12 de setembro de 2006

Mudam-se os tempos...

Aviso:
Este post foi inteira e descaradamente roubado à Rosarinho, a menina da caixa da padaria da Didas

«É o que eu digo.
O mundo está em constante mutação.
E até eu noto, que ainda não ando por cá assim há tanto tempo como isso. Quando a minha avó Teresa (que chegou a fazer o exame da terceira, só não passou porque aquilo era muito puxado) andava na escola, os putos chegavam a casa e diziam à mãe:
- Mãe! A professora hoje bateu-me!
E a mãe dizia logo:
- Ah desgraçado! Devias ter levado mais! Vou lá dizer que para a próxima, se não chegares a casa pelo menos com um olho negro, não te mando mais à escola!

O tempo foi passando, passando, e quando a minha mãe (que essa sim, já fez a quarta completa) andava na escola, os putos chegavam a casa e diziam:
- Mãe! A professora hoje bateu-me!
E a mãe dizia logo:
- Então tá bem… - e continuava a lavar a loiça como se nada fosse.

Quando eu andei na escola, e como não era parva nenhuma, chegava a casa e dizia:
- Mãe! A professora hoje disse que eu merecia um estalo!
E a minha mãe dizia logo:
- Ai é? Então deixa estar que eu vou lá ameaçá-la com uma queixa no ministério que a lixo!

Este ano, foi criada uma linha telefónica para os professores poderem ligar e dizer qualquer como:
- O Toninho hoje bateu-me!

Fantástico, não é?
Nem consigo imaginar como será no futuro, mas vai ser de certezinha emocionante!
Ora, com estas evoluções todas, ainda há quem se admire de há 50 anos o pessoal ir à feira popular e ficar de boca aberta a olhar para uma televisão a preto e branco cheia de grão e hoje em dia qualquer parolo ter em casa um plasma para ver a sport tv e o hustler.

E pronto queridos clientes, por hoje já fiz a minha reflexão filosófica. Fiquem bem e tomem lá uma beijoca
da vossa Rosarinho»

12 comentários:

Cristina disse...

Nos velhos tempos é que havia respeito, hoje em dia, essa palavra nas escolas não existe!
:)
beijinhu

floreca disse...

Cristina, infelizmente não é só nas escolas que não existe :-(

Santos Passos disse...

Muuuito bom.
Beijinhos.

bell disse...

Olá, passei por aqui e este texto tocou-me muito.
Quando a minha mãe andava na escola, a professora partia os brincos das meninas e esfolava as orelhas dos rapazes a vergastadas de pau de marmeleiro.
Este ano, sou directora de turma de um aluno (alínea i) que no ano passado colocou as professoras no hospital no segundo dia de aulas. Mudou de escola, mudou de ciclo, mas duvido que tenha mudado assim tanto.

Carla Silva disse...

Pois segundo me parece no que respeita à educação isto está cada vez pior.
Beijinhos.

Barão da Tróia II disse...

Partilho inteiramente da tua análise. Apesar do tom irónico, é a pura verdade que escreves. Estou muito apreensivo quanto ao futuro, estaremos nós a criar futuras gerações de pequenos Átilas, de Hitlers, desprovidos de qualquer noção de respeito, civilidade e cidadania, sim infelizmente quer-me bem parecer que sim.

Ines disse...

há escolas muito complicadas - pelos alunos, mas também pelos profs, pelos AAE, pelas dinâmicas escolares, pelos contextos sociais.

Mas acredito que ainda há alunos com respeito, professores com sabedoria, escolas com bom ambiente!

Também somos nós que fazemos o lugar onde estamos!

(Falo porque trabalhei muitos anos numa feguesia de Lisboa muito complicada e percebi como as várias escolas lidavam de forma diferente com as mesmas questões - umas conseguiam, outras... não!)

Hindy disse...

Muito bem visto!
Um beijinho "hindyado"!

baunilha disse...

É realmente patético!! O que queres que te diga?? Parece que a educação (no seu sentido lato) deixou de ser importante... não tenho comentários!! Sou um agradecimento por nos mostrares o que se passa numa outra prespectiva que não a da comunicação social, fiquei escandalizada com a analogia do concurso... realmente, como é que os professores podem aceitar uma situação destas?? Se a nossa opinião depender da com. social, estavamos para aqui a pensar que os profs nunca estão satisfeitos... percebes o que quero dizer?

Abelhinha disse...

Fantástico!

Emiéle disse...

Há uma daquelas histórias da Mafaldinha, onde se vê ela a contar ao Manelinho «No tempo dos meus pais, os professores batiam nos alunos» e ele respode entusiasmado «E agora são os alunos que batem nos professores?!», ao que ela respondia «Não, homem! Tanto não!!!» E ele respondia desanimado «Pois é! Neste país as reformas nunca são radicais!»
Claro que no tempo da Mafaldinha isto tinha graça...

AnaCristina disse...

E num tom divertido se diz a verdade!