam de ser autarcas e passam a considerar-se "donos".

Há excelentes e honestos autarcas?
Claro que há, afinal como diz o povo "a excepção confirma a regra"!

Frase do dia
«Deixe sempre para amanhã o que não deve fazer nunca.»
M.M.

14 de abril de 2005

Apanhada na rede...Outra vez, arre!

Já uma pessoa não pode entrar numas eleiçõezitas e pedir uns votos por aí que a cobrança não tarda: "votei em ti, agora vais ter de participar, blá blá blá..."
Está bem senhor AFlores eu participo...
É que vai haver uma segunda ronda de votações e não se pode perder assim um eleitor!

O que se passa é que anda por aí uma "corrente" blogosférica chamada Ex-Libris da Tugosfera... (quem terá inventado isto??) que nos desafia a responder a umas perguntinhas e depois...escolher mais três vítimas.
Cá vão elas:

1. Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Que eu saiba isso é um filme onde se queimam livros.
(E para informação de quem lê isto, 451 graus Fahreneit é a temperatura a que os livros ardem e corresponde a 233 graus Celsius - sou simpática ou não sou??).
Portanto eu como não queria morrer queimada se fosse livro, não escolho nenhum!

2. Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
Por um? Mas eu lá sou rapariga de me deixar apanhar por um?
Foram cinco! Fiquei apanhada para sempre pelos famosos "Cinco"!

3. Qual foi o último livro que compraste?
No sábado passado o senhor do Círculo de Leitores veio cá a casa (viva o luxo!) trazer-me os "Contos" de Hans Christian Andersen.

4. Que livros estás a ler?
Só leio um livro de cada vez, embora tenha sempre um de poemas na mesa de cabeceira para ler em doses homeopáticas.
O de poemas é de Miguel Torga (Poesia Completa) e ando a ler "O Código Da Vinci" (quem não anda que atire a primeira pedra!)

5. Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Eu jamais iria para uma ilha deserta...
(- Saltapocinhas, eeeei, olha que se calhar isto é uma metáfora e eles querem é saber quais são os teus livros preferidos!
- Ops, deve ser!)
Não tenho cinco livros preferidos.
Fica então assim:
Todos do Jorge Amado
Quase todos do Lobo Antunes
Alguns do Saramago (fica sempre bem falar dele...)
Biografias e romances históricos
Literatura infantil...
Chega?

6. A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
À Minha Sopeirinha, claro! Isto apesar dela andar a fazer gazeta e ter deixado a Bruxinha ao abandono... Além disso arranjou um template novo todo giraço para o blog dela e para a Bruxinha, népias! Mas é a bloguista que eu conheço que mais sabe sobre livros! Aquela gaja sabe tudo!

Ao Varela de Freitas porque sou cusca e quero saber o que anda ele a ler, para além de livros de pedagogos e do Expresso...

Ao Santos Passos porque sempre quis saber o que lê um brasileiro comunista..

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Se ficaram stressaditos e querem descomprimir, vão até este Labirinto Russo.
Quem conseguir descobrir a solução por favor mande-me uma cábula que eu não aguento mais!!
POR FAVOR!!!

13 de abril de 2005

Férias ou pausas?

O meu post anterior não tinha nada a ver com as férias da Páscoa. No entanto, como a maior parte dos "comentadores" levou o assunto para esse lado, vamos lá falar das férias dos professores...

Legalmente não se chama ao tempo sem aulas durante o ano lectivo "férias". Tem o pomposo nome de "interrupção das actividades lectivas".
Na prática são férias... Mas não são tantos dias como pode parecer à primeira vista. Antes disso há montes de burocracia para tratar, que normalmente ocupam uma semana.
Restam depois em média 4 ou 5 dias.

A profissão de professor é diferente de todas as outras profissões.
Não lidamos com papéis ou máquinas, mas com crianças, e não podemos a meio do dia, se estivermos cansados, largar tudo, ir tomar um café e voltar mais tarde para acabar o serviço.
Também não podemos pedir ao chefe para sair uma hora mais cedo ou chegar uma hora mais tarde para tratar de um assunto: ou adiamos o assunto ou faltamos.
No 1.º ciclo quando um professor falta isso tem implicações tremendas: grande parte das escolas tem uma ou duas salas de aula, não havendo como distribuir os alunos que ficam assim sem aulas.
Resumindo: o nosso trabalho não permite "pausas". Só mesmo as que as férias permitem.
E é preciso que se diga que esses pequenos períodos de férias são essenciais tanto para professores como para alunos: ninguém aguentaria tanta aula seguida!

Há tempos escrevi aqui a propósito dum senhor que estava num programa de TV a dizer que as escolas deviam ter meios para tomar conta dos alunos durante as pausas e as férias grandes! Eu teria gostado imenso de saber a opinião desse senhor acerca dele passar as suas férias no seu local de trabalho (e até aposto que ele deve trabalhar num aprazível gabinete cheio de mordomias e cházinhos...).

Os professores são também dos poucos profissionais que têm TPC.
Muitas vezes o tempo dispendido nestes trabalhos consegue ser idêntico ao passado na escola. Preparar testes, corrigi-los, trazer uma resma de livros para casa a fim de corrigir os trabalhos que os alunos lá fizeram, preparar as aulas do dia seguinte, tudo isso leva muitas horas. Só que essa parte não é visível aos de fora.

Somos também, que eu saiba os únicos empregados do estado que têm de comprar o material que utilizam no dia a dia (papel, lápis, canetas, pastas...). Com as novas tecnologias tenho de acrescentar à lista disquetes, cd's, tinta para a impressora cá de casa que quase só trabalha por conta da escola, etc., etc....
Às vezes além do nosso material ainda fornecemos do nosso bolso material aos alunos que não o têm. E quantas vezes também o lanche...

Isto não é nenhum "discurso do coitadinho".
É a constatação de uma realidade, com os seus prós e os seus contras.
Apesar de tudo, não trocava a minha profissão por nenhuma outra profissão do mundo!

11 de abril de 2005

"Herrar é umano"

A minha "homepage" é a EDUCARE porque é uma página interessante e informativa.
Todos os dias, quando abro o computador, fico num relance a saber o que de importante se vai passando no reino da educação.
Leio os títulos e vou lendo também os artigos que me interessam.
Há no entanto uma artigo de opinião que leio sempre (às vezes até imprimo e guardo), pois admiro o seu autor e a sua escrita.
Chama-se "Aprendiz de Utopias" e o autor é o professor José Pacheco. Mas, desta vez, não gostei do seu artigo. Chama-se "Herrar é umano" e podem ler aqui.

Resumindo: ele quis mostrar uma escola ao neto e resolveu fazê-lo no período de férias da Páscoa. Lógico que a escola estava fechada... Insurgiu-se depois com a segurança à porta da escola, com as salas vazias de alunos, com as carteiras alinhadas, com a campaínha a tocar mesmo em férias.
Francamente não sei o que estaria ele à espera de mostrar ao neto...
Mais uma vez repito que tenho muito respeito por este professor e pela sua sabedoria. O que não quer dizer que concorde com tudo o que escreve ou com tudo o que preconiza para as escolas.
Desta vez acho que levou a utopia longe demais...

***Frase do dia***
«Nesta vida tudo passa, até a uva...passa!»

10 de abril de 2005

Sabedoria índia

Um velho índio descreveu certa vez seus conflitos internos:

«Dentro de mim existem dois cachorros, um deles é cruel e mau, o outro é muito bom e dócil. Os dois estão sempre brigando...»

Quando então lhe perguntaram qual dos cachorros ganharia a briga, o sábio índio parou, reflectiu e respondeu:

«Aquele que eu alimentar...»

9 de abril de 2005

E viveram felizes para sempre...

... é assim que terminam todas as histórias de príncipes e princesas...

Hoje o príncipe conseguiu finalmente perder o medo, enfrentar a mãe, e casar com a rapariga de quem realmente gosta.
No meio disto tudo "só" desperdiçaram 30 anos...

Ao contrário de muita boa gente eu acho que, apesar de tudo, eles merecem ser felizes. Se a relação deles dura há tanto tempo é porque ali há amor.
Apesar de feio e "velhote", aposto que o príncipe teria muitas meninas lindas e com corpinho de top model que não se importavam nada de casar com ele.
É que dinheiro e poder sempre foram um excelente afrodisíaco.
Mas ele escolheu a Camila, também nada bonita e mais velha ainda que ele. Se isto não é amor, é o quê?
Faço do título o meu voto: que sejam felizes para sempre, que isto de príncipes e princesas lindos deve ser só nas histórias de encantar!

*Frase do dia*
« Ninguém que saiba ler jamais conseguirá limpar um sótão em condições»
F.P.J.

7 de abril de 2005

"Furos" - Parte 2

E volto aos "furos" desta vez mais a sério.

Antes de mais devo dizer que acho inadmissível e uma falta de respeito para com alunos e pais que haja "furos" nos horários. Ainda há jovens (quase crianças) que saem de casa de madrugada e entram em casa de noite porque moram longe, têm transportes a horas impróprias e horários mal elaborados.

Quando me referia aos "furos" estava a pensar apenas naqueles que derivam da falta de um professor. E que devem ser uma excepção e acontecer muito de vez em quando...
Continuo a achar que esses podem ser úteis, sabem muito bem e constituem um direito que não deve ser retirado aos alunos: o de disporem de 50 minutos livres.

O problema só se põe quando há mais furos que aulas...
E isso, infelizmente, acontece com muita frequência.
Às vezes há manhãs ou tardes inteiras em que os alunos têm uma ou duas aulas!
Nesses casos as crianças andam por ali mais ou menos ao abandono e até chegam a sair da escola para frequentar os cafés estratégicamente colocados nas suas imediações (não conheço nenhuma escola C+S que não tenha nenhum café muito perto...).
Fala-se tanto em avaliar professores e não se avança muito pois é uma tarefa bem difícil porque os resultados do seu trabalho têm muitas variantes. No entanto há um aspecto fácilmente avaliável: a assiduidade.
Não se podia começar por aí?

Sobre "horários zero" e horários reduzidos não vou falar porque não estou dentro do assunto. Mas acho que é um problema a resolver, este sim mais urgente que o de "tapar furos"!

5 de abril de 2005

Não ao fim dos "furos"!

O primeiro ministro anunciou ontem durante a visita a uma escola que se iam acabar os "furos".
Ele não sabe no que se mete!
Os furos são uma instituição nacional que tem de ser preservada!
Ele, que até já foi ministro do Ambiente e tudo, devia saber que há coisas que são para preservar! Os "furos" estão sem dúvida incluídos nessa lista.
Mais do que as aulas e até do que alguns professores (que são mesmo para esquecer) o que eu recordo com mais saudade dos meus tempos de estudante são os "furos"!
O que se aprendia nesses intervalos de tempo não tem comparação com o que se (des)aprendia nas aulas!
Jogava-se ao ringue, jogava-se à bola, namorava-se, discutiam-se ninharias importantíssimas...
E também se estudava...
Quando se quer realmente estudar não é preciso ter sempre um prof ao lado! Pelo contrário: as descobertas que fazíamos uns com os outros são aquelas que nunca mais esqueceremos!

Juntem-se a mim neste protesto!!

4 de abril de 2005

How stupid are you?

A poucas horas de recomeçar as aulas, fiz este teste de inteligência...
Claro que fiquei super feliz por ter descoberto que sou uma rapariga esperta!
E olhem que o teste é bem difícil, gostava que o fizessem também e tivessem a coragem de publicar os vossos resultados.

How stupid are you?

Very smart.

You are almost like Einstein.

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Nada como um bom teste "científico" para nos sentirmos na maior...
Como escreve hoje Isabel Stilwell na Notícias Magazine, "somos mesmo um bocado broncos, facilmente deslumbrados por tudo o que diga estudo, sondagem, investigação, e nos seja impingido como resultado do trabalho científico de professores e doutores, às vezes não se sabe bem do quê (...). E tão deslumbrados andamos, que nem damos pelo facto de que aquilo que tomamos como revolucionário, e que nos dispomos a seguir à letra, não é mais que uma versão reciclada daquilo que os nossos paizinhos - mãe e pai - nos dizem desde o berço"!

3 de abril de 2005

O pior filme de terror...

Já não é a primeira vez que no meu blog me manifesto contra o uso de peles.
AQUI está uma carta à revista Máxima a que nem se dignaram responder...
Quanto a mim, respondi deixando de comprar a revista em causa.
Se todos (as) fizéssemos o mesmo talvez as madames lá da redacção dessem por ela!!

Desta vez é um apelo da Rakel acerca duma entrevista da Fátima Lopes onde esta criatura faz a apologia do uso das peles.
Trata-se de um vídeo impressionante e que não publiquei porque não fui capaz :-(
Mas podem ver o video no blog da Rakel...
Quanto a mim esta "gente" devia ser enfiada numa máquina do tempo e largada numa caverna da pré história...
Aí sim, iam ter realmente necessidade de usar as peles que tanto adoram...

"A verdadeira bondade do homem só se manifesta com toda a pureza, com toda a liberdade, em relação àqueles que não representam nenhuma força. O verdadeiro teste moral da humanidade, o seu fundamental teste [o mais radical, num nível tão profundo que escapa ao nosso olhar], consiste na sua atitude em relação àqueles que estão à sua mercê: os animais. E, a este respeito, a humanidade sofreu um fundamental desastre, um desastre tão fundamental que todos os outros [desastres] decorrem dele"
Milan Kundera

2 de abril de 2005

Dia Internacional do Livro Infantil

Eu adoro literatura infantil.
E não perco uma oportunidade de ler histórias aos meus pequeninos.
Eles começam por gostar de ouvir ler, depois entusiasmam-se a aprender a ler para não dependerem de ninguém que lhes leia.
No entanto, mesmo depois de saberem ler, adoram que lhes leia histórias.
Começo por livros fáceis, mas à medida que vão crescendo vou lendo livros mais complexos...
Há dois anos, quando tive o 4.º ano li-lhes "Alice no País das Maravilhas" na versão original e integralmente - e olhem que não é um livro nada fácil!Comecei a ler cheia de dúvidas e afinal eles adoraram! Mais uma prova de que o fácil nem sempre é o melhor...
E agora vou iniciar o 3.º período com a leitura de "O Principezinho".
Estas são as "histórias grandes" que leio em capítulos, tipo telenovela.
As pequeninas que há por lá na mini-biblioteca da escola, mais as que eu levo de casa, e ainda as que eles requisitam na biblioteca itinerante da Gulbenkian, faz com que leiam bastante.
E por falar nisso: as bibliotecas escolares têm sensivelmente os mesmos livros que tinham quando comecei a trabalhar há 25 anos. Não seria boa altura para as actualizar?
Muitas crianças só entram em contacto com os livros quando entram na escola: a maior parte dos meus alunos não tinha um único livro em casa quando iniciou a escolaridade no ano passado...

Por essas e por outras é que para mim o "dia do livro" é todos os dias...